Às vezes eu arrisco a sorte. Hoje pela manhã foi na hora de escolher o cd para ouvir no carro. Abri a gaveta, fechei os olhos e peguei um. Veio às minhas mãos uma coletânea que reúne Léo Jaime e RPM. Eu era adolescente quando surgiu o RPM, adulto quando ele sucumbiu.
O ano era 1987 e eu estava terminando o técnico em contabilidade (além de modelo e manequim formado pela IPS, datilógrafo e ter feito curso de pintura em tecido pelo Senac – caraca!). A turma decidiu participar de uma gincana, já que o prêmio nos ajudaria na viagem e festa de formatura. Divididas as tarefas, coube a mim, ao Keno, Juliano e Rony a atividade artística, que seria sorteada num dia tal. Adivinhe quem nós deveríamos imitar? Bingo: RPM.
Em poucas horas conseguimos guitarra, baixo, bateria e um teclado. Naquela época, tínhamos capas pretas, obviamente inspiradas no estilo “rebelde” do Paulo Ricardo. De um amigo muito gente boa, tomamos emprestado gelo seco e a iluminação. Meu, criamos o maior clima. Muita fumaça, correntes, luzes piscando e eu entro no palco de lado, tentando dar uns saltitos bem esquisitos para causar espécie. Não deu outra. Arrasamos, ganhamos o primeiro lugar nesta prova e levamos o prêmio geral da gincana.
Algum tempo depois, o RPM veio fazer um show em Londrina. Maior muvuca, mas a gente (os quatros dublês de artistas) foi conferir se os ídolos estavam à altura da nossa performance. Um dos shows mais memoráveis da minha vida. Quando o Paulo Ricardo cantou London, London e formou-se um cone de raio laser por cima dele, a platéia delirou completamente. Não esqueço aquela imagem até hoje, assim como a Blitz cantando A dois passos do paraíso com a Fernanda Abreu e a Márcia vestidas de noivas.
Já ouvi o cd duas vezes. Cantarolei música por música e senti-me muito feliz. O ano de 1987 foi um dos melhores da minha vida. Passei no concurso do Banco do Brasil, apaixonei-me de verdade, consolidei amizades que duram até hoje. Foi o tempo em que fui rebelde também. O máximo que consegui foi pintar o cabelo de loiro e ir à aula com uma calça toda rasgada. Quase fui demitido do Banco do Brasil por conta do cabelo e só não fui suspenso do Colégio porque a diretora, a dona Mafalda, era minha fã.
Hoje eu senti saudades daquele Edenilson.
Publicado em 20 de julho de 2004 às 17:50 por joao