“...às vezes eu tenho um sonho recorrente.Estou sozinho com uma grande sensação de desamparo e então alguém se aproxima. Eu nunca consigo ver o rosto, mas eu sei que é alguém que eu estou esperando. Esta pessoa caminha para mim, eu estou de braços abertos, a garganta sufocada pela emoção. Mas eu nunca chego a abraçá-la porque de repente ela se vai e só fica uma sensação de insuportável melancolia. Eu acordo sempre chorando compulsivamente. Num primeiro momento aliviado, porque foi apenas mais um sonho, mas imediatamente angustiado porque me dou conta que esta tem sido a minha realidade nos últimos tempos: eu sempre à espera de alguém que nunca chega. E apesar da dor e do desencanto que isso representa, eu vou continuar aqui, de braços abertos, à espera de alguém que não sei se vai chegar. Porque de tudo o que tenho vivido recentemente, a única certeza que tenho é que apenas o amor pode me salvar.”
O texto acima, ou parte dele, foi escrito na década de 80 por Maria Adelaide do Amaral. Era a última fala do espetáculo “De braços abertos”, que eu tive o prazer de interpretar num espetáculo de bar montado pela Cia. Independente. Eu gosto dele. Tem um pouco a ver comigo, pelo modo que as pessoas e situações me prendem.
Amanhã de manhã eu vou embora. E hoje tive a oportunidade de ficar em contato comigo mesmo o tempo todo. Somando tudo o que falei, creio não ter pronunciado mais do mil palavras ao longo do dia. À tarde, chamei o Gabriel Garcia Márquez e me sentei na praça. As desventuras de Amaranta, José Arcádio, Pilar, Úrsula são companhia da melhor qualidade. Que não me impediram de tirar um bom cochilo, ali mesmo, diante de tantas crianças jogando milho aos pombos.
Algumas dúvidas se foram, outras vieram. É o ciclo, não? Durante o segundo banho de imersão, lembrei do dia que tomei uma atitude muito importante. Contrariando os sonhos e planos do meu pai e minha mãe, decidi que não me aposentadoria como funcionário do Banco do Brasil. Também não vou encerrar minha carreira profissional como professor. É fato que lecionar me provoca mais dor que prazer. E só está em minhas mãos reverter este quadro. Não será algo imediato. Mas uma decisão que se concretizará aos poucos.
Terceiro dia longe de casa e já sinto saudades. É engraçado porque nem falo com os meus amigos todos os dias pelas mais variadas razões. Mas sinto falta deles. A distância é algo que me incomoda. Se eu quiser ir ao cinema com a Thais, agora, por exemplo, não seria possível. Assim como não daria para comer um doce com a Raquel. Estava precisando deste tempo afastado de tudo. Mas é muito bom saber que posso e quero voltar.
A pessoa que inventou o pão de mel deveria ser isenta de pagar imposto pelo resto da vida.
Quem teve a idéia de inventar os mais variados tipos de empada também. Hoje degustei calabresa com catupiry.
Eu decidi que estando em Londrina, vou transar em Arapongas e Maringá, nessa ordem, de preferência. As duas situações deverão ser concretizadas em algum motel bacana, com uma banheira de hidromassagem. Fetiches que a tal água sulfurosa me trouxe.
Sempre que visito uma cidade pela primeira vez, faço questão de comprar o jornal da cidade e o do estado. Aqui li a Folha de Poços de Caldas, O Estado de Minas e O Tempo. Do Rio de Janeiro, comprei o Extra, o único que tem algo de diferente. A diagramação de todos eles é praticamente a mesma, com o conservadorismo típico dessas publicações. Só o Extra tem algum diferencial, com os cadernos de esportes, variedades e automóveis – publicado às quartas-feiras – em formato tablóide, contrastando com as editorias de política, economia e internacional, que vêm no velho e bom standard.
Nos telejornais, algumas inovações que sinto tanta falta nos telejornais paranaenses. Mas um repórter do SBT local começou uma matéria descrevendo como paradisíaca, uma represa mequetrefe, que fica no chinelo perto daquela de Primeiro de Maio. E aí, resolvi desligar a tevê e ir passear no parque.
Resumo da ópera: relaxei, descansei, conheci um lugar novo. Recomendo Poços de Caldas para visitas a dois. A cidade é realmente romântica.
No quesito beleza “natural”, os londrinenses põem os mineiros no chinelo.
Por fim, vou tentar conhecer de mais perto o gosto da verdadeira comida mineira.
Publicado em 07 de julho de 2004 às 20:43 por joao