Em Poços de Caldas as pessoas ainda se reúnem na praça. Aqui, em frente ao hotel onde estou hospedado, elas se encontram, ficam namorando nos bancos, ouvindo boa música. Ontem foi a vez de um quinteto iniciar o sarau com a música do Gilberto Gil. A vida é sonho.
Conheci o seo Clóvis. Ele me apresentou a cidade. Na mesma van estavam três casais de São Paulo. Um deles - o mais jovem - casou-se no último sábado. E a cara de quem estava trepando muito não deixava dúvidas que a lua de mel está sendo ótima. Entre os mais velhos, um casal que voltava à cidade para comemorar 40 anos de casamento. Muito bonita a harmonia entre os dois velhinhos. A mulher toda cuidadosa com o homem, já mais debilitado e com dificuldades para andar.
A primeira parada foi no recanto japonês. O lugar é uma reprodução de um jardim que existe no castelo do imperador, em Kioto, no Japão. Foi patrocinada por uma empresa que se instalou na cidade, a Mitsui. Ali, além do lago, há a fonte dos três desejos. Você pode pedir por amor, saúde e inteligência. Deve tomar um gole de cada uma das bicas, depois ficar de costas, jogar a tal moedinha e pimba. Fiz isso pensando em mim e nos meus queridos amigos.
A segunda parada foi no Cristo. Fica no ponto mais alto da região: 1.686 acima do nível do mar. De lá a gente entende a criação da cidade. Poços de Caldas foi levantada numa cratera de um vulcão que se silenciou havia quatro milhões de anos. É um lugar muito bonito, onde a gente sente mais frio. Consta que nos dias de inverno rigoroso, os termômetros chegam a cinco graus negativos.
Depois fomos para a pedra balão. Uma bobagem da natureza. Ali, ainda é região do tal vulcão. A pedra foi lançada para o alto e se equilibrou entre outras duas. Lembra o Zeppelin. Depois eu mostro as fotos.
A parte mais bacana do passeio foi conhecer a fonte dos amores, mostrada e comentada pela personagem de Denise Milfont, na novela Livre para Voar, que o seo Clóvis lembra muito bem. Foi a história de um padre e uma noviça que se embrenharam na mata para tentar viver um grande amor. Obviamente que tudo era proibido e eles acabaram morrendo. Não se sabe se foi de frio, picada de cobra ou o que o valha. No lugar onde os dois corpos foram encontrados, um tal barão que morou na cidade mandou fazer a estátua toda de mármore, uma única peça, frisou o seo Clóvis, e colocar no lugar. Por via das dúvidas, tomei a água e fiz meus pedidos.
Eba, eba... Conheci a fábrica de cristais onde foram gravadas cenas da novela. E fui apresentado ao Deusdemar. É isso mesmo. O cara é um artesão. Em exatos oito minutos, com um maçarico e um alicate, ele fez um beija-flor de cristal. Lindo. Pra gente dar para a madrinha. Na própria casa, não dá...
O fim do passeio foi numa fábrica de sabonetes medicinais, que têm água sulfurosa na composição. Magavilha de bom.
No caminho de volta, conheci a Noêmia e a Maria Vitória, mãe e filha. Elas pegaram carona com a gente na cachoeira véu das noivas. A garota tem oito anos, é do signo de capricórnio. Contou-me que dá uns sopapos nos meninos da escola, onde cursa a segunda série. Ela é resoluta, desibinida e simpática. Mudou-se para Poços de Caldas há quatro anos. A mãe é artesã, separada do pai, que já tem outros quatro filhos. Simpatia a primeira vista, sabe como? No final, a garota veio me abraçar e me dar um beijo. Eu adoro ser jornalista e ficar especulando essas coisas.
O dia terminou no tal banho de água sulfurosa. Caraca, uma delícia. Parece que tem amaciante na água, sabe como? Comprei sais de banho e relaxei como nunca havia acontecido. E reafirmei o meu sonho de consumo: ainda terei uma casa ou apartamento com banheira. A água sai da terra a uma temperatura de 46 graus. Chega à banheira com 37, 38. Fiquei tão bem que acabei tirando uma boa soneca.
Aqui em Poços de Caldas, o doce de abóbora em calda é uma delícia. Mas admito que o da Dona Alice é bem melhor.
No roteiro gastronômico, descobri o Universo da Empada. São 31 tipos, com outros 21 de vitaminas e 51 de sucos. Acreditam? Venham pra cá, urgente...
E o tal queijo de Minas? O que dizer sobre ele? E toda comida que se faz por aqui é comida mineira?
Os dias estão passando e eu estou me sentindo cada vez melhor.
Publicado em 06 de julho de 2004 às 22:44 por joao
***
ei, me deu vontade de ir passear aí tb. acho que vou depois da eleição. antes não dá, porque estarei empenhado em ajudar o lingüiça do circo, em sua jornada vitoriosa rumo à câmara dos vereadores de curitiba. um abração pra vc!