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Saturday, July 31, 2004
Vem cá. Gostaria de iniciar uma discussão em nível de presente.
Tem alguém aí que gosta efetivamente da novela Da cor do pecado?
A trama está bombando na audiência. Os grupos de discussão que foram montados para analisar o enredo acharam muito simpático o lance da protagonista negra. A velha disputa entre o bem e o mal parece mesmo conquistar o telespectador. Mas vamos falar uma verdade bem falada: como folhetim, é uma droga.
A Giovana Antonelli é a caricatura em pessoa. A cena do embate com o Lima Duarte, destruindo a casa para que ela tivesse certeza de que o “castelo” tão sonhado estava desmoronando é digna de enredo de redação de oitava série. Pareceu uma cena de uma novela da Record, cujo nome não lembro, quando alguém bate e o ator Sérgio Brito, muito, muito, muito, mas muito assustado, fala: “Se não for a morte, pode entrar.”
O filho dela, o Otávio, é a representação máxima dos jograis do jardim da infância. A Moa, o tal do Sal, aquele Tony e seus capangas, francamente.
Às vezes, me lembro dos desenhos do Batman. A capacidade de raciocínio e dedução lógica para descobrir as falcatruas dos vilões são risíveis. Numa milésima fração de segundo, Reynaldo Apolo Paco Gabriela, faz cara de vidro de palmito hermético e dispara: - Foi a Bárbara. Ela conseguiu. Ela conseguiu tudo que queria.
E aquela família Sardinha, com a mais estúpida de todas as mães, tratando os filhos como completos debilóides – que na verdade são mesmo, fato mais que comprovado na tosca e sub-medíocre – notem bem, sub-medíocre – interpretação de todos os atores?
Como falar algo de Mateus Natchergale e Vanessa Gerbeli? Do nada, do aquém e do além do Maranhão, eles surgem na trama fugindo de um barbudo, suposto marido da bonitona. Ocorre que faz um mês e meio que estou acompanhado o entrevero. Todo dia, mas todo dia de verdade, é a mesma coisa.
E o trio Ney Latorraca, Maitê Proença e Graziela Moreto? Sem comentários.
Existe algo efetivamente de bom nesta novela?
- o -
Vamos, pensem bem...
- o –
E então?
- o –
Mas mudando de novela e não de assunto, Senhora do Destino deu aquele salto no tempo. Foi tão grande, mas tão grande o tal do pulo, que o autor precisou dar entrevista coletiva para explicar em que época afinal eles estão. Ele afirmou que era por volta de 1993. Primeiro foi a gafe do diretor da novela, Wolf Maia, aparecer com o celular super moderno para a época em que o telefone móvel tinha o tamanho dos tijolos. Aguinaldo Silva explicou que o personagem é rico e importou o aparelho dos EUA, como ele próprio, o autor, o fez naquela época. Ah, tá. Agora eu entendi.
Ocorre que hoje perdi alguns minutos preciosos vendo a novela. E não é que a Leandra Leal tem um puta d’um piercing na sobrancelha? Caraca... Eu sou louco, vivi todos esses anos num outro planeta, ou será que a moda dos piercings para adolescentes é algo agora, deste começo de novo século cheio de esperança e crença de que, sim, a vida é realmente muito bela?
- o –
Agora que você conseguiu chegar até aqui, que tal desligar esse computador e ir carpir uma data, encher uma laje, assistir ao debate dos candidatos a prefeito mediado pela Adriana Wagner ou, quem sabe, preparar aula de história do jornalismo para os alunos da Unopar e outra aula de história da comunicação para os pupilos da Metropolitana?
- o –
O que? Você tem um sexo selvagem para daqui a pouco? E está perdendo aqui por quê?
- o -
Só mais um minutinho...
- o -
Sabe que música eu estou ouvindo agora? Let it go, do Prince. Na sequência, o darling da música americana põe uma mulher dando uma puta de uma gozada. É de arrepiar. Coisa para deixar o Chico Líder enlouquecido... O título é de uma obviedade atroz: Orgasm. Ela geme, ele diz “Come on”... mais alguns gemidos e ele... “Don't be shy...” Ali ela fica louca... Será que ele está chupando a vagina dela? Meu, como ela grita. E ele só no “Come on... keep going”. Daí ela diz “Oh, yes.” Geme mais um montão e acaba tudo. Será que teve um pum e eu não escutei?
- o -
Não, eu não esqueci. O nome do cd é Come, lançado em 1993, quando ele ainda não havia trocado o nome de si mesmo por aquele símbolo.
- o -
Mas agora que estou quase terminando de escrever, fiz um link. 1993 não é a época de Senhora do Destino? Acho que Orgasm poderia ser tema da Nalva, a desmilinguida que é casada com o pamonha e se masturba pensando no Viriato. Alguém consegue gozar de verdade transando com um homem que se chama Viriato?
- o -
Bem, se o Viriato for o Marcelo Antony...Calma Angélica!
Friday, July 30, 2004
Amo, simplesmente, amo os versos de Michael Sullivan e Paulo Massadas. Espiem...
“Diga espelho meu.
Minh'alma gêmea onde andará?
Parte do meu ser,
meu pedaço de luar...”
E o refrão:
“Alma gêmea vem
O meu corpo é o teu lugar.
Alma gêmea vem
Que se cumpra eu e você
Vê se me dá felicidade
Que eu te ensino a viver.”
Estas pérolas, na voz possante de Sandra de Sá, alegram o dia de qualquer pessoa. Invente, tente. Experimente. Experimente. Experimente.
“Diga espelho meu.
Minh'alma gêmea onde andará?
Parte do meu ser,
meu pedaço de luar...”
E o refrão:
“Alma gêmea vem
O meu corpo é o teu lugar.
Alma gêmea vem
Que se cumpra eu e você
Vê se me dá felicidade
Que eu te ensino a viver.”
Estas pérolas, na voz possante de Sandra de Sá, alegram o dia de qualquer pessoa. Invente, tente. Experimente. Experimente. Experimente.
Preciso dormir abraçado com alguém. Quem se candidata?
Thursday, July 29, 2004
Simplesmente me propus a ajudar. E isso mudou completamente o dia de alguém, na quarta-feira que começou e terminou fria. Ontem um conhecido meu perguntou-me se eu não sabia de alguma oportunidade de trabalho. Ele ficou desempregado e a reserva de grana está no fim, mas nada de encontrar algo que lhe dê sustento.
Nem posso dizer que somos amigos. Isso, porém, não impediu que eu checasse algumas possibilidades. Uma delas pode dar certo. Por coincidência, uma das instituições onde eu leciono está precisando de professores justamente na área que ele atua.
Fiz os contatos, indiquei as pessoas e liguei-lhe para dar as boas novas. O cidadão foi aos céus. Ressaltou que mesmo que a vaga não fique com ele, saber da oportunidade foi muito importante. E ficou agradecendo por alguns minutos repetidos. Desliguei o telefone e sorri por algum tempo.
Às vezes algo que representa quase nada para a gente, significa tudo na vida de alguém. E é preciso pouco, muito pouco, para fazer o dia do outro diferente, especial.
Thursday, July 22, 2004
Tuesday, July 20, 2004
Às vezes eu arrisco a sorte. Hoje pela manhã foi na hora de escolher o cd para ouvir no carro. Abri a gaveta, fechei os olhos e peguei um. Veio às minhas mãos uma coletânea que reúne Léo Jaime e RPM. Eu era adolescente quando surgiu o RPM, adulto quando ele sucumbiu.
O ano era 1987 e eu estava terminando o técnico em contabilidade (além de modelo e manequim formado pela IPS, datilógrafo e ter feito curso de pintura em tecido pelo Senac – caraca!). A turma decidiu participar de uma gincana, já que o prêmio nos ajudaria na viagem e festa de formatura. Divididas as tarefas, coube a mim, ao Keno, Juliano e Rony a atividade artística, que seria sorteada num dia tal. Adivinhe quem nós deveríamos imitar? Bingo: RPM.
Em poucas horas conseguimos guitarra, baixo, bateria e um teclado. Naquela época, tínhamos capas pretas, obviamente inspiradas no estilo “rebelde” do Paulo Ricardo. De um amigo muito gente boa, tomamos emprestado gelo seco e a iluminação. Meu, criamos o maior clima. Muita fumaça, correntes, luzes piscando e eu entro no palco de lado, tentando dar uns saltitos bem esquisitos para causar espécie. Não deu outra. Arrasamos, ganhamos o primeiro lugar nesta prova e levamos o prêmio geral da gincana.
Algum tempo depois, o RPM veio fazer um show em Londrina. Maior muvuca, mas a gente (os quatros dublês de artistas) foi conferir se os ídolos estavam à altura da nossa performance. Um dos shows mais memoráveis da minha vida. Quando o Paulo Ricardo cantou London, London e formou-se um cone de raio laser por cima dele, a platéia delirou completamente. Não esqueço aquela imagem até hoje, assim como a Blitz cantando A dois passos do paraíso com a Fernanda Abreu e a Márcia vestidas de noivas.
Já ouvi o cd duas vezes. Cantarolei música por música e senti-me muito feliz. O ano de 1987 foi um dos melhores da minha vida. Passei no concurso do Banco do Brasil, apaixonei-me de verdade, consolidei amizades que duram até hoje. Foi o tempo em que fui rebelde também. O máximo que consegui foi pintar o cabelo de loiro e ir à aula com uma calça toda rasgada. Quase fui demitido do Banco do Brasil por conta do cabelo e só não fui suspenso do Colégio porque a diretora, a dona Mafalda, era minha fã.
Hoje eu senti saudades daquele Edenilson.
Monday, July 19, 2004
Você está paquerando o cidadão. Rola um clima, ele se aproxima e parece ser a pessoa que vc tanto esperava. Sem falso moralismo, terminam o encontro numa cama. Quando ele tira a calça, está usando uma simplória cueca marrom, da Zorba, com aquela abertura na frente. Qual a sua atitude?
Friday, July 16, 2004
- Oi, tudo bem?
- Ahn?!
- Tudo bem? Eu sou o Edenilson, muito prazer!
- Como assim?
- Eu sou o Edenilson. Você não me conhece, mas eu conheço você.
- De onde saiu essa pessoa? (perguntando ao Edgar Moura Brasil)
- Eu sou o Edenilson e você é o Gilberto Braga e ele o Edgar Moura Brasil, seu companheiro. Eu li na Caras. Ele até fez uma ponta na novela na inauguração do Sobradinho, ou num dos shows da casa, não tenho certeza.
- Eu não acredito nisso...
- Não tem problema. É que eu sempre tive certeza que este momento aconteceria.
- Quem é você?
- Eu sou o Edenilson. Sou jornalista, professor universitário e fiz teatro durante vários anos.
- E daí?
- Bom, e daí que eu sou o protagonista da sua próxima novela.
- Você está louco?
- Claro que não. Olhe bem pra mim. Você não acha que eu tenho o maior perfil de ser o vilão da sua próxima novela?
- O que é isso? Eu acabei de escrever Celebridade agora. Nem estou pensando na próxima.
- Mas vai ter que pensar. Eu sei que seu contrato vai até 2008 e você terá que escrever uma minissérie e uma novela. Minissérie eu não quero não. Mas novela eu topo.
- Decididamente isso nunca me ocorreu.
- O que? Me contratar?
- Claro, eu nem sei quem é você.
- Você não está entendendo. Eu sou o Edenilson, já disse. É que eu sempre tive certeza absoluta que um dia você me conheceria assim, de maneira casual, e veria em mim a pessoa perfeita para protagonizar uma novela assim. E eu já ouvi tanta história de gente famosa que foi descoberta assim, por acaso.
- Olha, não vou perder tempo com você.
- Claro, agora nem precisa. Mas me dê o número do seu telefone pra gente ir se falando.
- Você é louco.
- Claro que não. E não adianta mentir, o.k.? Passe o número que eu vou checar agora se ele é mesmo seu.
- Eu vou chamar o segurança.
- Deixe disso. Você é muito fino para se envolver com este tipo de gente. Apenas passe o telefone que a gente vai se falando. Assim que o perfil do personagem estiver delineado, você me avisa para eu ir me preparando. Igual a Cláudia Abreu vai fazer para a próxima novela da Glória Perez.
- Você não existe, isso é uma loucura.
- Como não existo? Estou aqui na sua frente. Você nunca imaginou que encontraria alguém tão perfeito para o papel, certo?
- Francamente...
- Por falar em francamente, que final tosco a revelação da morte do Lineu. Eu esperava mais de você. Imagine, tudo ficou nas costas da Laura? Você deveria ter escolhido outro assassino, como fez em Vale Tudo, n’A Força de um Desejo e em Labirinto. A Laura foi óbvia demais.
- O público gostou, deu pico de audiência.
- Claro que deu. Mas você poderia ter surpreendido. Mas isso não vem ao caso. Passe o telefone, vamos! Eu sei que vocês estão com pressa.
PS: Indo ao cinema em São Paulo, no Shopping Frei Caneca, encontrei o Gilberto Braga na fila. Qual a pergunta que você deve fazer neste momento Beto?
PS 2: Quando retornei à Londrina e li os jornais da semana, soube que o Gilberto e o Edgar foram assaltados quando chegaram à São Paulo. Levaram o Rolex de um deles. Daí eu entendi a cara de enfado dos dois naquela tarde.
PS 3: Eu sempre tive certeza absoluta que um dia eu me encontraria com o Gilberto Braga, assim como acredito piamente que terei contato direto com a Malu Mader e a Vera Fischer.
Wednesday, July 14, 2004
Eu assisti “Invasões Bárbaras” três vezes. Assim que possível comprarei o DVD. É que uma cena em especial me marcou muito. Na despedida, já que a morte era certa, o pai disse ao filho: “Eu espero que você tenha um filho como você”. Conhece alguma prova de amor mais profunda?
Eu vivi experiência semelhante com o meu pai. Talvez pressentindo que fosse morrer - como de fato ocorreu algum tempo depois - chamou um dos meus cunhados para uma conversa reservada. Disse-lhe que, caso ele faltasse, era para eu cuidar do inventário. Meu cunhado questionou-o: - Mas por que justamente ele, o mais novo? Seo João foi enfático: - É o mais honesto. Nele eu confio que ninguém vai ficar no prejuízo.
O verdadeiro amor é sempre surpreendente.
Eu vivi experiência semelhante com o meu pai. Talvez pressentindo que fosse morrer - como de fato ocorreu algum tempo depois - chamou um dos meus cunhados para uma conversa reservada. Disse-lhe que, caso ele faltasse, era para eu cuidar do inventário. Meu cunhado questionou-o: - Mas por que justamente ele, o mais novo? Seo João foi enfático: - É o mais honesto. Nele eu confio que ninguém vai ficar no prejuízo.
O verdadeiro amor é sempre surpreendente.
Wednesday, July 07, 2004
“...às vezes eu tenho um sonho recorrente.Estou sozinho com uma grande sensação de desamparo e então alguém se aproxima. Eu nunca consigo ver o rosto, mas eu sei que é alguém que eu estou esperando. Esta pessoa caminha para mim, eu estou de braços abertos, a garganta sufocada pela emoção. Mas eu nunca chego a abraçá-la porque de repente ela se vai e só fica uma sensação de insuportável melancolia. Eu acordo sempre chorando compulsivamente. Num primeiro momento aliviado, porque foi apenas mais um sonho, mas imediatamente angustiado porque me dou conta que esta tem sido a minha realidade nos últimos tempos: eu sempre à espera de alguém que nunca chega. E apesar da dor e do desencanto que isso representa, eu vou continuar aqui, de braços abertos, à espera de alguém que não sei se vai chegar. Porque de tudo o que tenho vivido recentemente, a única certeza que tenho é que apenas o amor pode me salvar.”
O texto acima, ou parte dele, foi escrito na década de 80 por Maria Adelaide do Amaral. Era a última fala do espetáculo “De braços abertos”, que eu tive o prazer de interpretar num espetáculo de bar montado pela Cia. Independente. Eu gosto dele. Tem um pouco a ver comigo, pelo modo que as pessoas e situações me prendem.
Amanhã de manhã eu vou embora. E hoje tive a oportunidade de ficar em contato comigo mesmo o tempo todo. Somando tudo o que falei, creio não ter pronunciado mais do mil palavras ao longo do dia. À tarde, chamei o Gabriel Garcia Márquez e me sentei na praça. As desventuras de Amaranta, José Arcádio, Pilar, Úrsula são companhia da melhor qualidade. Que não me impediram de tirar um bom cochilo, ali mesmo, diante de tantas crianças jogando milho aos pombos.
Algumas dúvidas se foram, outras vieram. É o ciclo, não? Durante o segundo banho de imersão, lembrei do dia que tomei uma atitude muito importante. Contrariando os sonhos e planos do meu pai e minha mãe, decidi que não me aposentadoria como funcionário do Banco do Brasil. Também não vou encerrar minha carreira profissional como professor. É fato que lecionar me provoca mais dor que prazer. E só está em minhas mãos reverter este quadro. Não será algo imediato. Mas uma decisão que se concretizará aos poucos.
Terceiro dia longe de casa e já sinto saudades. É engraçado porque nem falo com os meus amigos todos os dias pelas mais variadas razões. Mas sinto falta deles. A distância é algo que me incomoda. Se eu quiser ir ao cinema com a Thais, agora, por exemplo, não seria possível. Assim como não daria para comer um doce com a Raquel. Estava precisando deste tempo afastado de tudo. Mas é muito bom saber que posso e quero voltar.
A pessoa que inventou o pão de mel deveria ser isenta de pagar imposto pelo resto da vida.
Quem teve a idéia de inventar os mais variados tipos de empada também. Hoje degustei calabresa com catupiry.
Eu decidi que estando em Londrina, vou transar em Arapongas e Maringá, nessa ordem, de preferência. As duas situações deverão ser concretizadas em algum motel bacana, com uma banheira de hidromassagem. Fetiches que a tal água sulfurosa me trouxe.
Sempre que visito uma cidade pela primeira vez, faço questão de comprar o jornal da cidade e o do estado. Aqui li a Folha de Poços de Caldas, O Estado de Minas e O Tempo. Do Rio de Janeiro, comprei o Extra, o único que tem algo de diferente. A diagramação de todos eles é praticamente a mesma, com o conservadorismo típico dessas publicações. Só o Extra tem algum diferencial, com os cadernos de esportes, variedades e automóveis – publicado às quartas-feiras – em formato tablóide, contrastando com as editorias de política, economia e internacional, que vêm no velho e bom standard.
Nos telejornais, algumas inovações que sinto tanta falta nos telejornais paranaenses. Mas um repórter do SBT local começou uma matéria descrevendo como paradisíaca, uma represa mequetrefe, que fica no chinelo perto daquela de Primeiro de Maio. E aí, resolvi desligar a tevê e ir passear no parque.
Resumo da ópera: relaxei, descansei, conheci um lugar novo. Recomendo Poços de Caldas para visitas a dois. A cidade é realmente romântica.
No quesito beleza “natural”, os londrinenses põem os mineiros no chinelo.
Por fim, vou tentar conhecer de mais perto o gosto da verdadeira comida mineira.
O texto acima, ou parte dele, foi escrito na década de 80 por Maria Adelaide do Amaral. Era a última fala do espetáculo “De braços abertos”, que eu tive o prazer de interpretar num espetáculo de bar montado pela Cia. Independente. Eu gosto dele. Tem um pouco a ver comigo, pelo modo que as pessoas e situações me prendem.
Amanhã de manhã eu vou embora. E hoje tive a oportunidade de ficar em contato comigo mesmo o tempo todo. Somando tudo o que falei, creio não ter pronunciado mais do mil palavras ao longo do dia. À tarde, chamei o Gabriel Garcia Márquez e me sentei na praça. As desventuras de Amaranta, José Arcádio, Pilar, Úrsula são companhia da melhor qualidade. Que não me impediram de tirar um bom cochilo, ali mesmo, diante de tantas crianças jogando milho aos pombos.
Algumas dúvidas se foram, outras vieram. É o ciclo, não? Durante o segundo banho de imersão, lembrei do dia que tomei uma atitude muito importante. Contrariando os sonhos e planos do meu pai e minha mãe, decidi que não me aposentadoria como funcionário do Banco do Brasil. Também não vou encerrar minha carreira profissional como professor. É fato que lecionar me provoca mais dor que prazer. E só está em minhas mãos reverter este quadro. Não será algo imediato. Mas uma decisão que se concretizará aos poucos.
Terceiro dia longe de casa e já sinto saudades. É engraçado porque nem falo com os meus amigos todos os dias pelas mais variadas razões. Mas sinto falta deles. A distância é algo que me incomoda. Se eu quiser ir ao cinema com a Thais, agora, por exemplo, não seria possível. Assim como não daria para comer um doce com a Raquel. Estava precisando deste tempo afastado de tudo. Mas é muito bom saber que posso e quero voltar.
A pessoa que inventou o pão de mel deveria ser isenta de pagar imposto pelo resto da vida.
Quem teve a idéia de inventar os mais variados tipos de empada também. Hoje degustei calabresa com catupiry.
Eu decidi que estando em Londrina, vou transar em Arapongas e Maringá, nessa ordem, de preferência. As duas situações deverão ser concretizadas em algum motel bacana, com uma banheira de hidromassagem. Fetiches que a tal água sulfurosa me trouxe.
Sempre que visito uma cidade pela primeira vez, faço questão de comprar o jornal da cidade e o do estado. Aqui li a Folha de Poços de Caldas, O Estado de Minas e O Tempo. Do Rio de Janeiro, comprei o Extra, o único que tem algo de diferente. A diagramação de todos eles é praticamente a mesma, com o conservadorismo típico dessas publicações. Só o Extra tem algum diferencial, com os cadernos de esportes, variedades e automóveis – publicado às quartas-feiras – em formato tablóide, contrastando com as editorias de política, economia e internacional, que vêm no velho e bom standard.
Nos telejornais, algumas inovações que sinto tanta falta nos telejornais paranaenses. Mas um repórter do SBT local começou uma matéria descrevendo como paradisíaca, uma represa mequetrefe, que fica no chinelo perto daquela de Primeiro de Maio. E aí, resolvi desligar a tevê e ir passear no parque.
Resumo da ópera: relaxei, descansei, conheci um lugar novo. Recomendo Poços de Caldas para visitas a dois. A cidade é realmente romântica.
No quesito beleza “natural”, os londrinenses põem os mineiros no chinelo.
Por fim, vou tentar conhecer de mais perto o gosto da verdadeira comida mineira.
Tuesday, July 06, 2004
Em Poços de Caldas as pessoas ainda se reúnem na praça. Aqui, em frente ao hotel onde estou hospedado, elas se encontram, ficam namorando nos bancos, ouvindo boa música. Ontem foi a vez de um quinteto iniciar o sarau com a música do Gilberto Gil. A vida é sonho.
Conheci o seo Clóvis. Ele me apresentou a cidade. Na mesma van estavam três casais de São Paulo. Um deles - o mais jovem - casou-se no último sábado. E a cara de quem estava trepando muito não deixava dúvidas que a lua de mel está sendo ótima. Entre os mais velhos, um casal que voltava à cidade para comemorar 40 anos de casamento. Muito bonita a harmonia entre os dois velhinhos. A mulher toda cuidadosa com o homem, já mais debilitado e com dificuldades para andar.
A primeira parada foi no recanto japonês. O lugar é uma reprodução de um jardim que existe no castelo do imperador, em Kioto, no Japão. Foi patrocinada por uma empresa que se instalou na cidade, a Mitsui. Ali, além do lago, há a fonte dos três desejos. Você pode pedir por amor, saúde e inteligência. Deve tomar um gole de cada uma das bicas, depois ficar de costas, jogar a tal moedinha e pimba. Fiz isso pensando em mim e nos meus queridos amigos.
A segunda parada foi no Cristo. Fica no ponto mais alto da região: 1.686 acima do nível do mar. De lá a gente entende a criação da cidade. Poços de Caldas foi levantada numa cratera de um vulcão que se silenciou havia quatro milhões de anos. É um lugar muito bonito, onde a gente sente mais frio. Consta que nos dias de inverno rigoroso, os termômetros chegam a cinco graus negativos.
Depois fomos para a pedra balão. Uma bobagem da natureza. Ali, ainda é região do tal vulcão. A pedra foi lançada para o alto e se equilibrou entre outras duas. Lembra o Zeppelin. Depois eu mostro as fotos.
A parte mais bacana do passeio foi conhecer a fonte dos amores, mostrada e comentada pela personagem de Denise Milfont, na novela Livre para Voar, que o seo Clóvis lembra muito bem. Foi a história de um padre e uma noviça que se embrenharam na mata para tentar viver um grande amor. Obviamente que tudo era proibido e eles acabaram morrendo. Não se sabe se foi de frio, picada de cobra ou o que o valha. No lugar onde os dois corpos foram encontrados, um tal barão que morou na cidade mandou fazer a estátua toda de mármore, uma única peça, frisou o seo Clóvis, e colocar no lugar. Por via das dúvidas, tomei a água e fiz meus pedidos.
Eba, eba... Conheci a fábrica de cristais onde foram gravadas cenas da novela. E fui apresentado ao Deusdemar. É isso mesmo. O cara é um artesão. Em exatos oito minutos, com um maçarico e um alicate, ele fez um beija-flor de cristal. Lindo. Pra gente dar para a madrinha. Na própria casa, não dá...
O fim do passeio foi numa fábrica de sabonetes medicinais, que têm água sulfurosa na composição. Magavilha de bom.
No caminho de volta, conheci a Noêmia e a Maria Vitória, mãe e filha. Elas pegaram carona com a gente na cachoeira véu das noivas. A garota tem oito anos, é do signo de capricórnio. Contou-me que dá uns sopapos nos meninos da escola, onde cursa a segunda série. Ela é resoluta, desibinida e simpática. Mudou-se para Poços de Caldas há quatro anos. A mãe é artesã, separada do pai, que já tem outros quatro filhos. Simpatia a primeira vista, sabe como? No final, a garota veio me abraçar e me dar um beijo. Eu adoro ser jornalista e ficar especulando essas coisas.
O dia terminou no tal banho de água sulfurosa. Caraca, uma delícia. Parece que tem amaciante na água, sabe como? Comprei sais de banho e relaxei como nunca havia acontecido. E reafirmei o meu sonho de consumo: ainda terei uma casa ou apartamento com banheira. A água sai da terra a uma temperatura de 46 graus. Chega à banheira com 37, 38. Fiquei tão bem que acabei tirando uma boa soneca.
Aqui em Poços de Caldas, o doce de abóbora em calda é uma delícia. Mas admito que o da Dona Alice é bem melhor.
No roteiro gastronômico, descobri o Universo da Empada. São 31 tipos, com outros 21 de vitaminas e 51 de sucos. Acreditam? Venham pra cá, urgente...
E o tal queijo de Minas? O que dizer sobre ele? E toda comida que se faz por aqui é comida mineira?
Os dias estão passando e eu estou me sentindo cada vez melhor.
Conheci o seo Clóvis. Ele me apresentou a cidade. Na mesma van estavam três casais de São Paulo. Um deles - o mais jovem - casou-se no último sábado. E a cara de quem estava trepando muito não deixava dúvidas que a lua de mel está sendo ótima. Entre os mais velhos, um casal que voltava à cidade para comemorar 40 anos de casamento. Muito bonita a harmonia entre os dois velhinhos. A mulher toda cuidadosa com o homem, já mais debilitado e com dificuldades para andar.
A primeira parada foi no recanto japonês. O lugar é uma reprodução de um jardim que existe no castelo do imperador, em Kioto, no Japão. Foi patrocinada por uma empresa que se instalou na cidade, a Mitsui. Ali, além do lago, há a fonte dos três desejos. Você pode pedir por amor, saúde e inteligência. Deve tomar um gole de cada uma das bicas, depois ficar de costas, jogar a tal moedinha e pimba. Fiz isso pensando em mim e nos meus queridos amigos.
A segunda parada foi no Cristo. Fica no ponto mais alto da região: 1.686 acima do nível do mar. De lá a gente entende a criação da cidade. Poços de Caldas foi levantada numa cratera de um vulcão que se silenciou havia quatro milhões de anos. É um lugar muito bonito, onde a gente sente mais frio. Consta que nos dias de inverno rigoroso, os termômetros chegam a cinco graus negativos.
Depois fomos para a pedra balão. Uma bobagem da natureza. Ali, ainda é região do tal vulcão. A pedra foi lançada para o alto e se equilibrou entre outras duas. Lembra o Zeppelin. Depois eu mostro as fotos.
A parte mais bacana do passeio foi conhecer a fonte dos amores, mostrada e comentada pela personagem de Denise Milfont, na novela Livre para Voar, que o seo Clóvis lembra muito bem. Foi a história de um padre e uma noviça que se embrenharam na mata para tentar viver um grande amor. Obviamente que tudo era proibido e eles acabaram morrendo. Não se sabe se foi de frio, picada de cobra ou o que o valha. No lugar onde os dois corpos foram encontrados, um tal barão que morou na cidade mandou fazer a estátua toda de mármore, uma única peça, frisou o seo Clóvis, e colocar no lugar. Por via das dúvidas, tomei a água e fiz meus pedidos.
Eba, eba... Conheci a fábrica de cristais onde foram gravadas cenas da novela. E fui apresentado ao Deusdemar. É isso mesmo. O cara é um artesão. Em exatos oito minutos, com um maçarico e um alicate, ele fez um beija-flor de cristal. Lindo. Pra gente dar para a madrinha. Na própria casa, não dá...
O fim do passeio foi numa fábrica de sabonetes medicinais, que têm água sulfurosa na composição. Magavilha de bom.
No caminho de volta, conheci a Noêmia e a Maria Vitória, mãe e filha. Elas pegaram carona com a gente na cachoeira véu das noivas. A garota tem oito anos, é do signo de capricórnio. Contou-me que dá uns sopapos nos meninos da escola, onde cursa a segunda série. Ela é resoluta, desibinida e simpática. Mudou-se para Poços de Caldas há quatro anos. A mãe é artesã, separada do pai, que já tem outros quatro filhos. Simpatia a primeira vista, sabe como? No final, a garota veio me abraçar e me dar um beijo. Eu adoro ser jornalista e ficar especulando essas coisas.
O dia terminou no tal banho de água sulfurosa. Caraca, uma delícia. Parece que tem amaciante na água, sabe como? Comprei sais de banho e relaxei como nunca havia acontecido. E reafirmei o meu sonho de consumo: ainda terei uma casa ou apartamento com banheira. A água sai da terra a uma temperatura de 46 graus. Chega à banheira com 37, 38. Fiquei tão bem que acabei tirando uma boa soneca.
Aqui em Poços de Caldas, o doce de abóbora em calda é uma delícia. Mas admito que o da Dona Alice é bem melhor.
No roteiro gastronômico, descobri o Universo da Empada. São 31 tipos, com outros 21 de vitaminas e 51 de sucos. Acreditam? Venham pra cá, urgente...
E o tal queijo de Minas? O que dizer sobre ele? E toda comida que se faz por aqui é comida mineira?
Os dias estão passando e eu estou me sentindo cada vez melhor.
Monday, July 05, 2004
Ontem quase não acreditei. Depois de tantas dúvidas, estava dentro do ônibus com destino à Poços de Caldas.
No terminal do Tietê, em São Paulo, fiz cinco minutos virarem sete. Isso porque eu precisava comprar passagem, tomar café que eu estava morrendo de fome e comprar uma revista para me fazer companhia até Minas Gerais.
Cheguei aqui perto das 13 horas e imediatamente lembrei do Beto. Fiquei curioso para saber como são os doces em calda em Poços de Caldas. A sobremesa foi isso: figo em calda, doce de goiaba em calda. Delícia.
Se a cidade não tiver mais nada de especial, além desses garotos berrando aqui ao meu lado, o hotel já vale à pena. É lindo, imenso. O carregador de malas disse que ele tem 74 anos e foi construído para abrigar um cassino. Tudo é grande. A cama de casal que eu pedi tem o dobro da minha. Dá pra fazer suruba com seis pessoas, numa boa. Dentro, ele tem grandes arcos e colunas. Na janela, várias gaiolas com tipos diferentes de pássaros. Eles alegram a chegada de qualquer um. Bem em frente, uma praça linda. Ali as pessoas param para ver o movimento.
Estranhei a quantidade de padarias e cafés que tem por aqui. Uns três a cada quadra.
Amanhã vou tomar o tão famoso banho de água sulfurosa. Estou com medo. Sei lá que tipo de reação isso pode provocar. Também quero experimentar a massagem e outro lance numa banheira. Só que recomendaram que alguém deve me vigiar. A água fica a 40 graus e a pressão pode cair. Na quarta vou conhecer a tal Fonte dos Amores. E, obviamente, farei os pedidos apropriados. Se você quiser, deixe o pedido registrado aqui que eu faço uma prece em seu nome.
Esta fonte é poderosa. Desde a novela Livre pra Voar que eu sei dela. Ah, e o hotel onde eu estou serviu de pano para uma tentativa de assassinato. Eu lembro da Helena, personagem da Dora Pelegrino, armando alguma pra cima do falecido Carlos Augusto Strazzer. E o coreto em que a ala jovem da trama se reunia será fotografado por mim amanhã.
Por enquanto vou continuar tentando uma trepada aqui nesta cidade. Torçam po mim.
No terminal do Tietê, em São Paulo, fiz cinco minutos virarem sete. Isso porque eu precisava comprar passagem, tomar café que eu estava morrendo de fome e comprar uma revista para me fazer companhia até Minas Gerais.
Cheguei aqui perto das 13 horas e imediatamente lembrei do Beto. Fiquei curioso para saber como são os doces em calda em Poços de Caldas. A sobremesa foi isso: figo em calda, doce de goiaba em calda. Delícia.
Se a cidade não tiver mais nada de especial, além desses garotos berrando aqui ao meu lado, o hotel já vale à pena. É lindo, imenso. O carregador de malas disse que ele tem 74 anos e foi construído para abrigar um cassino. Tudo é grande. A cama de casal que eu pedi tem o dobro da minha. Dá pra fazer suruba com seis pessoas, numa boa. Dentro, ele tem grandes arcos e colunas. Na janela, várias gaiolas com tipos diferentes de pássaros. Eles alegram a chegada de qualquer um. Bem em frente, uma praça linda. Ali as pessoas param para ver o movimento.
Estranhei a quantidade de padarias e cafés que tem por aqui. Uns três a cada quadra.
Amanhã vou tomar o tão famoso banho de água sulfurosa. Estou com medo. Sei lá que tipo de reação isso pode provocar. Também quero experimentar a massagem e outro lance numa banheira. Só que recomendaram que alguém deve me vigiar. A água fica a 40 graus e a pressão pode cair. Na quarta vou conhecer a tal Fonte dos Amores. E, obviamente, farei os pedidos apropriados. Se você quiser, deixe o pedido registrado aqui que eu faço uma prece em seu nome.
Esta fonte é poderosa. Desde a novela Livre pra Voar que eu sei dela. Ah, e o hotel onde eu estou serviu de pano para uma tentativa de assassinato. Eu lembro da Helena, personagem da Dora Pelegrino, armando alguma pra cima do falecido Carlos Augusto Strazzer. E o coreto em que a ala jovem da trama se reunia será fotografado por mim amanhã.
Por enquanto vou continuar tentando uma trepada aqui nesta cidade. Torçam po mim.