Aquele 22 de junho de 1991 estava muito frio. Ao contrário de todos os outros sábados, nenhum dos meus amigos se dispôs a passear de carro, dar umas bandas pela grande Rolândia. Todo mundo queria dormir mais cedo. A desculpa era o frio.
Resignado, fui pra casa e logo me deitei. Alguns minutos depois, um barulho do lado de fora me acordou. Eram meus amigos, percebi ao abrir a janela. Debaixo daquele sereno, cantavam as minhas músicas preferidas. Minha primeira serenata.
Tudo combinado com minha mãe, entraram em casa e me vedaram os olhos. Colocaram-me dentro de um carro e partiram rumo incerto. Na minha cabeça passou de tudo. O desejo mais forte era meu pai ter me comprado um carro de presente. Não era nada disso.
Levaram-me à casa do professor Waldiceu e da dona Rena. Lá, uma festa surpresa para mim. Os meus amigos de então estavam todos reunidos e, felizes, vieram me cumprimentar. Foi um dia muito feliz.
Talvez hoje não tenha serenata. Quinze anos se foram e me vejo novamente privilegiado. Olho para traz e vejo muitas conquistas. Sou um homem independente, moro bem, visto-me bem, como bem, viajo de vez em quando, me dou alguns prazeres. Tudo isso, na verdade, é pó.
Se por um acaso tudo isso me faltasse, creio que ainda seria feliz. Porque construí relações sólidas com aqueles que me cercam. Meus amigos, meu tesouro. São vocês que importam. São vocês, companheiros desta jornada, que valem a pena.
Tive-os por perto no domingo. Hoje fiquei relembrando dos bons momentos. Viver não é isso? Um pouco de água para refrescar, algum alimento que ninguém é de ferro e muito afeto para sustentar a alma.
Neste ano que começa, não quero muita coisa. Apenas fazer o melhor de mim e ter serenidade para conviver com as adversidades. E claro, continuar tendo vocês todos por perto. Sempre e todos os dias.
Para não dizer que não falei das flores, eu dedico este dia a mim, que ultimamente tenho sido muito legal comigo mesmo. Lembra-te algo, Beto?