- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Eu sou jornalista e estou fazendo uma matéria sobre a felicidade. A senhora poderia me dar uma entrevista.
- Claro, pode perguntar.
- A senhora é feliz?
- Claro que sou.
- Por quê?
- Ah, porque eu tenho saúde, tenho família, tenho casa para morar, tenho netos.
- E isso basta?
- Claro que basta. Isso é tudo.
- A senhora nunca fica triste?
- De vez em quando. Mas não fico pensando muito na tristeza. Daí eu acho que ela cansa e vai embora.
- E a felicidade, também vai embora logo?
- Não, essa não. E ela não vai porque está dentro de mim todos os dias. É só eu acordar para me sentir feliz.
- Existe um segredo par ser feliz?
- Não, apenas viver cada dia como se fosse único.
- A senhora nunca tem dúvidas sobre a felicidade?
- Nunca, nunca meu filho. Quando a tristeza começa a me rodear, logo vem um dos meus netos e fala alguma coisa que me alegra e pronto, fico feliz de novo.
- A senhora tem quantos netos?
- Quatro, todos lindos e com saúde.
- Está casada há quanto tempo?
- Trinta e seis anos, graças a Deus.
- É feliz também no casamento?
- Com certeza. A gente briga de vez em quando. Mas somos felizes, claro que somos.
- A senhora nunca tem dúvidas?
- Nunca. O nosso amor é vivido todos os dias. Ele me respeita, me abraça, me beija. O que a gente precisa mais?
- Falta algo?
- Não falta nada. As pessoas vivem se iludindo, achando que é possível ser mais feliz. Não é. Basta a gente perceber tudo o que está ao lado, nem mais, nem menos, nem maior, nem menor. O amor, a felicidade tem a medida exata de cada um, para cada um. Basta viver cada dia com intensidade que isso basta.
- Posso dar um abraço na senhora.
- Claro que pode.
- Obrigado pela entrevista.
- Obrigada você. E seja muito feliz!
Publicado em 14 de junho de 2004 às 13:02 por joao