TÊMPERA, o blog do João Bernardo

Por um pouco de comunhão

No último sábado fui assistir “Diários de Motocicleta”. O filme me colocou em pleno êxtase. Por tudo que a película representa e mais ainda pelo que provocou em mim. Saí da sala e liguei pro Beto. Precisava falar com ele. Hoje fui ver o filme novamente, acompanhado de um grande amigo, Apoloni. De novo as mesmas sensações.

A principal delas é que a gente deve acreditar sempre no homem. Se por um lado há os bandidos de sempre, de outro há gente muito boa, disposta a entregas, crentes de que tudo pode ser melhor, provam a solidariedade com a força da alma. Essas pessoas fazem toda a diferença.

Felizmente, alguns privilegiados têm a oportunidade de cruzar com elas uma, duas, três vezes. Sempre que penso nisso, agradeço à vida. E principalmente pelos presentes que ela sempre me oferece, sem nunca pedir nada em troca. É assim com o Beto. Com a Raquel. Com o Carlos, a Janaína. Foi assim com o Adilson. A Renata. A Christiane. Será assim com muitos outros que virão. Foi assim com muitos que passaram.

Quando as conversas com amigos evoluem para além do trivial, percebe-se que ficamos perdidos em vários momentos. Talvez porque negamos sempre o melhor que a vida nos dá aqui e agora. Talvez porque imaginamos que há algo melhor nos esperando. Enquanto isso, deixamos de aceitar a dádiva. Sim, a dádiva.

Até quando vamos esperar para valorizar a comunhão? Até quando deixaremos para depois o inevitável? Sim. Porque algum dia, em algum lugar, haveremos de nos encontrar conosco. E só dependerá de nós, fazer desta a mais amarga de nossas horas. Ou nosso momento maior.

Se eu encontro esse cidadão na minha frente, eu chamo os meus melhores amigos pra gente ter uma conversa bem franca com ele. Ah, chamo!

Publicado em 03 de junho de 2004 às 23:30 por joao

Comentários

    • Minha nossa! Não me esqueça. Maravilhoso!!!...

      Ed, é preciso aceitar as pessoas. A felicidade vem, mas sabe ela esta muito feia para mim. A felicidade vem, mas está muito baixinha. A felicidade vem, mas está fora do peso. A felicidade está aqui, agora, na minha frente mas... Eu estou com meus olhos ocupados com a minha idealização de felicidade.

      Tenha uma boa Sexta-feira
      Te adoro...
      BEIJÓCAS
    • por Thaís Souza
    • 04.Jun.2004 às 02:52 - Permalink - Reportar
    Thaís Souza
    • Xiii, acho que perdi o sono...
    • por Thaís Souza
    • 04.Jun.2004 às 02:53 - Permalink - Reportar
    Thaís Souza
    • Sinto-me privilegiada e agradecida por ter um amigo como você.
      Abraços
    • por Patty
    • 04.Jun.2004 às 03:58 - Permalink - Reportar
    Patty
  1. wjcoelho
    • essa história de acreditar nas pessoas me fez lembrar a frase que vc escreveu no post sobre seu pai esses dias: “Acreditamos sim que as pessoas são boas e corretas por princípio. Quebramos a cara, óbvio, mas não perdemos a fé.”
    • por zero
    • 04.Jun.2004 às 10:14 - Permalink - Reportar
    zero
    • “Somewhere over the raibown”...

      Só vc para me trazer um pouco de acordes alegres no meio da tarde. É por esta e outras que eu amo vc.
    • por Janaína, a Ávila
    • 04.Jun.2004 às 10:53 - Permalink - Reportar
    Janaína, a Ávila
    • “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Frase sempre presente em posters de repúblicas, ao lado de Elises e Chaplins, ou em camisetas de universitários, de tão onipresente, deixou de dizer o que pensava Ernesto e passou a ser um símbolo, um mantra, um código grupal: “aqui está um estudante de (às vezes pretensa) esquerda!”. Ao assistir o filme, fiquei grata por entender e, mais que isso, sentir o que aquele moço quis dizer quando falou em ternura. Fui tomada pela beleza do amor pelo próximo, sem pieguices. Comovida por ver como começou a revolução - dentro dele.
    • por ester_
    • 11.Jun.2004 às 10:35 - Permalink - Reportar
    ester_
    • “Eu também sou vitima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque a gente não pode desistir da vida.” M.L>K>

      Pois é, meu amigo, são tantos desencontros, tantos “nãos”, que a gente acaba aprendendo assim, achando que pouco é possivel, e se esquece que a vida, as vezes, pode ser boa. A minha, por ter você. Amo-te.
    • por Raquel Rodrigues
    • 13.Jun.2004 às 20:23 - Permalink - Reportar
    Raquel Rodrigues
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