Foi só abrir os olhos para Alcides perceber quanto tempo se passara. Na verdade não era muito, mas como foi uma surpresa, parecia eternidade. O tempo nublado, com uma garoa fina também não ajudava muito. Viu-se ali, demorou alguns minutos para entender onde estava. Olhava para frente e não enxergava quase nada. A garrafa caiu debaixo do braço e então se deu conta: estava bêbado. A quem passava, dizia palavras desconexas, talvez insensatas. Tudo era turvo. Com o pouco de forças que lhe restava conseguiu se levantar. Saiu debaixo da árvore ainda meio confuso. Cambaleou e desceu o meio fio. Bastou para que fosse atingido em cheio por uma camioneta. O rapaz que a dirigia não fez sequer sinal de que prestaria socorro. Sangue por todo o lado, a garrafa de pinga ali, intacta. Pediram ajuda, veio rápida. A primeira pergunta foi básica: - alguém conhece o morto. Silêncio geral, apenas acenos com a cabeça. Ninguém conhecia Alcides. No bolso, nenhum documento, exceto um bilhete amassado e sujo. “Vou embora. Você não é mais o meu bem.” Alaíde
Publicado em 25 de maio de 2004 às 16:32 por joao