A semana após a entrega das notas é sempre um martírio para professores como eu. Os alunos começam aquela choradeira que exige uma paciência de Jó. O pior é a galera que se acha super, mega, ultra inteligente. Não dominam nem a concordância verbal e nominal e vêm falar de estilo entre outras pérolas. Esta semana foi difícil.
O hábito de dizer algumas verdades de maneira bem clara e objetiva, óbvio, me deixa exposto da pior maneira possível. E isso me faz um mal danado. Opila o fígado, embrulha o estômago.
Tive algumas conversas difíceis esta semana. Ontem foi uma delas. Papo franco, olho no olho, eis que o aluno se levanta e vem em minha direção. Clima tenso, eu cerro os punhos. Sim, porque já avisei a coordenação: se algum aluno partir pra agressão física, o titio aqui vai aproveitar todos os conhecimentos adquiridos no Body Combat. Definitivamente não tenho vocação para Jesus Cisto.
Bom, o ar pesado, o aluno caminhando passos lentos. Eu olho-o nos olhos e me levanto. Alguém avisa num sussuro: - ele está armado. O tal continua firme, os minutos parecem intermináveis. Ele puxa uma arma, um revólver. Era verdade. Admito que gelei. Era tudo ou nada, ele engatilha. Os demais alunos todos imóveis, a arma apontada para mim. Não houve palavra alguma.
Finalmente acordei. Amanhã vou contar este pesadelo na terapia. O pior é quase ter certeza do que ela vai me dizer.
Publicado em 06 de maio de 2004 às 22:01 por joao