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Tuesday, May 25, 2004
Foi só abrir os olhos para Alcides perceber quanto tempo se passara. Na verdade não era muito, mas como foi uma surpresa, parecia eternidade. O tempo nublado, com uma garoa fina também não ajudava muito. Viu-se ali, demorou alguns minutos para entender onde estava. Olhava para frente e não enxergava quase nada. A garrafa caiu debaixo do braço e então se deu conta: estava bêbado. A quem passava, dizia palavras desconexas, talvez insensatas. Tudo era turvo. Com o pouco de forças que lhe restava conseguiu se levantar. Saiu debaixo da árvore ainda meio confuso. Cambaleou e desceu o meio fio. Bastou para que fosse atingido em cheio por uma camioneta. O rapaz que a dirigia não fez sequer sinal de que prestaria socorro. Sangue por todo o lado, a garrafa de pinga ali, intacta. Pediram ajuda, veio rápida. A primeira pergunta foi básica: - alguém conhece o morto. Silêncio geral, apenas acenos com a cabeça. Ninguém conhecia Alcides. No bolso, nenhum documento, exceto um bilhete amassado e sujo. “Vou embora. Você não é mais o meu bem.” Alaíde
Saturday, May 22, 2004
Peculiar este título. Primeiro porque eu gosto muito da música, Amanhã é 23, do Kid Abelha, que embalou os dramas de Glorinha da Abolição, personagem da Malu Mader na novela O Outro. Segundo, e muito mais significativo, é a data. Amanhã meu pai faria 74 anos de idade.
Datas como esta mexem comigo. Não que em outros dias a lembrança dele se apaga. Nada disso. Primeiro o aniversário dele, depois o meu, depois o Dia dos Pais, depois o aniversário de morte. Pai tem um papel fundamental. O meu, nem se fala.
Na minha memória, sempre existe a mão firme dele. Mão que me levava para os lugares, mão que me tranqüilizava na hora de dormir, mão que me formou, mão que me trouxe aquilo que um homem pode e deve ter de melhor: o caráter.
Comecei a trabalhar muito cedo. E foi dele a “ordem” para que eu procurasse emprego sozinho, sem ajuda de ninguém. Ainda que para ser um office boy. Na época achei ruim. Hoje eu compreendo. Em determinadas ocasiões, é preciso enfrentar o desafio sozinho. Fui, vi, venci.
Nas andanças por uma ocupação, fiquei sabendo que precisavam de alguém no Banco do Brasil. Fui lá, descobri que haveria um concurso, fiz a inscrição. Modéstia à parte, fui muito bem na prova. Meu pai, eu soube depois, recorreu a um amigo que era correntista da agência. Pediu que ele dissesse ao gerente que eu era um bom menino. “Não precisou”, ele me diria mais tarde. “Você foi muito bem na prova”.
Este é um dos muitos exemplos da afeição do meu pai por mim. Creio que na minha essência, está um pouco da ingenuidade dele. Acreditamos sim que as pessoas são boas e corretas por princípio. Quebramos a cara, óbvio, mas não perdemos a fé.
O seo João era engraçado. Certa vez, vi-o esconder o rosto para chorar. Não compreendi exatamente o que se passara. Mas era algo que lhe afligia, que lhe tirava a esperança na vida, em tudo. Os meus sobrinhos, os amigos da escola, sempre eram bem vindos.
Meu pai fazia questão de receber o ósculo. E eu sempre tive o maior orgulho de chegar a ele e dizer: - A paz de Deus, pai. Ato contínuo, beijo no rosto. A gente fazia isso, em qualquer lugar que se encontrasse. Meus amigos, Keno, Juliano, Jonas, achavam bonito, tinham inveja. Meu pai, então, não se fez de rogado. Passou a beijá-los também.
Todas essas palavras podem parecer bobagem, saudosismo tolo. Não é. Gosto de imaginar que o meu pai está por aí, sendo feliz, olhando por mim como sempre fez. Dando-me a mão, afagando-me a cabeça, beijando o meu rosto.
Thursday, May 20, 2004
Como a gente sabe exatamente que está apaixonado por alguém?
a) Quando se flagra pensando na pessoa no meio da tarde?
b) Quando você faz planos incluindo a tal pessoa?
c) Quando você ouve uma música e imediatamente lembra dela?
d) Quando você pensa em beijos, abraços, carinho, mas não consegue bater uma punheta para ela com medo de ser despudorado?
e) Quando você transa com alguém e logo depois de gozar, deseja que a pessoa em questão simplesmente desintegre da sua frente?
f) Quando você transa com alguém, mas fica pensando na tal pessoa o tempo todo?
g) Quando você fica tendo idéias mirabolantes e ridículas, tipo uma “loucura” de amor?
h) Quando você imagina as roupas íntimas que a pessoa usa?
i) Quando você fica pensando como é o rosto da tal pessoa na hora de acordar?
j) Quando o coração dispara toda vez que o telefone toca, torcendo para que seja a pessoa?
k) Quando você não vê a hora de abrir o outlook para checar se tem uma mensagem da pessoa?
l) Quando você fica rolando na cama, pensando que aquele espaço enorme ao seu lado poderia estar ocupado por ela?
m) Quando o coração exulta de alegria se aquela ligação é realmente dela?
n) Quando ela te fala palavras gentis, ainda que sem lhe dar grandes esperanças?
o) Quando a pessoa sorri ao telefone e para você parece uma gargalhada?
p) Quando você deseja que o tempo voe para que a próxima ligação ou encontro se concretize?
q) Quando você vai ao supermercado e compra as bolachas que a pessoa mais gosta?
r) Quando você vai comer um pão de mel no Mister Cuca e leva algumas trufas para esta pessoa?
s) Quando você ouve uma música do Fábio Jr. e se emociona?
t) Quando você fica tolerante com a loira que pára em fila dupla e atrapalha todo o trânsito num dia de chuva em Londrina?
u) Quando você suporta um aluno falar um monte de besteira, não fica bravo e ainda acha graça da ingenuidade?
v) Quando você sente um pouco, mas só um pouquinho, de culpa, por achar outras pessoas bonitas?
w) Quando o sexo pelo sexo parece não ter mais graça nenhuma?
x) Quando você liga para o melhor amigo para dividir este fato novo, já que o peito parece querer explodir?
y) Quando mesmo diante da possibilidade do romance ficar apenas no platônico, você se sente feliz por mais uma vez ter se interessado por alguém legal?
z) Quando você olha pra pessoa e pensa que sim, é ela, ou melhor, é ele, o amor, que talvez surja, que talvez dure, que talvez seja para sempre, que talvez seja capaz daquela tão sonhada redenção?
Tuesday, May 18, 2004
Dia desses estava rindo à toa. Percebi quando uma mulher no carro ao lado ria de mim. Sim, tenho a impressão que estava estampado no meu rosto. Eu tenho visto a vida melhor por esses dias. Não sei onde vai dar, se é que vai dar em algum lugar. Estou curtindo. Estou vivo.
Wednesday, May 12, 2004
Sexta-feira resolvi almoçar com a minha mãe, já que fui à Rolândia resolver uma pendenga comercial e fazer terapia. À mesa, ela começou me contar uma história:
- Filho, sabe o que a fisioterapêutica (sic) me perguntou ontem?
- O que?
- Se era verdade que eu tive derrame cerebral.
- De onde ela veio com isso?
- A dona da academia contou pra ela. Ela duvidou porque eu não tenho nenhuma seqüela.
- E eu já sei o que a senhora disse pra ela.
- O que?
- Que Deus curou a senhora. *
- É isso mesmo. Ela ficou emocionada com a história. Disse que quer vir aqui em casa para eu contar a minha vida pra ela.
- E a senhora acha isso bom?
- Acho. Ela falou para eu escrever um livro. Mas como eu não sei escrever, ela sugeriu que um filho fizesse isso.
- E este filho, no caso, sou eu?
- Sim.
- Eu posso até escrever. Mas a senhora vai ter que me contar em detalhes como foi o namoro com o pai.
- Pra que?
- As pessoas gostam de romance. Quanto tempo vocês namoraram?
- Uns três anos.
- E como era o namoro?
- Que namoro? A gente só ficava se olhando de longe. Em três anos, nunca nem pegamos na mão.
- Mas como foi isso então? Ficaram nesse lenga-lenga, daí chegou o dia e casaram?
- É, mais ou menos...
- Como assim?
- Bem, na verdade a gente deu um beijo. Faltava uma semana para o casamento.
- E como foi o beijo? Foi do tipo Tarcísio Meira ou tipo Darlene e Vladimir na novela das oito?
- Ah, foi um beijo, sei lá como é isso.
- A minha dúvida é: foi beijo selinho, desse que eu dou na senhora ou foi de boca aberta?
- Boca aberta, claro!
* Esta história aconteceu quando eu tinha três anos de idade. Até hoje é claro na minha memória o dia que minha mãe passou mal com o derrame e foi levada para o hospital. Era madrugada, quase amanhecendo. Fomos acordados pelas dores dela e pedimos ajuda. Até a ambulância chegar, passaram algumas horas. Eu me recordo dela sendo colocada na maca, amarrada pelos enfermeiros para não cair. Eu, a Madalena e a Lalda, minhas irmãs, ficamos no portão dando tchau para o veículo. Foram dias intermináveis. Por causa da idade, não permitiam que eu a visitasse. Em todo o tempo que ela ficou internada, fui ao hospital apenas uma vez. A dona Alice sempre conta que num determinado dia, depois de ser desenganada pelos médicos, um anjo apareceu no quarto. Ele disse algumas palavras e tocou a minha mãe. Primeiro do lado esquerdo, depois o direito. À medida que a mão do anjo passava pelo corpo, as dores e a paralisia iam embora. Foi assim que ela ficou boa e teve alta. Sem nenhuma seqüela, nem sinal desse problema tão desagradável. Passei a infância ouvindo esta e outras histórias de milagres. Numa família de evangélicos, sempre foram o mote de diversas conversas. Vale um livro?
- Filho, sabe o que a fisioterapêutica (sic) me perguntou ontem?
- O que?
- Se era verdade que eu tive derrame cerebral.
- De onde ela veio com isso?
- A dona da academia contou pra ela. Ela duvidou porque eu não tenho nenhuma seqüela.
- E eu já sei o que a senhora disse pra ela.
- O que?
- Que Deus curou a senhora. *
- É isso mesmo. Ela ficou emocionada com a história. Disse que quer vir aqui em casa para eu contar a minha vida pra ela.
- E a senhora acha isso bom?
- Acho. Ela falou para eu escrever um livro. Mas como eu não sei escrever, ela sugeriu que um filho fizesse isso.
- E este filho, no caso, sou eu?
- Sim.
- Eu posso até escrever. Mas a senhora vai ter que me contar em detalhes como foi o namoro com o pai.
- Pra que?
- As pessoas gostam de romance. Quanto tempo vocês namoraram?
- Uns três anos.
- E como era o namoro?
- Que namoro? A gente só ficava se olhando de longe. Em três anos, nunca nem pegamos na mão.
- Mas como foi isso então? Ficaram nesse lenga-lenga, daí chegou o dia e casaram?
- É, mais ou menos...
- Como assim?
- Bem, na verdade a gente deu um beijo. Faltava uma semana para o casamento.
- E como foi o beijo? Foi do tipo Tarcísio Meira ou tipo Darlene e Vladimir na novela das oito?
- Ah, foi um beijo, sei lá como é isso.
- A minha dúvida é: foi beijo selinho, desse que eu dou na senhora ou foi de boca aberta?
- Boca aberta, claro!
* Esta história aconteceu quando eu tinha três anos de idade. Até hoje é claro na minha memória o dia que minha mãe passou mal com o derrame e foi levada para o hospital. Era madrugada, quase amanhecendo. Fomos acordados pelas dores dela e pedimos ajuda. Até a ambulância chegar, passaram algumas horas. Eu me recordo dela sendo colocada na maca, amarrada pelos enfermeiros para não cair. Eu, a Madalena e a Lalda, minhas irmãs, ficamos no portão dando tchau para o veículo. Foram dias intermináveis. Por causa da idade, não permitiam que eu a visitasse. Em todo o tempo que ela ficou internada, fui ao hospital apenas uma vez. A dona Alice sempre conta que num determinado dia, depois de ser desenganada pelos médicos, um anjo apareceu no quarto. Ele disse algumas palavras e tocou a minha mãe. Primeiro do lado esquerdo, depois o direito. À medida que a mão do anjo passava pelo corpo, as dores e a paralisia iam embora. Foi assim que ela ficou boa e teve alta. Sem nenhuma seqüela, nem sinal desse problema tão desagradável. Passei a infância ouvindo esta e outras histórias de milagres. Numa família de evangélicos, sempre foram o mote de diversas conversas. Vale um livro?
Thursday, May 06, 2004
A semana após a entrega das notas é sempre um martírio para professores como eu. Os alunos começam aquela choradeira que exige uma paciência de Jó. O pior é a galera que se acha super, mega, ultra inteligente. Não dominam nem a concordância verbal e nominal e vêm falar de estilo entre outras pérolas. Esta semana foi difícil.
O hábito de dizer algumas verdades de maneira bem clara e objetiva, óbvio, me deixa exposto da pior maneira possível. E isso me faz um mal danado. Opila o fígado, embrulha o estômago.
Tive algumas conversas difíceis esta semana. Ontem foi uma delas. Papo franco, olho no olho, eis que o aluno se levanta e vem em minha direção. Clima tenso, eu cerro os punhos. Sim, porque já avisei a coordenação: se algum aluno partir pra agressão física, o titio aqui vai aproveitar todos os conhecimentos adquiridos no Body Combat. Definitivamente não tenho vocação para Jesus Cisto.
Bom, o ar pesado, o aluno caminhando passos lentos. Eu olho-o nos olhos e me levanto. Alguém avisa num sussuro: - ele está armado. O tal continua firme, os minutos parecem intermináveis. Ele puxa uma arma, um revólver. Era verdade. Admito que gelei. Era tudo ou nada, ele engatilha. Os demais alunos todos imóveis, a arma apontada para mim. Não houve palavra alguma.
Finalmente acordei. Amanhã vou contar este pesadelo na terapia. O pior é quase ter certeza do que ela vai me dizer.
Wednesday, May 05, 2004
Eu aposto uma laranja lima que foi o Salvador, o pai do Fernando, vivido pelo ator Roberto Bonfim. Ele foi ao escritório do poderoso empresário, discutiram por causa do filho e do neto. O Inácio choramingou alguma coisa por conta da espinafrada que Lineu deu em Darlene. Pronto. Os ânimos se exaltaram, o produtor de cinema foi ofendido e, em defesa da honra da família, o crime foi cometido.
Gilberto Braga, o autor de Celebridade, costuma surpreender no quesito assassino. Lembram de Vale Tudo? Labirinto? A Força do Desejo? O assassino é sempre o menos óbvio de todos eles. Quando eu pego a laranja?
Tuesday, May 04, 2004
Eu já estava meio encasquetado com profunda pergunta feita pelo Zero:
“Será que o Paulão Nakaoka se reelege em Tamarana?”
Mas sábado, ou melhor, domingo tipo cinco da matina, tudo mudou e de maneira muito brusca. A questão agora, de suma importância para o país, registre-se, é:
“O que fazia Erik Marmo no Pátio San Miguel, às cinco da manhã, em Londrina?”
Nenhum evento, nenhuma peça de teatro. Será que ele veio participar de algum baile de debutante? Gravar um comercial? A avó dele mora aqui? Pra quem não sabe, a família da Narjara Tureta tem raízes bem fincadas nesse chão vermelho. A Letícia Spiller também. A Maria Fernanda Cândido idem. Isso pra ficar nos televisivos.
Talvez a resposta mais apropriada tenha sido dada pelo Guilherme, lá mesmo, de bate pronto. A discrição, entretanto, impede-me de colocar aqui tão sutis palavras. Se o Gui quiser gritar para todo mundo ouvir, fique à vontade para comentar
Bom, pra encerrar só gostaria de acrescentar que o galã continua bem feio. Um monstro. Daqueles que espanta qualquer um. Acredite.
Posso mandar beijo na bunda de todos? Lá vai: beijo na bunda galera!
PS: Descobri na sexta-feira que o pão de mel trufado do Mister Cuca é dos deuses.
“Será que o Paulão Nakaoka se reelege em Tamarana?”
Mas sábado, ou melhor, domingo tipo cinco da matina, tudo mudou e de maneira muito brusca. A questão agora, de suma importância para o país, registre-se, é:
“O que fazia Erik Marmo no Pátio San Miguel, às cinco da manhã, em Londrina?”
Nenhum evento, nenhuma peça de teatro. Será que ele veio participar de algum baile de debutante? Gravar um comercial? A avó dele mora aqui? Pra quem não sabe, a família da Narjara Tureta tem raízes bem fincadas nesse chão vermelho. A Letícia Spiller também. A Maria Fernanda Cândido idem. Isso pra ficar nos televisivos.
Talvez a resposta mais apropriada tenha sido dada pelo Guilherme, lá mesmo, de bate pronto. A discrição, entretanto, impede-me de colocar aqui tão sutis palavras. Se o Gui quiser gritar para todo mundo ouvir, fique à vontade para comentar
Bom, pra encerrar só gostaria de acrescentar que o galã continua bem feio. Um monstro. Daqueles que espanta qualquer um. Acredite.
Posso mandar beijo na bunda de todos? Lá vai: beijo na bunda galera!
PS: Descobri na sexta-feira que o pão de mel trufado do Mister Cuca é dos deuses.