Estou descobrindo partes do elefante que existe em mim. Em alguns momentos ele se chama raiva, depois angústia, às vezes desejo, quem sabe luxúria, putaria. Isto, na verdade, significa um encontro comigo mesmo. E confesso estar com medo donde isso pode dar.
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Dia desses me chamaram de gato. Eu fiquei feliz, mas ri. Muito. É que nunca tinha me ocorrido. Disseram que eu era interessante, charmoso, gostoso. Mas gato, nunca. Por isso o espanto. A terapeuta disse que eu não reconheço isso. Por isso soa estranho. Fico repetindo: gato, gato, gato. Mas nada de fazer eco.
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Alguns me acham chato também. Eu acho que sou correto, digo verdades. Claro! Cria incômodos.
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Relações triangulares têm algum charme também. E não são nada descartáveis.
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“Nós somos honestos, fazemos as coisas certas. Por isso precisamos ter as melhores chances.” A fala apareceu na sexta reportagem sobre o mapa do emprego, que o Jornal da Globo está exibindo às terças-feiras. Eu fiquei comovido. É que o elefante nefasto que está me rodeando me impede, às vezes, de acreditar que este mundo ainda tenha jeito. Mas quando percebo que não estou só nas minhas crenças, sinto um alívio danado.
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Hoje chegou parte do mobiliário da sala. Bonito. Bem bonito.
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Por que você não veio ficar comigo?