Este é um post que eu gostaria de não escrever. Mas acho necessário. Hoje é domingo. Pode ser o primeiro dia da nova semana. Ou o último daquela que foi bem difícil de passar.
Terça-feira, feliz por já habitar minha casa nova, chego à escola de natação. No estacionamento percebo que falta um carro. Adentro no barracão e, imediatamente, pergunto pelo Vézio, o professor. A resposta foi curta: – Ele não está mais com a gente. Ele faleceu!
As pernas bambearam, fiquei atônito, gelado, ouvindo palavra por palavra. O homem que me ensinou a nadar teve um aneurisma. Morreu subitamente, sem chance alguma de socorro. E a direção da escola tentou me avisar, mas só tinham o número do celular. Resultado: fazia uma semana que ele fora enterrado.
Depois de ouvir o relato, ainda tive forças para nadar. Livre, sem aula preparada. Entre uma braçada e hoje, senti uma tristeza profunda. Como alguém de 40 anos pode morrer, assim, tão repentinamente?
O Vézio era um homem muito legal. Sabe aquele tipo de pessoa que a gente sente que gosta de você? Era assim todo dia. Sempre de bem com a vida, me recebia com afeto, sempre com a aula pronta, exigindo mais do desempenho físico. Quando percebia que algo não estava bem comigo, perguntava se eu queria nadar livre. Conversávamos muito.
O mais interessante era encontrá-lo fora da escola. Ele dava aquele abraço que melhora o dia, sabe como? Abraço apertado, frente a frente, sem vergonha de demonstração pública de afeto. O fato é que o Vézio fará muita falta. Não tem sido a mesma coisa voltar lá e dar uma, duas, vinte, quarenta, quarenta e cinco voltas.
No dia que soube, fiquei pasmo com a nossa mais completa e absurda finitude. A qualquer momento um de nós pode partir sem qualquer explicação. E isso pode ser muito, muito dolorido. À noite, liguei pro Beto. Queria reafirmar o meu amor por ele. Eu acho isso importante. Não que eu tenha medo de morrer, nada disso. Mas não gosto de deixar as coisas pendentes. Nem esconder os meus sentimentos
Quando eu gosto, preciso dizer que gosto. Mostrar que gosto. O meu afeto é assim. Precisa ser compartilhado. O contrário também é verdadeiro. Fiquei chocado quando uma aluna foi seca comigo: - O senhor não gosta de mim, né professor? – Eu? Imagina. – Não, o senhor não gosta. O senhor me trata diferente de todos os outros alunos da turma. Fiquei mudo. Ela tinha razão.
Ser sincero nas emoções, às vezes pode provocar esse mal estar. Mas prefiro que seja assim. É verdadeiro, honesto. E a vida é muito, muito curta para perdermos tempo com bobagens. Esta nossa passagem por este planeta tem, certamente, uma razão. E esta razão precisa estar, invariavelmente, circundada de afeto, muito afeto. É só por isso que tudo vale a pena.
É só isso.
Beijinhos,