“Por muito tempo achei que a
ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento
exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência
assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
Foi este o texto que veio impresso no forro de mesa que usamos ontem na despedida dos coordenadores demitidos na faculdade onde eu leciono. Pensei, puxa, como acertaram! Esta semana concedi entrevista a uma aluna que produz uma matéria sobre literatura. E falei do Drummond. Certamente cairei em clichê, mas ele é simplesmente o máximo.
E é com ele que faço uma pequena pausa neste blog. Ficarei sem internet até pelo menos dia 23. E se tudo estiver dentro dos conformes, hoje será minha última noite em Rolândia. Amanhã, provavelmente dormirei no meu apartamento. É uma sensação de imensa satisfação, contentamento.
O lado ruim é ficar sem o bolo de cenoura da minha mãe, o lanche que ela prepara todos os dias para mim. Também não ouvirei mais o terno “vá com Deus, meu filho”. Incomoda-me um pouco ficar sem a presença dela. Até mesmo a sufocante curiosidade que só a Dona Alice tem. Mas... c’est la vie! Essas rupturas, mesmo pra uma vida que se mostra nova, encantadora, dão um pouco de tristeza, de nostalgia. E eu, que ando me emocionando até com a Maria Clara Diniz, certamente vou derramar algumas boas lágrimas. Ainda bem que estas, pelo menos, são de pura felicidade.
Publicado em 18 de março de 2004 às 10:14 por joao
Como foi no Tomate Seco ontem? Parecia estar agradável, só com pessoas legais. Estou certa? Pena que não pude ficar.
Bom dia pra vc!