Hoje eu estou muito triste. E é um sentimento diferente. Ele é mais discreto, talvez mais dolorido, porém intenso. Tomou conta do meu dia. Eu corri atrás de muitas pendências durante o dia. Mas volta e meia, a tristeza voltava e se instalava. Mesmo depois de visitar o meu médico da alma, nada mudou. Aliás, não falei sobre o assunto com ele.
Ontem ocorreu algo muito chato com uma pessoa que eu prezo afetiva e intelectualmente. Esta pessoa foi demitida. Não, não se espante. Você já vai entender. Eu sempre digo que as pessoas não têm um emprego. Geralmente elas estão com alguma ocupação remunerada. O dono do emprego, óbvio, é a empresa. Que dispõe da vaga como melhor lhe convier. Mas isso não significa que o lado mais fraco, o empregado, precise ser humilhado. Respeito é algo que todo mundo merece.
Faltou pouco para que esta minha amiga fosse execrada em praça pública. Os “subordinados” a ela ficaram sabendo antes da própria. Já imaginou a cena? As pessoas procurando-a, ela resolvendo, decidindo num momento que todo mundo já sabia que, de fato, ela não “respondia” mais por nada. Isso é muito feio.
Para o bem e para o mal, não sou dissimulado. Não consigo fingir meus sentimentos. Costumo ser muito franco e honesto com as pessoas. Muitas delas não entendem. Mas eu prefiro que seja assim. Não gosto de bajulação, falsas palavras, afeto por conveniência. No período em que assumi a gerência no Banco do Brasil, jamais menti para um funcionário. “Você vai me disponibilizar para a direção geral? (isso ocorreu quando houve aquele plano de demissão voluntária). “Não agora. Você será a minha terceira indicação. Isso deve ocorrer daqui a três meses. Se neste período você conseguir vaga em alguma outra agência, eu te libero imediatamente”. Falar a verdade parece que dói muito. Mas creia: pior é descobrir uma mentira. Ciente da verdade, a pessoa assume as rédeas da situação naquilo que lhe cabe. É mais simples viver assim.
O pior de toda essa situação é perceber-se, momentaneamente, impotente para ajudar. Já demonstrei minha solidariedade. Mas sei que isso não basta. O ideal – sempre essa droga de ideal que a gente nunca atinge – seria nos unirmos e darmos um basta nesta situação. Mas o real, neste momento, fala mais forte. Há muitas, muitas contas a serem pagas. E dinheiro insuficiente para tal. Esta é a mais crua e dura verdade.
Publicado em 11 de março de 2004 às 23:49 por joao