Mal acordou e Alfredo percebeu que estava de pau duro. Enquanto se espreguiçava, tentava lembrar do sonho que tivera. Procura vã para uma explicação. Pegou no membro, sacolejou, ameaçou uma punheta. Que nada. O dever o chamava.
Tomou banho, de novo uma tentativa de gozar, outra vez abandona a “tarefa”. O dia seria difícil. Planejava pregar a palavra de Deus aos transeuntes do Calçadão. Sentiu um calafrio por pensamentos tão díspares. Mas ainda assim evitou o prazer momentâneo.
Deu um beijo na mulher e nos dois filhos. Bíblia na mão, acenou para o ônibus lotado. Em pé, sentiu de novo o pau endurecer. E pensava no preço da passagem, na palavra de Deus, na mãe doente numa cama, nas contas que venceriam no dia seguinte. Nada adiantava. Sentiu um frio na espinha quando o pensamento lhe traiu. Lembrou de um amigo que não encontrava havia dias. Tentou disfarçar e acalmou-se antes de chegar no final da linha.
Sol escaldante, muita gente passando. Anunciava aos quatro cantos que o dia final estava próximo, que era preciso se libertar das amarras do mundo, encontrar Jesus, o Salvador, ouvir, seguir e temer as palavras do filho de Deus. Gaguejava às vezes, quando o pensamento lhe traía e mais uma vez viu a face do amigo. Foram duas horas, alternando entre o pau duro, o pensamento perdido, e palavras que acreditava poderiam salvar algumas almas.
Comeu um pastel engordurado. Precisou lavar as mãos com sabonete para enfrentar a fila no banco. Pagou as contas. Não tinha mais compromissos aquele dia. Chupou uma casquinha de chocolate. Novamente o desejo voltou. O amigo se fazia lembrar, de novo.
De súbito, estava ao telefone.
- Oi.
- Está fazendo o que agora?
- Terminando um trabalho.
- Eu preciso ver você.
- Eu só posso à noite.
- Não pode agora?
- Não.
- Estou com tesão.
- Só depois das seis horas.
Ele tentou fazer o tempo passar mais rápido. Ainda voltou a pregar a palavra divina, tentando arrebatar algumas ovelhas para o reino do Pai. No meio da prelação, parava alguém e perguntava as horas. Pareciam intermináveis.
Seis da tarde, de novo ao telefone. O amigo passou de carro e pegou-lhe ali mesmo, em frente ao coreto. Foram direto para um motel. Chegando lá, ele que sempre preferiu o papel de “ativo”, caiu de boca no pau do amigo. Parecia desesperado. A transa, que já acontecera muitas outras vezes, foi especialmente diferente. O evangélico não quis comer o amigo, como de costume. Precisava sugar aquele cacete, que sempre considerou grande, desejou em cada um dos encontros, mas até então não tivera coragem de chupá-lo. O amigo estranhou, mas ficou quieto e deixou-se usar.
- Goze pra mim, pediu Alfredo.
- Na sua boca?
- Não. Quero ver a porra na sua barriga. Goze pra mim.
- Gozo, gozo sim.
Ficaram se pegando por alguns minutos. Alfredo quase beijou a boca do amigo, mas foi barrado pelo pudor evangélico. O amigo gozou bastante, já que a situação era pra lá de inusitada. Por um momento, Alfredo lembrou da esposa, dos filhos. Mas não resistiu à cena. Lambeu cada gota do esperma do amigo. Vestiu a roupa e pediu pra irem embora em silêncio.
Publicado em 07 de março de 2004 às 23:27 por joao