Ontem tive um arroubo consumista. Entrei na Americanas do Centro para comprar um cd naquela promoção de R$ 9,99. É que eu tenho uma coletânea da Sade, cujas músicas 07 e 08 estão “emperrando”. Precinho barato, por que não aproveitar? Bem, o problema é que não fiquei apenas neste mimo. Quis também o penúltimo lançamento do Rod Stweart, aquele que tem o tema o Théo e da Helena em Mulheres Apaixonadas. Olho para o vendedor e pergunto se dividem no cartão sem juros. – Compras acima de R$ 150,00 a gente parcela em até 10 vezes. – Sem juros? – Sim, sem juros.
Olhei para a esquerda e a caixa com a quarta temporada de Sex and the City pulou nos meus braços. À direita, a Malu Mader e o Felipe Camargo lembraram os Anos Dourados e imploraram pra serem levados pra minha casa, lá em Rolândia, onde divido o teto com minha mãe a dona Alice. Lembrei do Alcides: - É a vida te dizendo pra levar. Leve-os.
Agora, três de março, 10h38, quase 24 horas depois, nem estou mais irritado por ter acordado cedo para uma reunião de trabalho, desmarcada quando eu já estava na saída de Rolândia. É que eu vi o primeiro episódio desta fase do seriado mais “chanty pop cross” da atualidade. Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte discutiam sobre a tal da alma gêmea. O tema é uma constante na vida de tanta gente, sejam novaiorquinos, paulistanos, londrinenses e, oxalá, rolandenses.
Não dá pra ficar triste quando se olha para os lados e vê-se apenas o vazio. Se até mesmo um copo vazio está cheio de ar, por que não se sentir completo se aquela tão esperada pessoa não chega nunca? É simples: não adianta colocar os sinos onde eles não tocam. A origem da felicidade está dentro de cada um. E pronto, não adianta fugir, escamotear, enganar-se. Se for possível, evite esperar que o outro lhe traga um pouco de contentamento.
Estou ouvindo a Rosa Passos cantar “Outono”, usada pelo
Zero para alguém muito especial. Deu uma saudade dele, dos muitos episódios de Sex and the City que assistimos juntos, da Kátya. Com tudo isso, não preciso de quase mais nada. Saber e reconhecer que sempre, invariavelmente, é preciso muito pouco para ter esse contentamento, talvez seja o jeito mais simples de ser feliz.