Eis aí a minha mãe, a Dona Alice. Nos últimos dias ela tem me rodeado além do normal. A cada cinco minutos ela entra no meu quarto, faz uma pergunta, puxa assunto. Deve ser a sensação antecipada de desamparo que ela sentirá quando eu retornar ao meu apartamento.
Ontem almoçamos fora. E de repente fiquei prestando atenção na desenvoltura daquela senhora. Quando voltei de Curitiba, juntou que ela estava muito doente. Acompanhei a bateria de exames a que ela foi submetida e quase desabei quando voltamos com os resultados. O médico brincou dizendo que ela não tinha bico de papagaio na coluna não. Tinha o pássaro inteiro. Quando vi o exame de densitometria óssea, fiquei pasmo. A coluna era toda frangalhos.
O médico sugeriu atividades físicas, regime. Com taxas de colesterol altíssimas, pressão alta e afins, ou Dona Alice reagia ou... sabe-se Deus o que poderia ocorrer. Minha mãe tem depressão, o que só complica tudo. Levei-a à aula de hidroginástica. A professora recusou-a porque ela não se equilibrava na água. Aquilo me deu uma sensação de impotência, de mãos atadas. Chorei muito, entristeci. O próximo passo foi consultar uma nutricionista e iniciar um regime. Lembrei de um hidroterapeuta que tratou dela pós-cirurgia do joelho. O preço salgado, só atende particular, não foi problema. Dinheiro a gente sempre arruma, né?
Pois é. Cinco meses se passaram. Ela já não tem mais acompanhamento do hidroterapeuta e as visitas à nutricionista se reduziram. Perdeu nove quilos. E agora freqüenta a hidroginástica. Hoje, por exemplo, ela recebeu a visita da irmã Anecleta. E falou de boca cheia sobre os benefícios da atividade física e da perda de peso. Ouvir a conversa encheu meu coração de alegria.
Voltar pra Rolândia teve muitos significados. Não foi por acaso. Havia questões a serem resolvidas. Creio que muitas delas foram esclarecidas. Mas o melhor desta história até aqui foi perceber que eu ajudei a minha mãe. Não lhe tirei as dores, não a curei. Mas pude dar condições para que ela vivesse com mais conforto.
Acredita que um senhor bateu na porta de casa e puxou uma conversa insólita com a Dona Alice? Sem a menor cerimônia perguntou se ela não estava pensando em arrumar um companheiro, já que o meu pai morreu há quase três anos. Minha mãe foi dura com o tal. Questionei se ela desejava que eu conversasse com ele. Mamãe foi incisiva: “eu sei me defender. E ele não vai voltar mais aqui”.
até mais! beijos