TÊMPERA, o blog do João Bernardo

Essa tal felicidade VI

Este hábito de ficar com a boca cheia é quase coisa do passado. Agora a Dona Alice tem cardápio balanceado. Empanturrar-se mesmo, só de frutas.



Eis aí a minha mãe, a Dona Alice. Nos últimos dias ela tem me rodeado além do normal. A cada cinco minutos ela entra no meu quarto, faz uma pergunta, puxa assunto. Deve ser a sensação antecipada de desamparo que ela sentirá quando eu retornar ao meu apartamento.


Ontem almoçamos fora. E de repente fiquei prestando atenção na desenvoltura daquela senhora. Quando voltei de Curitiba, juntou que ela estava muito doente. Acompanhei a bateria de exames a que ela foi submetida e quase desabei quando voltamos com os resultados. O médico brincou dizendo que ela não tinha bico de papagaio na coluna não. Tinha o pássaro inteiro. Quando vi o exame de densitometria óssea, fiquei pasmo. A coluna era toda frangalhos.


O médico sugeriu atividades físicas, regime. Com taxas de colesterol altíssimas, pressão alta e afins, ou Dona Alice reagia ou... sabe-se Deus o que poderia ocorrer. Minha mãe tem depressão, o que só complica tudo. Levei-a à aula de hidroginástica. A professora recusou-a porque ela não se equilibrava na água. Aquilo me deu uma sensação de impotência, de mãos atadas. Chorei muito, entristeci. O próximo passo foi consultar uma nutricionista e iniciar um regime. Lembrei de um hidroterapeuta que tratou dela pós-cirurgia do joelho. O preço salgado, só atende particular, não foi problema. Dinheiro a gente sempre arruma, né?


Pois é. Cinco meses se passaram. Ela já não tem mais acompanhamento do hidroterapeuta e as visitas à nutricionista se reduziram. Perdeu nove quilos. E agora freqüenta a hidroginástica. Hoje, por exemplo, ela recebeu a visita da irmã Anecleta. E falou de boca cheia sobre os benefícios da atividade física e da perda de peso. Ouvir a conversa encheu meu coração de alegria.


Voltar pra Rolândia teve muitos significados. Não foi por acaso. Havia questões a serem resolvidas. Creio que muitas delas foram esclarecidas. Mas o melhor desta história até aqui foi perceber que eu ajudei a minha mãe. Não lhe tirei as dores, não a curei. Mas pude dar condições para que ela vivesse com mais conforto.


Acredita que um senhor bateu na porta de casa e puxou uma conversa insólita com a Dona Alice? Sem a menor cerimônia perguntou se ela não estava pensando em arrumar um companheiro, já que o meu pai morreu há quase três anos. Minha mãe foi dura com o tal. Questionei se ela desejava que eu conversasse com ele. Mamãe foi incisiva: “eu sei me defender. E ele não vai voltar mais aqui”.

Publicado em 02 de março de 2004 às 00:48 por joao

Comentários

    • êêê, dona Alice! sua mãe é uma mulher de fibra, como diziam antigamente. que bom que vc percebeu o quanto a ajudou depois que voltou de Curitiba! admiro seus cuidados com ela.
      até mais! beijos
    • por Patty
    • 02.Mar.2004 às 08:57 - Permalink - Reportar
    Patty
    • um pretê pra dona Alice! assédio em Rolândia! mto boa a sua crônica, mto legal “ouvir” falar da sua mãe e de como ela está melhor. só espero que a irmã Anecleta não tenha inventado de levar paçoquinha pra sua mãe comer! aí o regime vai por amendoim abaixo!!
    • por zero
    • 02.Mar.2004 às 12:25 - Permalink - Reportar
    zero
    • Beijo para dona Alice!!! Agora mais do que nunca ela terá que ter pulso firme, se não como disse o Zero, todo esforça vai por agua abaixo.

      João. Nem preciso dizer como você é importante para cada pessoa que toca, olha, dá sua opinião... Você é assim, iluminado e por mais pequenos que sejam seus gestos eles fazem a diferença... Sua mãe tem um orgulho imenso de ter um filho assim, como você.
    • por Thaís Souza
    • 03.Mar.2004 às 00:46 - Permalink - Reportar
    Thaís Souza
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