This is the archive for March 2004
Eu gosto da cor rosa. Ela me acalma, enfeita o dia, os lugares, as pessoas.
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Descubro-me incompetente para cortar as unhas dos dedos dos pés sem fazê-las encravar.
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Não sei exatamente o que quero. Mas reconheço o que não preciso.
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Sim, eu gosto de tomar Yakult. Mas precisa ser em jejum.
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De vez em quando me sinto bem idiota. E agora consigo rir disso.
Posted by joao at 10:40 AM. Filed under: Geral
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Este é um post que eu gostaria de não escrever. Mas acho necessário. Hoje é domingo. Pode ser o primeiro dia da nova semana. Ou o último daquela que foi bem difícil de passar.
Terça-feira, feliz por já habitar minha casa nova, chego à escola de natação. No estacionamento percebo que falta um carro. Adentro no barracão e, imediatamente, pergunto pelo Vézio, o professor. A resposta foi curta: – Ele não está mais com a gente. Ele faleceu!
As pernas bambearam, fiquei atônito, gelado, ouvindo palavra por palavra. O homem que me ensinou a nadar teve um aneurisma. Morreu subitamente, sem chance alguma de socorro. E a direção da escola tentou me avisar, mas só tinham o número do celular. Resultado: fazia uma semana que ele fora enterrado.
Depois de ouvir o relato, ainda tive forças para nadar. Livre, sem aula preparada. Entre uma braçada e hoje, senti uma tristeza profunda. Como alguém de 40 anos pode morrer, assim, tão repentinamente?
O Vézio era um homem muito legal. Sabe aquele tipo de pessoa que a gente sente que gosta de você? Era assim todo dia. Sempre de bem com a vida, me recebia com afeto, sempre com a aula pronta, exigindo mais do desempenho físico. Quando percebia que algo não estava bem comigo, perguntava se eu queria nadar livre. Conversávamos muito.
O mais interessante era encontrá-lo fora da escola. Ele dava aquele abraço que melhora o dia, sabe como? Abraço apertado, frente a frente, sem vergonha de demonstração pública de afeto. O fato é que o Vézio fará muita falta. Não tem sido a mesma coisa voltar lá e dar uma, duas, vinte, quarenta, quarenta e cinco voltas.
No dia que soube, fiquei pasmo com a nossa mais completa e absurda finitude. A qualquer momento um de nós pode partir sem qualquer explicação. E isso pode ser muito, muito dolorido. À noite, liguei pro Beto. Queria reafirmar o meu amor por ele. Eu acho isso importante. Não que eu tenha medo de morrer, nada disso. Mas não gosto de deixar as coisas pendentes. Nem esconder os meus sentimentos
Quando eu gosto, preciso dizer que gosto. Mostrar que gosto. O meu afeto é assim. Precisa ser compartilhado. O contrário também é verdadeiro. Fiquei chocado quando uma aluna foi seca comigo: - O senhor não gosta de mim, né professor? – Eu? Imagina. – Não, o senhor não gosta. O senhor me trata diferente de todos os outros alunos da turma. Fiquei mudo. Ela tinha razão.
Ser sincero nas emoções, às vezes pode provocar esse mal estar. Mas prefiro que seja assim. É verdadeiro, honesto. E a vida é muito, muito curta para perdermos tempo com bobagens. Esta nossa passagem por este planeta tem, certamente, uma razão. E esta razão precisa estar, invariavelmente, circundada de afeto, muito afeto. É só por isso que tudo vale a pena.
Posted by joao at 12:53 AM. Filed under: Geral
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“Por muito tempo achei que a
ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento
exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência
assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
Foi este o texto que veio impresso no forro de mesa que usamos ontem na despedida dos coordenadores demitidos na faculdade onde eu leciono. Pensei, puxa, como acertaram! Esta semana concedi entrevista a uma aluna que produz uma matéria sobre literatura. E falei do Drummond. Certamente cairei em clichê, mas ele é simplesmente o máximo.
E é com ele que faço uma pequena pausa neste blog. Ficarei sem internet até pelo menos dia 23. E se tudo estiver dentro dos conformes, hoje será minha última noite em Rolândia. Amanhã, provavelmente dormirei no meu apartamento. É uma sensação de imensa satisfação, contentamento.
O lado ruim é ficar sem o bolo de cenoura da minha mãe, o lanche que ela prepara todos os dias para mim. Também não ouvirei mais o terno “vá com Deus, meu filho”. Incomoda-me um pouco ficar sem a presença dela. Até mesmo a sufocante curiosidade que só a Dona Alice tem. Mas... c’est la vie! Essas rupturas, mesmo pra uma vida que se mostra nova, encantadora, dão um pouco de tristeza, de nostalgia. E eu, que ando me emocionando até com a Maria Clara Diniz, certamente vou derramar algumas boas lágrimas. Ainda bem que estas, pelo menos, são de pura felicidade.
Posted by joao at 10:14 AM. Filed under: Geral
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Nem todo inquilino destrói o lugar onde mora. Os dois rapazes que alugaram o meu apartamento deixaram tudo no lugar. Ou quase tudo. Só o puxador de uma gaveta, que já estava meio “mal”, caiu de vez. Fora isso, tudo nos conformes.
=0=
Eu não entendo a estratégia do comércio. Ocorreu que eu precisei fazer cotação de preços para comprar as tintas para pintar o apartamento. Fui a quatro lojas. Os preços variaram entre R$ 279,00 e R$ 240,00. Entrava na loja, pedia os preços. O vendedor perguntava: - o senhor (agora quase todo mundo me chama de senhor) já tem algum preço. – Não, é a primeira loja que eu entro. Sabe por que eu faço isso? Porque acho sacanagem esses caras cobrirem oferta. Se eles podem oferecer um preço menor, que o façam de imediato. Até porque eu sempre perguntava: - é o máximo que você pode fazer para pagamento à vista? Quem ficou com os meus minguados dinheiros foi o Américo. O senhor, nascido na Bahia, tem lá seus 50 e poucos anos. Foi rápido e disse logo que eu poderia pagar no cartão de crédito.
=0=
Tive uma demonstração de que nem todas as operadoras de cartão de crédito são excessivamente mercenárias. O Diners, por exemplo, me obrigou a pedir autorização para liberarem a compra da geladeira. A moça explicou que foram várias operações num único dia. E precisava ter certeza que era eu mesmo quem estava usando o plástico milagroso.
=0=
Estou com uma sensação engraçada. Acho que vou me apaixonar. Existem algumas pessoas me rondando. E confesso que estou muito disposto a me envolver de novo. Se souberem me pegar de jeito...
=0=
Voltei de Londrina pensando na coxinha que só a minha mãe sabe fazer. Aliás, devo confessar que só como as coxinhas feitas por ela. Chego em casa, quase meia noite, coxinhas lindas e deliciosas no fogão me esperando. Gente, eu amo a dona Alice. Se você ainda não a conhece, está perdendo...
Posted by joao at 01:28 AM. Filed under: Geral
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Coisas simples são por demais encantadoras. E esse fim de semana foi repleto de momentos assim. Ontem, quando cheguei à casa de minha mãe, ela havia saído e trancado por dentro a porta que tenho a chave. Imaginei que ela não fosse demorar e resolvi esperar. Cochilei. Depois de uma sessão de acupuntura, relaxo muito. O sono durou duas horas. Acordei e nada de minha mãe. Fui à igreja. Ela já tinha saído. Fui à casa de uma amiga dela. – Foram ao supermercado, disse o marido. No supermercado, ela já tinha saído. Quando retornei, a vizinha avisou: - Sua mãe acabou de sair. Dá pra imaginar que eu estava bem calmo, né?
Bem, na porta da igreja, agora para o culto, minha mãe sorriu.
– Oi filho.
– Oi mãe. A senhora me trancou pra fora.
– Verdade? Oh, judiação. Eu esqueci.
Não teve como ficar bravo. Até porque ela usava um vestido novo. Depois de emagrecer nove quilos, ela não tem mais roupa “que sirva”. Passeamos juntos na semana passada e ela comprou um tecido jeans. Estava toda faceira. Ri sozinho com a cena. Ah, vaidosa, ela também foi ao cabeleireiro e fez um penteado. Minha mãe é o máximo.
Sucedeu que fui ao lançamento do livro do Fábio Silveira. Lá encontrei aquela minha amiga que foi demitida. Ela me abraçou ternamente. Eu senti algo muito bom. Ela gosta de mim. Isso já lhe aconteceu? Não precisa dizer nada. No caso dela, foi um abraço e um beijo no rosto. No caso da minha mãe, ela acordou hoje cedo e fez um bolo de polvilho. – É mais leve, engorda menos. No caso do Beto, era quando ele me ligava no meio da manhã para almoçarmos juntos. Isso depois de conversarmos até às 4 da madrugada.
O domingo foi super bacana. A chuva de toda a manhã foi um bálsamo para o sono maravilhoso que tive. Até sonhar sonhei. Almocei com meus irmãos, conheci o Johnny, o novo gato persa do Leonardo, meu sobrinho, depois voltei pra casa preparar aulas. No fim da noite, revivi uma cena da minha juventude. Fui para trás da Indústria Cotam. Lá troquei muitos beijos dentro do carro, cujos vidros estavam embaçados. Ouvimos músicas românticas do Rod Stewart. Eu queria sexo. O problema é que, ontem, a vontade era só minha. Ficamos lá, tipo namorando até quase 10h30. Desta vez, a polícia não chegou para atrapalhar, como há 15 anos. E eu voltei pra casa muito, muito feliz.
Posted by joao at 01:24 AM. Filed under: Geral
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“Olá, tudo bem?
É o George, tá lembrado de mim, fui seu aluno na Uniandrade.
O meu projeto de conclusão de curso, Projeto GARAGE, ganhou 2 prêmios na faculdade, de 3 possíveis: Melhor Projeto Impresso e Melhor Projeto de TV, e você contribuiu muito, porque você era
muito exigente conosco. Valeu !!!
Eu não participei da formatura pois me mudei para Tokyo ainda em 2003. E ainda não consegui um trampo aqui, mas daqui a pouco arranjo algo. Estou tentanto uma vaguinha na IPC, que transmite
o sinal da Globo para o Japão e tem um telejornal local em português, para a comunidade brasileira, que aqui está em torno de 300 mil pessoas.
Se você precisar de alguma coisa daqui, por favor não
hesite, meu telefone residencial é .... (sempre com 12 horas a mais).
abs
yorgos san”
Posted by joao at 01:19 PM. Filed under: Geral
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Hoje eu estou muito triste. E é um sentimento diferente. Ele é mais discreto, talvez mais dolorido, porém intenso. Tomou conta do meu dia. Eu corri atrás de muitas pendências durante o dia. Mas volta e meia, a tristeza voltava e se instalava. Mesmo depois de visitar o meu médico da alma, nada mudou. Aliás, não falei sobre o assunto com ele.
Ontem ocorreu algo muito chato com uma pessoa que eu prezo afetiva e intelectualmente. Esta pessoa foi demitida. Não, não se espante. Você já vai entender. Eu sempre digo que as pessoas não têm um emprego. Geralmente elas estão com alguma ocupação remunerada. O dono do emprego, óbvio, é a empresa. Que dispõe da vaga como melhor lhe convier. Mas isso não significa que o lado mais fraco, o empregado, precise ser humilhado. Respeito é algo que todo mundo merece.
Faltou pouco para que esta minha amiga fosse execrada em praça pública. Os “subordinados” a ela ficaram sabendo antes da própria. Já imaginou a cena? As pessoas procurando-a, ela resolvendo, decidindo num momento que todo mundo já sabia que, de fato, ela não “respondia” mais por nada. Isso é muito feio.
Para o bem e para o mal, não sou dissimulado. Não consigo fingir meus sentimentos. Costumo ser muito franco e honesto com as pessoas. Muitas delas não entendem. Mas eu prefiro que seja assim. Não gosto de bajulação, falsas palavras, afeto por conveniência. No período em que assumi a gerência no Banco do Brasil, jamais menti para um funcionário. “Você vai me disponibilizar para a direção geral? (isso ocorreu quando houve aquele plano de demissão voluntária). “Não agora. Você será a minha terceira indicação. Isso deve ocorrer daqui a três meses. Se neste período você conseguir vaga em alguma outra agência, eu te libero imediatamente”. Falar a verdade parece que dói muito. Mas creia: pior é descobrir uma mentira. Ciente da verdade, a pessoa assume as rédeas da situação naquilo que lhe cabe. É mais simples viver assim.
O pior de toda essa situação é perceber-se, momentaneamente, impotente para ajudar. Já demonstrei minha solidariedade. Mas sei que isso não basta. O ideal – sempre essa droga de ideal que a gente nunca atinge – seria nos unirmos e darmos um basta nesta situação. Mas o real, neste momento, fala mais forte. Há muitas, muitas contas a serem pagas. E dinheiro insuficiente para tal. Esta é a mais crua e dura verdade.
Posted by joao at 11:49 PM. Filed under: Geral
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Hoje fiquei sabendo que a mãe de um amigo meu morreu. Isso mexeu um pouco comigo. Certo dia, fui desencravar a unha e a Cecília também falou que tinha voltado do Japão por conta da morte da mãe. Falei que compreendia o sentimento porque perdera o meu pai. Ela foi taxativa: - é diferente. Morte de mãe a gente sente muito mais. Não que a gente não ame o pai, e não sinta a morte dele. Mas é que mãe é mãe.
Aquelas palavras ficaram firmes na minha mente. Volta e meia eu lembro delas. E hoje, quando soube do que se passou com este amigo, senti um frio na espinha. Depois, ele me contou que um tio veio para o enterro. Fazia 25 anos que não via o irmão, pai dele. E aí eu fiquei pensando que seria muito triste ficar 25 anos sem ver algum dos meus irmãos.
Está certo que de vez em quando a gente se pega, fala umas verdades, algumas ofensas. Mas ficar sem vê-los? Sem ter notícias? Ah, não. Pra mim não dá. Eu acho bonito ter família. É verdade. Gosto mesmo. Gosto de pegar a Bárbara (minha sobrinha neta) no colo e saber como foi a aula daquele dia. Fico feliz de saber que o Davizinho (outro sobrinho neto) sonha comigo. Acha que seria possível ficar tanto tempo sem vê-los. Não, isso não é pra gente de bem. Que que é isso?

Mas, vamos mudar de assunto? Hoje, voltando de Londrina, lembrei de outro irmão, o Beto. A gente não tem o mesmo sangue. Mas isso é só um detalhe. E recordei uma frase dele, que acho ótima. Vai estar na boca de algum personagem meu. “Você já pensou que neste exato momento, alguém que você não imagina está pensando em você de um jeito que você não imagina, mas que se você soubesse, ficaria muito feliz?” Não é lindo? Pois então. Desejei que alguém lá pelas bandas de Blumenau pensasse em mim. E que aparecesse de repente, sem avisar. A vida é sonho.
Posted by joao at 02:15 AM. Filed under: Geral
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Bom, hoje (quer dizer, na prática, ontem) quase que forçosamente tive que presenciar algumas homenagens às mulheres pelo dia 08 de março. Eis aí uma coisa que me causa irritação. A razão é simples. Eu acho que haver um dia certo pra este tipo de coisa, soa como preconceito, segregação.
O Beto volta e meia lembra de uma discussão que rolava numa aula do curso de jornalismo e ele foi convidado a participar. Safo como sempre, disse à turma que não entendia o porquê de tanta celeuma, já que no fundo elas todas queriam era arrumar marido. Ele quase apanhou.
Se isso rolou lá no começo dos anos 90, hoje ainda está mais evidente que de fato, mesmo, real, concreto, as mulheres querem um homem pra chamar de seu. Nada de sucesso profissional, realização pessoal. Isso é apenas uma máscara. Se houver um cara razoavelmente bonito, com um pouco de charme e muito dinheiro, está muito do que bom. Se ele souber comê-la com determinação, fazendo-a atingir ao menos uns três orgasmos semanais, nossa, será a glória. Só isso explica essa eterna solidão e angústia que as mulheres tanto sentem.
Acho deprimente ver as mulheres recebendo flores murchas nos bancos e shoppings, ou tendo os cabelos penteados num coreto qualquer, ou tendo a pressão arterial medida numa farmácia. Isso é homenagem? Vão lavar uma pia de pratos que tudo se resolve.
As mulheres querem trabalhar fora, querem gozar, querem que os homens descubram o seu tal ponto g, querem ter filhos para depois ficar reclamando que os homens mijam fora do vaso sanitário, que jogam as meias pela casa toda, que não ajudam com os filhos, que elas têm tripla jornada, ai que saco. Nada está bom nunca.
Esta semana a Veja conta com alguma riqueza de detalhes o fim do casamento daquela celebridade que anda sem calcinhas de vez em quando para chamar atenção. A cidadã, pelo que diz a revista, queria o dinheiro do empresário cuja fortuna é estimada em R$ 1 bilhão e a pica e o corpo do bombeiro malhado. Traduzindo, bônus sem ônus.
Por isso tenho que concordar com o
Alan. Mulher que se preze mesmo, manda este oito de março a puta que o pariu. Mulher que se preze não arma, não faz jogo, não dissimula. Mete as caras e arca com as conseqüências. Mulher do tipo superior troca o pneu furado. Aliás, pra mim, coisa de gente nobre.
Posted by joao at 12:42 AM. Filed under: Geral
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Mal acordou e Alfredo percebeu que estava de pau duro. Enquanto se espreguiçava, tentava lembrar do sonho que tivera. Procura vã para uma explicação. Pegou no membro, sacolejou, ameaçou uma punheta. Que nada. O dever o chamava.
Tomou banho, de novo uma tentativa de gozar, outra vez abandona a “tarefa”. O dia seria difícil. Planejava pregar a palavra de Deus aos transeuntes do Calçadão. Sentiu um calafrio por pensamentos tão díspares. Mas ainda assim evitou o prazer momentâneo.
Deu um beijo na mulher e nos dois filhos. Bíblia na mão, acenou para o ônibus lotado. Em pé, sentiu de novo o pau endurecer. E pensava no preço da passagem, na palavra de Deus, na mãe doente numa cama, nas contas que venceriam no dia seguinte. Nada adiantava. Sentiu um frio na espinha quando o pensamento lhe traiu. Lembrou de um amigo que não encontrava havia dias. Tentou disfarçar e acalmou-se antes de chegar no final da linha.
Sol escaldante, muita gente passando. Anunciava aos quatro cantos que o dia final estava próximo, que era preciso se libertar das amarras do mundo, encontrar Jesus, o Salvador, ouvir, seguir e temer as palavras do filho de Deus. Gaguejava às vezes, quando o pensamento lhe traía e mais uma vez viu a face do amigo. Foram duas horas, alternando entre o pau duro, o pensamento perdido, e palavras que acreditava poderiam salvar algumas almas.
Comeu um pastel engordurado. Precisou lavar as mãos com sabonete para enfrentar a fila no banco. Pagou as contas. Não tinha mais compromissos aquele dia. Chupou uma casquinha de chocolate. Novamente o desejo voltou. O amigo se fazia lembrar, de novo.
De súbito, estava ao telefone.
- Oi.
- Está fazendo o que agora?
- Terminando um trabalho.
- Eu preciso ver você.
- Eu só posso à noite.
- Não pode agora?
- Não.
- Estou com tesão.
- Só depois das seis horas.
Ele tentou fazer o tempo passar mais rápido. Ainda voltou a pregar a palavra divina, tentando arrebatar algumas ovelhas para o reino do Pai. No meio da prelação, parava alguém e perguntava as horas. Pareciam intermináveis.
Seis da tarde, de novo ao telefone. O amigo passou de carro e pegou-lhe ali mesmo, em frente ao coreto. Foram direto para um motel. Chegando lá, ele que sempre preferiu o papel de “ativo”, caiu de boca no pau do amigo. Parecia desesperado. A transa, que já acontecera muitas outras vezes, foi especialmente diferente. O evangélico não quis comer o amigo, como de costume. Precisava sugar aquele cacete, que sempre considerou grande, desejou em cada um dos encontros, mas até então não tivera coragem de chupá-lo. O amigo estranhou, mas ficou quieto e deixou-se usar.
- Goze pra mim, pediu Alfredo.
- Na sua boca?
- Não. Quero ver a porra na sua barriga. Goze pra mim.
- Gozo, gozo sim.
Ficaram se pegando por alguns minutos. Alfredo quase beijou a boca do amigo, mas foi barrado pelo pudor evangélico. O amigo gozou bastante, já que a situação era pra lá de inusitada. Por um momento, Alfredo lembrou da esposa, dos filhos. Mas não resistiu à cena. Lambeu cada gota do esperma do amigo. Vestiu a roupa e pediu pra irem embora em silêncio.
Posted by joao at 11:27 PM. Filed under: Geral
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A ambulância de Andirá me apodou na saída de Londrina. Mas quiseram os semáforos que nos encontrássemos de novo. Pela fresta da janela entreaberta, vi o enfermeiro e uma mulher segurando a mão de alguém. Tinha o ar consternado.
Enquanto observava, tocava uma bela música do último cd do Rod Stweart que eu comprei. Dei asas à imaginação. Aliás, eu sempre faço isso. Tentei imaginar quem estava deitado naquela maca. Seria um filho? O marido? A mãe? O pai? Tudo foi muito rápido.
Esbocei um sorriso tolo. Criei uma dor eventual para aquela mulher. Imaginei “eu aqui feliz e ela lá sofrendo”. O veículo, sirenes acesas, saiu em disparada. Olhei a lua linda no céu. Pensei que lá no Japão, naquele mesmo momento, alguém poderia estar passando pela mesma situação.
Tentei calcular quantas pessoas estariam morrendo naquele segundo. Certamente há muita gente chorando. Imediatamente lembrei que, oras bolas, também haveria muitos nascimentos nos mais variados lugares. Talvez lá na faixa de Gaza, alguém solta algumas bombas. Nos bastidores do Planalto, mais uma tentativa de suborno. Numa igreja qualquer, um fiel roga proteção. Em algum leito, lágrimas de solidão e desamparo.

Entre tantas e tolas divagações, a idéia que me deixa sempre muito feliz é imaginar casais transando. Já pensou que neste exato momento alguém está se entregando pela primeira vez? Que as pessoas não pensam em nada além daquele com quem está grudado? Que, sei lá, elas emitem sons estranhos, mas envolventes, aconchegantes. Daí que eu fico sorrindo como bobo, imaginando que o mundo seria muito, mas muito melhor, se as pessoas se preocupassem menos com bobagens e compartilhassem seus desejos, afetos e ternura com os outros. Se isso vier junto com sexo de verdadeira cumplicidade, sem comentários.
PS: Ontem eu falei com você. Relembramos bons momentos. À noite voltando pra casa, desejei voltar ao passado. Chegar em casa, ligar pra você. Perguntar se você não gostaria de vir dormir comigo. Você viria, assistiríamos um pouco de tevê. Depois transaríamos e dormiríamos segurando na mão do outro. Creia, “...depois de você, os outros são os outros e só...”
Posted by joao at 01:49 AM. Filed under: Geral
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Alguém conhece farsa maior que esses exames admissionais e demissionais? Eles servem apenas para dar dinheiro para um grupo de médicos. Se você já fez um desses exames, sabe que basta responder o questionário, à mão, e assiná-lo. É só isso que conta. Ou será que olhar para a cara de banana e dizer que não tem nada, ser dispensado com o tal atestado assinado vale pra alguma coisa? Claro que não. O que importa mesmo é o questionário, isso o questionário. Até porque o encontro com o médico não costuma demorar mais que três minutos, isso quando ele é bom e mede a sua pressão arterial.
Bem, agora inventaram isso também para funcionários temporários. Ontem deveria ter feito o meu. Liguei na clínica para marcar hora e a fulana do outro lado me disse:
- Não precisa marcar, senhor. Basta vir aqui que a gente atende por ordem de chegada.
- Qual é o horário de atendimento?
- Das oito ao meio dia e das duas às seis da tarde.
- Obrigado.
Chego à referida às 17h40.
- Boa tarde, eu gostaria de fazer exame demissional.
- Um minutinho.
Dois minutinhos após volta a cidadã.
- Hoje não vai dar mais tempo do senhor ser atendido.
- Por que?
- Bem, é que o médico atende até às 18 horas só.
- Sim. Que horas são agora?
- Como assim?
- Que horas são agora?
- Ah, 15 para as seis.
- Então?
- Não, é que o médico só atende quem já está aqui.
- E onde eu estou?
- Como assim?
- Se o médico atende quem já está aqui, onde eu estou? Aqui, 15 para às seis. Certo? Portanto, estou dentro do prazo.
- Não senhor, veja bem...
- Eu vejo bem. Eu vejo que vocês deveriam ser mais eficientes para informarem as pessoas por telefone. Isso porque eu saí de Rolândia só pra fazer esse exame que dura dois minutos porque a pessoa que me atendeu ao telefone disse que eu poderia vir até às seis da tarde.
- Pois é, é que o médico atende só até às 18.
- Isso eu já entendi. Mas parece que você não entendeu que o problema real é a falta de competência de vocês de informarem de maneira correta como é o procedimento da clínica.
- ...
- Pra eu ser atendido amanhã por volta de meio dia, que horas preciso estar aqui?
- Onze e meia.
- Obrigado.
Posted by joao at 10:18 AM. Filed under: Geral
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Ontem tive um arroubo consumista. Entrei na Americanas do Centro para comprar um cd naquela promoção de R$ 9,99. É que eu tenho uma coletânea da Sade, cujas músicas 07 e 08 estão “emperrando”. Precinho barato, por que não aproveitar? Bem, o problema é que não fiquei apenas neste mimo. Quis também o penúltimo lançamento do Rod Stweart, aquele que tem o tema o Théo e da Helena em Mulheres Apaixonadas. Olho para o vendedor e pergunto se dividem no cartão sem juros. – Compras acima de R$ 150,00 a gente parcela em até 10 vezes. – Sem juros? – Sim, sem juros.
Olhei para a esquerda e a caixa com a quarta temporada de Sex and the City pulou nos meus braços. À direita, a Malu Mader e o Felipe Camargo lembraram os Anos Dourados e imploraram pra serem levados pra minha casa, lá em Rolândia, onde divido o teto com minha mãe a dona Alice. Lembrei do Alcides: - É a vida te dizendo pra levar. Leve-os.
Agora, três de março, 10h38, quase 24 horas depois, nem estou mais irritado por ter acordado cedo para uma reunião de trabalho, desmarcada quando eu já estava na saída de Rolândia. É que eu vi o primeiro episódio desta fase do seriado mais “chanty pop cross” da atualidade. Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte discutiam sobre a tal da alma gêmea. O tema é uma constante na vida de tanta gente, sejam novaiorquinos, paulistanos, londrinenses e, oxalá, rolandenses.
Não dá pra ficar triste quando se olha para os lados e vê-se apenas o vazio. Se até mesmo um copo vazio está cheio de ar, por que não se sentir completo se aquela tão esperada pessoa não chega nunca? É simples: não adianta colocar os sinos onde eles não tocam. A origem da felicidade está dentro de cada um. E pronto, não adianta fugir, escamotear, enganar-se. Se for possível, evite esperar que o outro lhe traga um pouco de contentamento.
Estou ouvindo a Rosa Passos cantar “Outono”, usada pelo
Zero para alguém muito especial. Deu uma saudade dele, dos muitos episódios de Sex and the City que assistimos juntos, da Kátya. Com tudo isso, não preciso de quase mais nada. Saber e reconhecer que sempre, invariavelmente, é preciso muito pouco para ter esse contentamento, talvez seja o jeito mais simples de ser feliz.
Posted by joao at 11:50 AM. Filed under: Geral
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Eis aí a minha mãe, a Dona Alice. Nos últimos dias ela tem me rodeado além do normal. A cada cinco minutos ela entra no meu quarto, faz uma pergunta, puxa assunto. Deve ser a sensação antecipada de desamparo que ela sentirá quando eu retornar ao meu apartamento.
Ontem almoçamos fora. E de repente fiquei prestando atenção na desenvoltura daquela senhora. Quando voltei de Curitiba, juntou que ela estava muito doente. Acompanhei a bateria de exames a que ela foi submetida e quase desabei quando voltamos com os resultados. O médico brincou dizendo que ela não tinha bico de papagaio na coluna não. Tinha o pássaro inteiro. Quando vi o exame de densitometria óssea, fiquei pasmo. A coluna era toda frangalhos.
O médico sugeriu atividades físicas, regime. Com taxas de colesterol altíssimas, pressão alta e afins, ou Dona Alice reagia ou... sabe-se Deus o que poderia ocorrer. Minha mãe tem depressão, o que só complica tudo. Levei-a à aula de hidroginástica. A professora recusou-a porque ela não se equilibrava na água. Aquilo me deu uma sensação de impotência, de mãos atadas. Chorei muito, entristeci. O próximo passo foi consultar uma nutricionista e iniciar um regime. Lembrei de um hidroterapeuta que tratou dela pós-cirurgia do joelho. O preço salgado, só atende particular, não foi problema. Dinheiro a gente sempre arruma, né?
Pois é. Cinco meses se passaram. Ela já não tem mais acompanhamento do hidroterapeuta e as visitas à nutricionista se reduziram. Perdeu nove quilos. E agora freqüenta a hidroginástica. Hoje, por exemplo, ela recebeu a visita da irmã Anecleta. E falou de boca cheia sobre os benefícios da atividade física e da perda de peso. Ouvir a conversa encheu meu coração de alegria.
Voltar pra Rolândia teve muitos significados. Não foi por acaso. Havia questões a serem resolvidas. Creio que muitas delas foram esclarecidas. Mas o melhor desta história até aqui foi perceber que eu ajudei a minha mãe. Não lhe tirei as dores, não a curei. Mas pude dar condições para que ela vivesse com mais conforto.
Acredita que um senhor bateu na porta de casa e puxou uma conversa insólita com a Dona Alice? Sem a menor cerimônia perguntou se ela não estava pensando em arrumar um companheiro, já que o meu pai morreu há quase três anos. Minha mãe foi dura com o tal. Questionei se ela desejava que eu conversasse com ele. Mamãe foi incisiva: “eu sei me defender. E ele não vai voltar mais aqui”.
Posted by joao at 12:48 AM. Filed under: Geral
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Bom, preciso confessar que tenho preconceitos. Um deles é contra gente burra. Nada é mais broxante do que não se fazer entender por pessoas lerdas de raciocínio.
Dia desses fui a um restaurante, supostamente de alto nível. Pedi um suco de laranja com limão e abacaxi. Rapaz! Pareceu que eu pedira suco misturado com água marciana e frutas frescas colhidas na aurora boreal de Júpiter. A garçonete me olhava com um olhar de espanto. Repetiu várias vezes para ter certeza que aquele era o meu pedido. Ainda bem que eu estava paciente.
Na quarta-feira passada, fui comprar material para embalar a minha cama que seria transportada de avião de Curitiba para Rolândia. Na hora de pagar, dei o cartão de crédito. O anta do funcionário olhou pra minha cara e disse que como o banco não estava funcionando, não poderia aceitar o cartão. Fiz cara de incrédulo, uma vez que o argumento é simplesmente tosco. Repliquei que não poderia ser, que uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Mas o curitibano babaca foi imponente e insistiu no assunto. Paguei com dinheiro mesmo pra não me irritar logo cedo.
Ontem à noite fui à casa de um fumante. Meu, francamente! Tudo bem que o cara queira se envenenar com nicotina e afins. Mas precisa ser porco? Sem brincadeira... eu contei seis cinzeiros espalhados pela casa, repletos de cinza e bituca. Imagine o cheiro? Como alguém consegue viver na imundície? E olha que o cidadão é pós-graduado.
Posted by joao at 12:53 AM. Filed under: Geral
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