- Você está muito gostoso, sabia?
- Sabia.
- Então...
- Então?
- A gente podia matar a saudade?
- Saudade?
- Sim, saudade, um do outro, das nossas transas.
- Quem disse que eu sinto saudade das nossas transas?
- Não sente?
- Não.
- Nem um pouquinho?
- Nada. Absolutamente nada.
- Como assim?
- O que você sente quando olha um vidro de palmito bem fechado?
- Nada, oras bolas!
- É isso. Quando eu olho pra você eu sinto a mesma coisa.
- Você é um grosso.
- Não, eu sou sincero. Você pensou que eu estaria disponível a vida inteira. Enganou-se. Não sinto sua falta.
- Você poderia ao menos ser gentil.
- Pra que? Pra você criar mais ilusões?
- Não. Eu só queria relembrar nossos bons momentos.
- Foram muito poucos, fazem parte do passado e eu não tenho a menor vontade de reviver nenhum daqueles momentos.
- Nenhuma chance?
- Que insistência. Pra você eu serei apenas uma lembrança. Só isso.
- Idiota...
- Obrigado. Até mais.
Publicado em 11 de fevereiro de 2004 às 00:14 por joao