Voltava de Arapongas ontem à noite, pensando em fazer um novo post. Não tinha assunto definido. A idéia era chegar e começar a escrever para ver no que daria. Em princípio falar de temas sérios, essas angústias que insistem em me rodear, pode parecer chato, cansativo, repetitivo. Mas isso não tem muita importância. Até porque este é um espaço livre, onde a gente pode fazer aquilo que bem entender.
Eu lembrei do Altevir e da Araceli. São amigos do meu irmão, o David, e enfrentam uma crise conjugal das bravas. Talvez se separem. A mãe dela, inclusive, sentenciou: - Se você voltar com ele, não põe mais os pés na minha casa.
O drama do casal me fez pensar no quanto colocamos nosso bem estar nas mãos do outro. Daí que o outro não corresponde e a gente sofre. O que me intriga é que isso é mais velho que andar pra frente. Mas muita gente se recusa a aceitar. Não adianta esperar nada do outro. Isso só aumenta a frustração.
Certa ocasião, assistia a uma entrevista de Marília Gabriela com Fernanda Montenegro. A atriz falava da solidão. E ela disse algo parecido com um cartão que o Beto tem em frente ao computador dele. Alguma coisa do tipo “se estou comigo, ninguém pode me deixar”. Você conhece verdade mais profunda?
Nós fomos enganados. Disseram pra gente que um dia iríamos encontrar a outra metade. Grande e nefasta mentira. Enquanto vivermos achando que uma outra pessoa vai nos completar a ponto de nos tornarmos um só, continuaremos sofrendo. Para que as relações dêem certo, é preciso haver dois indivíduos inteiros. Que tenham personalidade, gostos, desejos, vontades. Que fiquem bem sozinhos. Porque enquanto um estiver pensando que a felicidade vai chegar pela porta da frente, é sofrimento quase certo.
Eu adoro clichês. Tem um lá na bíblia, Mateus, capítulo 22, versículo 39, antigo como a nossa própria existência. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Entendeu o recado ou é preciso desenhar?
Publicado em 09 de fevereiro de 2004 às 10:40 por joao