Faz 18 anos que a Globo exibiu o remake de Selva de Pedra . Foi uma homenagem à Janete Clair, morta em 1984. Para quem não sabe, na primeira versão, em 1972, o desenlace da trama protagonizada por Francisco Cuoco e Regina Duarte deu 100% de audiência. Todos os aparelhos de tevês brasileiros estavam sintonizados no mesmo canal. E eu resolvi falar disso porque sempre lembro da chamada que apresentava o personagem do Tony Ramos – em 1986 – Cristiano Vilhena. Ele dizia uma frase emblemática: “ser feliz não é questão de escolha!”.
Os dias passam, os acontecimentos se sucedem, você conversa com um, com outro. Discute com apaixonados, estranha os céticos e realistas. Mas um dos assuntos mais comuns ultimamente tem sido este: o bem estar, a paz, a tranqüilidade, a serenidade. A felicidade, então, se preferir. E por mais que a gente esperneie, negue, admita e aceite que para fazer omeletes é preciso quebrar alguns ovos, no fundo lutamos contra isso. Queremos o bônus sem pagar o ônus. E vivemos muito sós. Talvez seja essa a razão de tanto desamparo e o oposto da felicidade.
A cada dia, fica mais clara a sensação dos ciclos e lições que a vida insiste em nos aplicar. E cada um deles tem, invariavelmente, começo, meio e fim. Como o ritual da morte. Pode reparar. Primeiro você recebe a notícia de que alguém morreu. Dá uma dor, o coração dilacera. O segundo momento é a hora de ver o corpo, velar o defunto. Outro choque, outra dor, outra sensação totalmente diferente. Por último, o momento de enterrar, de encerrar o ciclo. De colocar debaixo da terra, dentro da nossa cultura, e seguir em frente. Ouvir um ou outro mentir dizendo que a vida continua.
Não, a vida não continua. Ela segue um outro rumo, com as pessoas tentando se ajeitar como podem e se agüentam. Ninguém é indiferente às mudanças, graças a Deus. De repente a gente olha para o lado e nota que nem todos percebem e sentem da mesma forma. Há pessoas que passam por isso de uma maneira mais leve, sem brigar com as situações. Com a complacência que talvez somente a sabedoria consiga explicar. De qualquer forma, cada um é cada um. E não adianta: ninguém viverá as suas sensações. Esses momentos são de extrema solidão. Não adianta fugir.
Eu andei lutando contra mim. Tentando ser criativo e interessante como o Beto. Leve como o Guilherme. Engraçado como o Moraes. Afetuoso como o Frazão. Sossegado como o Rocha. Culto como o Briguet e o Grota. Verdadeiro como a Janaína. Perdi a briga, por razões óbvias. Quando escrevi o primeiro post sobre o tema, pensei que poderia ser para sempre. Hoje, ouvi a Cássia Eller lembrar que “o pra sempre, sempre acaba”. Está chegando a hora do enterro. Estou indo de volta pra casa.
Publicado em 03 de fevereiro de 2004 às 22:38 por joao