Você já viu o filme? Certamente sentiu uma certa inveja do personagem do Michael Douglas. Não tem dias que a gente tem vontade de mandar todo mundo ir catar coquinho em bananeira? (eu ia dizer mandar à merda. Mas o Beto fez uma promessa de não falar mais palavrão – “não precisa” – e eu vou copiá-lo). Pois é. O Sebastião Cláudio de Jesus resolveu acreditar que a arte imita a vida.
O cidadão sofre de artrite reumática. E precisava de uma nova perícia para continuar recebendo o auxílio do INSS. Ocorreu que o homem foi procurar o serviço público e o médico que o atendeu mandou-lhe jogar as muletas fora e voltar a trabalhar. O brasileiro típico ficou meio nervoso. Mas ainda engoliu o sapo e foi pra casa pensar na vida.
Quis o destino que o tal médico, Rubens Garcia Segura, cruzasse o caminho de Jesus. E justamente num momento que o filho de Deus estava sentindo aquela revolta de quem se sente impotente frente aos desmandos que acometem o INSS. Quis também o destino que Jesus deixasse a brandura de lado e partisse de muletas em punho pra cima do Segura. Deu-lhe tantas muletadas no quengo que o profissional da saúde foi parar no hospital.
Quando fiquei sabendo disso na ronda policial da TV Coroados, respirei aliviado. Não que eu seja a favor da violência. Mas eu compreendo o Jesus. Pena que ele foi preso por lesões corporais. Mas ainda bem que um advogado de boa índole resolveu defendê-lo espontaneamente e de graça. Às vezes penso que se a gente desse umas muletadas nuns desocupados, quebrasse uns vidros quando a fila do banco está imensa e tem apenas dois caixas atendendo, rodar a baiana dentro da loja quando uma certa operadora super simpática resolve deixar os usuários na mão, talvez esse mundo fosse mais bacana pra gente viver. Viva o Jesus, gente!
Publicado em 29 de dezembro de 2003 às 17:31 por joao