As minhas lembranças do Natal não são das mais felizes. Eu pertenço a uma família de evangélicos que não comemora a data. Dizem que isso é coisa do “mundo”. O fato é que não houve Papai Noel na minha infância. Nunca tivemos aqueles preparativos que começam bem no princípio de dezembro. A família grande sempre foi um empecilho para troca de presentes. De especial mesmo, o almoço. Meu pai sempre apreciou a leitoa pururuca. Fora isso... nada de abrir presentes, nada de correr para a rua e encontrar os amigos e mostrar as novidades. Uma exceção foi em 1976. O seo João queria viajar com a dona Alice para Salvador. E para não me levar, morreu com uma bicicleta Caloi. Recebi o mimo antecipadamente. Mas fiz questão de mostrar a todos os garotos da rua.
O tempo passou e eu decidi não me batizar na Congregação Cristã do Brasil. E isso implicou conhecer as tais coisas do “mundo”. Fiz, efetivamente, muita coisa. Mas o Natal... continua na mesma. Acredita que até hoje nunca enfeitei a minha casa, mesmo morando sozinho durante vários anos?
Na real, sempre fico muito triste no Natal. A razão, concreta, ainda não sei. Mas é assim. Teve um tempo que eu participei de um coral. Éramos um grupo de funcionários do Banco do Brasil. A gente se reunia, ensaiava e depois ia às agências levar a mensagem aos demais colegas e clientes. Tive momentos muito felizes cantando. Certo ano, houve um assalto com refém na agência de Faxinal. A operação durou acho que uns dois ou três dias. Os colegas ficaram “destruídos”. Chegamos no final de uma manhã de surpresa. E entramos no prédio já cantando. Foi um choro só.
Dezembro é um mês de reflexão. Faço aquele famoso balanço. Hoje, olhando para o que foi 2003, vejo muito aprendizado. E, graças a Deus, muitos presentes. Quer saber quais? – o Marcelo Rocha, a Thais e a Patty, morar seis meses com o Beto, o Kico Gemael, a Nalu. A Katya Morbis e a Isabela. Rodrigo Moraes. Mira Graçano, Maria Flores, Taísa Binder, Vanusa Viceli. Nos conhecemos ou aprofundamos nossa amizade no ano que passou. Alguém precisa mais do que amigos para ser feliz?
Das canções que a gente cantava no coral do Banco do Brasil, esta era a minha preferida. Um pouco tardiamente, ofereço a vocês.
“O menino chega e por amor
vai renascer.
Traz nas mãos uma esperança e sorri
pois é Natal.
E no mundo inteiro
a mesma canção de amor e paz.
Que se faz tão doce
quanto o amanhecer.
Quem me dera o ano inteiro
o Natal dentro de nós.
E nas mãos da gente
a mesma canção,
a mesma voz
O presente mais bonito
É viver, é querer bem!
Hoje a festa mais bonita
É sorrir, pois é Natal!”