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Wednesday, December 31, 2003
Oi. Você vem sempre aqui? Eu reparei que você estava ali me observando. Por que não chega mais perto e me olha mais de frente? Pode me tocar, eu não me importo. Confesso até que estou desejando isso. Pode começar segurando a minha mão. Depois me abrace. Deixe seus braços tocar as costas. Passe suas mãos pelos meus músculos. Aperte-me. Dê um jeito de ir se enrolando, até seus lábios tocarem os meus. Não, não me beije de súbito. Comece bem devagar. Desvende os meus segredos. Depois, seja o que vier.
Eu prometo me entregar por inteiro.
Prometo beijar você pelos menos umas 87 vezes por dia.
Faço questão de providenciar sua comida.
Também me disponho a esfregar suas costas. E fazer uma delicada massagem na sua cabeça.
Ficarei olhando você relaxar na cama.
Te darei as mãos e lhe beijarei.
Faremos amor duas, três vezes. Por dia.
Quero cheirar todo o seu corpo.
Desvendar cada mistério seu.
Prometo me acasalar com cada centímetro seu.
Seremos um. Apenas um.
No meio da noite, prometo colocar minhas pernas no meio das suas. Suavemente para que você não acorde.
Repousarei sobre o seu corpo.
Acordar-te-ei com beijos. Macios e ternos.
Arrumarei suas roupas. Darei banho em você.
No café da manhã, só o que você gostar.
Faremos amor também. Relaxaremos juntos.
Prometo te amar para sempre. Ser teu.
Dar-te-ei o meu amor. Incondicional.
Por que você não vem ficar comigo?
Eu prometo me entregar por inteiro.
Prometo beijar você pelos menos umas 87 vezes por dia.
Faço questão de providenciar sua comida.
Também me disponho a esfregar suas costas. E fazer uma delicada massagem na sua cabeça.
Ficarei olhando você relaxar na cama.
Te darei as mãos e lhe beijarei.
Faremos amor duas, três vezes. Por dia.
Quero cheirar todo o seu corpo.
Desvendar cada mistério seu.
Prometo me acasalar com cada centímetro seu.
Seremos um. Apenas um.
No meio da noite, prometo colocar minhas pernas no meio das suas. Suavemente para que você não acorde.
Repousarei sobre o seu corpo.
Acordar-te-ei com beijos. Macios e ternos.
Arrumarei suas roupas. Darei banho em você.
No café da manhã, só o que você gostar.
Faremos amor também. Relaxaremos juntos.
Prometo te amar para sempre. Ser teu.
Dar-te-ei o meu amor. Incondicional.
Por que você não vem ficar comigo?
Monday, December 29, 2003
Você já viu o filme? Certamente sentiu uma certa inveja do personagem do Michael Douglas. Não tem dias que a gente tem vontade de mandar todo mundo ir catar coquinho em bananeira? (eu ia dizer mandar à merda. Mas o Beto fez uma promessa de não falar mais palavrão – “não precisa” – e eu vou copiá-lo). Pois é. O Sebastião Cláudio de Jesus resolveu acreditar que a arte imita a vida.
O cidadão sofre de artrite reumática. E precisava de uma nova perícia para continuar recebendo o auxílio do INSS. Ocorreu que o homem foi procurar o serviço público e o médico que o atendeu mandou-lhe jogar as muletas fora e voltar a trabalhar. O brasileiro típico ficou meio nervoso. Mas ainda engoliu o sapo e foi pra casa pensar na vida.
Quis o destino que o tal médico, Rubens Garcia Segura, cruzasse o caminho de Jesus. E justamente num momento que o filho de Deus estava sentindo aquela revolta de quem se sente impotente frente aos desmandos que acometem o INSS. Quis também o destino que Jesus deixasse a brandura de lado e partisse de muletas em punho pra cima do Segura. Deu-lhe tantas muletadas no quengo que o profissional da saúde foi parar no hospital.
Quando fiquei sabendo disso na ronda policial da TV Coroados, respirei aliviado. Não que eu seja a favor da violência. Mas eu compreendo o Jesus. Pena que ele foi preso por lesões corporais. Mas ainda bem que um advogado de boa índole resolveu defendê-lo espontaneamente e de graça. Às vezes penso que se a gente desse umas muletadas nuns desocupados, quebrasse uns vidros quando a fila do banco está imensa e tem apenas dois caixas atendendo, rodar a baiana dentro da loja quando uma certa operadora super simpática resolve deixar os usuários na mão, talvez esse mundo fosse mais bacana pra gente viver. Viva o Jesus, gente!
O cidadão sofre de artrite reumática. E precisava de uma nova perícia para continuar recebendo o auxílio do INSS. Ocorreu que o homem foi procurar o serviço público e o médico que o atendeu mandou-lhe jogar as muletas fora e voltar a trabalhar. O brasileiro típico ficou meio nervoso. Mas ainda engoliu o sapo e foi pra casa pensar na vida.
Quis o destino que o tal médico, Rubens Garcia Segura, cruzasse o caminho de Jesus. E justamente num momento que o filho de Deus estava sentindo aquela revolta de quem se sente impotente frente aos desmandos que acometem o INSS. Quis também o destino que Jesus deixasse a brandura de lado e partisse de muletas em punho pra cima do Segura. Deu-lhe tantas muletadas no quengo que o profissional da saúde foi parar no hospital.
Quando fiquei sabendo disso na ronda policial da TV Coroados, respirei aliviado. Não que eu seja a favor da violência. Mas eu compreendo o Jesus. Pena que ele foi preso por lesões corporais. Mas ainda bem que um advogado de boa índole resolveu defendê-lo espontaneamente e de graça. Às vezes penso que se a gente desse umas muletadas nuns desocupados, quebrasse uns vidros quando a fila do banco está imensa e tem apenas dois caixas atendendo, rodar a baiana dentro da loja quando uma certa operadora super simpática resolve deixar os usuários na mão, talvez esse mundo fosse mais bacana pra gente viver. Viva o Jesus, gente!
Thursday, December 25, 2003
As minhas lembranças do Natal não são das mais felizes. Eu pertenço a uma família de evangélicos que não comemora a data. Dizem que isso é coisa do “mundo”. O fato é que não houve Papai Noel na minha infância. Nunca tivemos aqueles preparativos que começam bem no princípio de dezembro. A família grande sempre foi um empecilho para troca de presentes. De especial mesmo, o almoço. Meu pai sempre apreciou a leitoa pururuca. Fora isso... nada de abrir presentes, nada de correr para a rua e encontrar os amigos e mostrar as novidades. Uma exceção foi em 1976. O seo João queria viajar com a dona Alice para Salvador. E para não me levar, morreu com uma bicicleta Caloi. Recebi o mimo antecipadamente. Mas fiz questão de mostrar a todos os garotos da rua.
O tempo passou e eu decidi não me batizar na Congregação Cristã do Brasil. E isso implicou conhecer as tais coisas do “mundo”. Fiz, efetivamente, muita coisa. Mas o Natal... continua na mesma. Acredita que até hoje nunca enfeitei a minha casa, mesmo morando sozinho durante vários anos?
Na real, sempre fico muito triste no Natal. A razão, concreta, ainda não sei. Mas é assim. Teve um tempo que eu participei de um coral. Éramos um grupo de funcionários do Banco do Brasil. A gente se reunia, ensaiava e depois ia às agências levar a mensagem aos demais colegas e clientes. Tive momentos muito felizes cantando. Certo ano, houve um assalto com refém na agência de Faxinal. A operação durou acho que uns dois ou três dias. Os colegas ficaram “destruídos”. Chegamos no final de uma manhã de surpresa. E entramos no prédio já cantando. Foi um choro só.
Dezembro é um mês de reflexão. Faço aquele famoso balanço. Hoje, olhando para o que foi 2003, vejo muito aprendizado. E, graças a Deus, muitos presentes. Quer saber quais? – o Marcelo Rocha, a Thais e a Patty, morar seis meses com o Beto, o Kico Gemael, a Nalu. A Katya Morbis e a Isabela. Rodrigo Moraes. Mira Graçano, Maria Flores, Taísa Binder, Vanusa Viceli. Nos conhecemos ou aprofundamos nossa amizade no ano que passou. Alguém precisa mais do que amigos para ser feliz?
Das canções que a gente cantava no coral do Banco do Brasil, esta era a minha preferida. Um pouco tardiamente, ofereço a vocês.
“O menino chega e por amor
vai renascer.
Traz nas mãos uma esperança e sorri
pois é Natal.
E no mundo inteiro
a mesma canção de amor e paz.
Que se faz tão doce
quanto o amanhecer.
Quem me dera o ano inteiro
o Natal dentro de nós.
E nas mãos da gente
a mesma canção,
a mesma voz
O presente mais bonito
É viver, é querer bem!
Hoje a festa mais bonita
É sorrir, pois é Natal!”
O tempo passou e eu decidi não me batizar na Congregação Cristã do Brasil. E isso implicou conhecer as tais coisas do “mundo”. Fiz, efetivamente, muita coisa. Mas o Natal... continua na mesma. Acredita que até hoje nunca enfeitei a minha casa, mesmo morando sozinho durante vários anos?
Na real, sempre fico muito triste no Natal. A razão, concreta, ainda não sei. Mas é assim. Teve um tempo que eu participei de um coral. Éramos um grupo de funcionários do Banco do Brasil. A gente se reunia, ensaiava e depois ia às agências levar a mensagem aos demais colegas e clientes. Tive momentos muito felizes cantando. Certo ano, houve um assalto com refém na agência de Faxinal. A operação durou acho que uns dois ou três dias. Os colegas ficaram “destruídos”. Chegamos no final de uma manhã de surpresa. E entramos no prédio já cantando. Foi um choro só.
Dezembro é um mês de reflexão. Faço aquele famoso balanço. Hoje, olhando para o que foi 2003, vejo muito aprendizado. E, graças a Deus, muitos presentes. Quer saber quais? – o Marcelo Rocha, a Thais e a Patty, morar seis meses com o Beto, o Kico Gemael, a Nalu. A Katya Morbis e a Isabela. Rodrigo Moraes. Mira Graçano, Maria Flores, Taísa Binder, Vanusa Viceli. Nos conhecemos ou aprofundamos nossa amizade no ano que passou. Alguém precisa mais do que amigos para ser feliz?

Das canções que a gente cantava no coral do Banco do Brasil, esta era a minha preferida. Um pouco tardiamente, ofereço a vocês.
“O menino chega e por amor
vai renascer.
Traz nas mãos uma esperança e sorri
pois é Natal.
E no mundo inteiro
a mesma canção de amor e paz.
Que se faz tão doce
quanto o amanhecer.
Quem me dera o ano inteiro
o Natal dentro de nós.
E nas mãos da gente
a mesma canção,
a mesma voz
O presente mais bonito
É viver, é querer bem!
Hoje a festa mais bonita
É sorrir, pois é Natal!”
Monday, December 22, 2003
Em primeiro lugar gostaria de dizer que eu continuo bem. Feliz, sobretudo e sobre todas as coisas. E não pense você que isso é uma máscara. Esse bem estar era algo que eu procurava havia muito tempo. Mas é que me aconteceu algo muito chato.
Sábado liguei para minha cunhada Raquel. Queria ir tomar sol na casa dela. Tava um calor de rachar mamona por aqui. Ela disse que tudo bem. Coloquei roupa apropriada, terminei de postar o penúltimo texto. Fui fechar as janelas. O vitrô da cozinha me pregou uma peça.
Como sempre acontecia desde que foi instalado, o tal resolveu emperrar. E como sempre fazíamos, por ensinamento do meu pai, dei uma pancadinha na grade pra forçar a abertura. Não resolveu. Coloquei um pouco mais de força e zaz! Gritei C-A-R-Á-L-E-O! E me dei conta que havia me cortado.
O sangue jorrava solto. Nos azulejos, nos armários, no chão, na mesa. Corri pro banheiro. Joguei água e percebi que o corte era mais profundo que eu imaginara. E saía sangue, muito sangue. Insisti mais um pouco, fui tentando fazer parar o sangramento. Não adiantou. Me deu um certo pânico.
Corri pra área de serviço pegar alguns panos para ajudar a controlar o sangue. Não adiantou. Em poucos segundos, a camiseta velha estava toda ensopada. Aí olhei pros lados e vi o tamanho do estrago. Tudo manchado de vermelho. E dá-lhe sangue. E mais, e mais. A esta altura, o pânico aumentava. Me dei conta que deveria ir para algum posto de saúde ou hospital. Mas, pare! Tenho que limpar antes essa sujeira toda. Imagine a dona Alice chegar, ver o vidro quebrado, sangue por todo o lado, eu fora de casa. Sabe o que mãe pensa neste momento, né?
Pois é. Enrolei mais e mais panos na mão. Limpei todo o sangue que havia dentro da cozinha, banheiro, copa, área de serviço. Peguei o carro e fui pro hospital. Dentro do carro, os panos já estavam ensopados também. O sangue começava a pingar no tapete do carro. Achei que fosse desmaiar. Já tinham passado mais de 15 minutos desde o momento do corte.
No hospital ainda chequei se atendiam pelo meu plano de saúde. O médico, felizmente, estava desocupado. E me atendeu de pronto. Bastou sentar na maca para a pressão cair. Tudo ficou rodando. O chão do Pronto Socorro já estava todo ensangüentado. E a maca onde eu estava deitado também.
Leandro, o médico residente, foi categórico:
- O corte pegou uma artéria. Por isso sangra tanto. Mas fique tranqüilo que vai ficar tudo bem.
Pedi água e um pouco de ar. Me deu vontade de vomitar. De fazer xixi e cocô. Não conseguia firmar a cabeça. E comecei a suar muito.
- É uma reação neurológica. Você vai molhar toda essa roupa de suor, disse o doutor.
Na seqüência me aplicou anestesia – Vai queimar um pouco, agüente aí – e fez um garrote no meu braço. Estancou o sangue e fez a sutura. Três pontos internos e cinco externos.
Já um pouco melhor, perguntei ao médico.
- Você sabe fazer sutura bem feitinho né? Não vou precisar fazer uma plástica na mão, vou?
- Se já está brincando é porque está melhor. Vai ficar quase imperceptível.
Claro que não fui mais tomar banho de piscina na casa do meu irmão. Caiu a ficha e me senti frágil. Pensei, putz grila, como isso foi ocorrer. Uma sensação de impotência. O efeito da anestesia começou a passar e a dor foi forte. Tomei alguns analgésicos, mas tinha uma dor maior que aqueles pontos. Uma sensação ruim de desamparo. Por alguns poucos segundos – olha o canceriano aí, gente – achei que fosse morrer. Felizmente sobrevivi a mais esta. Agora posso garantir uma coisa: é muito ruim, feio e triste perder sangue. Deus que me livre!
Sábado liguei para minha cunhada Raquel. Queria ir tomar sol na casa dela. Tava um calor de rachar mamona por aqui. Ela disse que tudo bem. Coloquei roupa apropriada, terminei de postar o penúltimo texto. Fui fechar as janelas. O vitrô da cozinha me pregou uma peça.
Como sempre acontecia desde que foi instalado, o tal resolveu emperrar. E como sempre fazíamos, por ensinamento do meu pai, dei uma pancadinha na grade pra forçar a abertura. Não resolveu. Coloquei um pouco mais de força e zaz! Gritei C-A-R-Á-L-E-O! E me dei conta que havia me cortado.
O sangue jorrava solto. Nos azulejos, nos armários, no chão, na mesa. Corri pro banheiro. Joguei água e percebi que o corte era mais profundo que eu imaginara. E saía sangue, muito sangue. Insisti mais um pouco, fui tentando fazer parar o sangramento. Não adiantou. Me deu um certo pânico.
Corri pra área de serviço pegar alguns panos para ajudar a controlar o sangue. Não adiantou. Em poucos segundos, a camiseta velha estava toda ensopada. Aí olhei pros lados e vi o tamanho do estrago. Tudo manchado de vermelho. E dá-lhe sangue. E mais, e mais. A esta altura, o pânico aumentava. Me dei conta que deveria ir para algum posto de saúde ou hospital. Mas, pare! Tenho que limpar antes essa sujeira toda. Imagine a dona Alice chegar, ver o vidro quebrado, sangue por todo o lado, eu fora de casa. Sabe o que mãe pensa neste momento, né?
Pois é. Enrolei mais e mais panos na mão. Limpei todo o sangue que havia dentro da cozinha, banheiro, copa, área de serviço. Peguei o carro e fui pro hospital. Dentro do carro, os panos já estavam ensopados também. O sangue começava a pingar no tapete do carro. Achei que fosse desmaiar. Já tinham passado mais de 15 minutos desde o momento do corte.
No hospital ainda chequei se atendiam pelo meu plano de saúde. O médico, felizmente, estava desocupado. E me atendeu de pronto. Bastou sentar na maca para a pressão cair. Tudo ficou rodando. O chão do Pronto Socorro já estava todo ensangüentado. E a maca onde eu estava deitado também.
Leandro, o médico residente, foi categórico:
- O corte pegou uma artéria. Por isso sangra tanto. Mas fique tranqüilo que vai ficar tudo bem.
Pedi água e um pouco de ar. Me deu vontade de vomitar. De fazer xixi e cocô. Não conseguia firmar a cabeça. E comecei a suar muito.
- É uma reação neurológica. Você vai molhar toda essa roupa de suor, disse o doutor.
Na seqüência me aplicou anestesia – Vai queimar um pouco, agüente aí – e fez um garrote no meu braço. Estancou o sangue e fez a sutura. Três pontos internos e cinco externos.
Já um pouco melhor, perguntei ao médico.
- Você sabe fazer sutura bem feitinho né? Não vou precisar fazer uma plástica na mão, vou?
- Se já está brincando é porque está melhor. Vai ficar quase imperceptível.
Claro que não fui mais tomar banho de piscina na casa do meu irmão. Caiu a ficha e me senti frágil. Pensei, putz grila, como isso foi ocorrer. Uma sensação de impotência. O efeito da anestesia começou a passar e a dor foi forte. Tomei alguns analgésicos, mas tinha uma dor maior que aqueles pontos. Uma sensação ruim de desamparo. Por alguns poucos segundos – olha o canceriano aí, gente – achei que fosse morrer. Felizmente sobrevivi a mais esta. Agora posso garantir uma coisa: é muito ruim, feio e triste perder sangue. Deus que me livre!
Saturday, December 20, 2003
Esta minha jornada diária por Londrina me faz chegar em casa sempre muito tarde da noite. Os poucos momentos com minha mãe são pela manhã. É, a dona Alice acorda cedo pra tomar café comigo.
Eis que pego as minhas correspondências e havia um recado dela. “Edi... ligaram do Locatelli. Você ganhou um relógio. É pra você ir buscar. Tem que levar a RG. Beijos, Eu Te amo. Alice”.
Veja que beleza. Eu ganhei um relógio no sorteio do supermercado. Fui buscá-lo ontem. E ele é bem bacana. Clássico, sem frescura. Hoje já devo estreá-lo. O mais bacana disso tudo foi a alegria da minha mãe. Até parecia que eu havia ganho na megasena. Depois de ver o mimo, dona Alice profetizou: “Agora você vai ganhar o carro!”. O veículo em questão é um Celta, que também será sorteado na campanha de natal da cidade.
Esta não foi a primeira vez que eu ganhei algo num sorteio. Em 1982, quando eu estava na sexta série, ganhei a rifa do ovo de páscoa da Escola Estadual Professor Francisco Villanueva. Eu ainda era franzino e o presente era muito grande para os padrões da época. Resultado: telefonaram pra minha casa pedindo pro seo João ir me buscar. Os garotos da oitava série queriam me bater pra tomar o chocolate. Tsc, tsc, tsc.
Em 1987 a minha turma do terceiro ano do colegial – ou melhor, curso técnico em contabilidade -, promoveu uma rifa. O principal prêmio era uma cesta de produtos d’ O Boticário. Levei tudo pra casa e distribui para minhas irmãs e minha mãe. Não tinha sequer um desodorante masculino.
Estávamos em 1989, eu era coordenador do J.A.C (Jovens Amigos de Cristo). A Pastoral da Juventude resolveu fazer uma rifa para ajudar não sei qual entidade. Todos os prêmios foram doados pela própria comunidade. Adivinhe o que eu ganhei? Uma leitoa. Isso mesmo, uma l-e-i-t-o-a. Ainda bem que estava assada.
O ano era 1991 e eu decidira morar sozinho depois de ser transferido para o Cesec Londrina e ter batido o carro quando voltava pra Rolândia. Uma amiga da minha mãe estava desesperada vendendo rifas para comprar remédios pra não sei quem. O prêmio era um jogo de panelas. Dona Alice foi enfática: “- Compra filho. Se você ganhar, já vai ter panela pra fazer comida”. Batata. Ganhei a rifa.
Será que eu tenho chance de ganhar na Megasena de R$ 40 milhões?
**********************************
Ontem entreguei os meus pés às mãos firmes da Cecília. Quase desmaiei de dor, de novo. Mas ela conseguiu desencravar a unha do dedão do pé.
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
Eu não passei no concurso da TV Câmara. Contei pra analista e ela questionou de pronto:
- Como você está se sentindo?
- Ótimo.
- Não ficou chateado?
- Não, nem um pouco. Eu acho que não estava com vontade de me mudar pra Brasília. Quando a gente não quer, as coisas não acontecem, né?
- É. É verdade.
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
Provavelmente a partir do dia 19 de fevereiro, os caros amigos poderão me visitar no meu apartamento. Eba, viva o sexo! Adeus motéis. Minha vida sexual voltará aos padrões e ritmo que considero razoáveis. Eba, eba, eba....
Logo depois de desencravar a unha, estufei o peito e entreguei a carta pedindo o imóvel de volta. A Helena, da Imobiliária Rosa Okada, ainda duvidava:
- Tem certeza?
- Absoluta. Não agüento de vontade de ter o meu canto de volta.
- Vai ter multa.
- Não tem problema. Faça a vistoria, veja se o meu apartamento está do jeito que eu deixei e me diga o valor da multa. Vou pagar à vista. E se o inquilino puder antecipar o prazo estabelecido no contrato, será muito, muito, muito legal.
- Então tá. Feliz Natal pro senhor.
- Será um excelente Natal, Helena, excelente.
Eis que pego as minhas correspondências e havia um recado dela. “Edi... ligaram do Locatelli. Você ganhou um relógio. É pra você ir buscar. Tem que levar a RG. Beijos, Eu Te amo. Alice”.
Veja que beleza. Eu ganhei um relógio no sorteio do supermercado. Fui buscá-lo ontem. E ele é bem bacana. Clássico, sem frescura. Hoje já devo estreá-lo. O mais bacana disso tudo foi a alegria da minha mãe. Até parecia que eu havia ganho na megasena. Depois de ver o mimo, dona Alice profetizou: “Agora você vai ganhar o carro!”. O veículo em questão é um Celta, que também será sorteado na campanha de natal da cidade.
Esta não foi a primeira vez que eu ganhei algo num sorteio. Em 1982, quando eu estava na sexta série, ganhei a rifa do ovo de páscoa da Escola Estadual Professor Francisco Villanueva. Eu ainda era franzino e o presente era muito grande para os padrões da época. Resultado: telefonaram pra minha casa pedindo pro seo João ir me buscar. Os garotos da oitava série queriam me bater pra tomar o chocolate. Tsc, tsc, tsc.
Em 1987 a minha turma do terceiro ano do colegial – ou melhor, curso técnico em contabilidade -, promoveu uma rifa. O principal prêmio era uma cesta de produtos d’ O Boticário. Levei tudo pra casa e distribui para minhas irmãs e minha mãe. Não tinha sequer um desodorante masculino.
Estávamos em 1989, eu era coordenador do J.A.C (Jovens Amigos de Cristo). A Pastoral da Juventude resolveu fazer uma rifa para ajudar não sei qual entidade. Todos os prêmios foram doados pela própria comunidade. Adivinhe o que eu ganhei? Uma leitoa. Isso mesmo, uma l-e-i-t-o-a. Ainda bem que estava assada.
O ano era 1991 e eu decidira morar sozinho depois de ser transferido para o Cesec Londrina e ter batido o carro quando voltava pra Rolândia. Uma amiga da minha mãe estava desesperada vendendo rifas para comprar remédios pra não sei quem. O prêmio era um jogo de panelas. Dona Alice foi enfática: “- Compra filho. Se você ganhar, já vai ter panela pra fazer comida”. Batata. Ganhei a rifa.
Será que eu tenho chance de ganhar na Megasena de R$ 40 milhões?
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Ontem entreguei os meus pés às mãos firmes da Cecília. Quase desmaiei de dor, de novo. Mas ela conseguiu desencravar a unha do dedão do pé.
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
Eu não passei no concurso da TV Câmara. Contei pra analista e ela questionou de pronto:
- Como você está se sentindo?
- Ótimo.
- Não ficou chateado?
- Não, nem um pouco. Eu acho que não estava com vontade de me mudar pra Brasília. Quando a gente não quer, as coisas não acontecem, né?
- É. É verdade.
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Provavelmente a partir do dia 19 de fevereiro, os caros amigos poderão me visitar no meu apartamento. Eba, viva o sexo! Adeus motéis. Minha vida sexual voltará aos padrões e ritmo que considero razoáveis. Eba, eba, eba....
Logo depois de desencravar a unha, estufei o peito e entreguei a carta pedindo o imóvel de volta. A Helena, da Imobiliária Rosa Okada, ainda duvidava:
- Tem certeza?
- Absoluta. Não agüento de vontade de ter o meu canto de volta.
- Vai ter multa.
- Não tem problema. Faça a vistoria, veja se o meu apartamento está do jeito que eu deixei e me diga o valor da multa. Vou pagar à vista. E se o inquilino puder antecipar o prazo estabelecido no contrato, será muito, muito, muito legal.
- Então tá. Feliz Natal pro senhor.
- Será um excelente Natal, Helena, excelente.
Monday, December 15, 2003
Alguém conhece sentimento mais difícil de ser decifrado? Sempre achei muito curioso perceber todo mundo desejando ser feliz e, quando a gente pergunta do que se trata, poucos conseguem responder. E quando essa tal felicidade chegar, como saber?
Às vezes fico com a sensação que a gente se preocupa tanto em encontrá-la e, de repente, ela está ali, ao alcance das mãos e fica despercebida. Às vezes até muito, muito mais perto. Pra ser mais exato, dentro da gente.
É, caros amigos, visitantes deste blog: eu estou feliz. E não ganhei na loteria, não encontrei a pessoa da minha vida, não estou ganhando rios de dinheiro com a minha profissão. Devo confessar até que estou com a unha do dedão encravada. Mas, vejam só: feliz. Feliz, feliz, feliz. Como é que pode? Como é isso? Infelizmente não dá pra desenhar. De modo que a explicação exata do que isso significa pode estar apenas e tão somente nos meus olhos.
Bem, vá lá que é preciso colocar em palavras esse sentimento. Então vou aproveitar a sessão nostalgia que rolou ontem na excelente festa na casa do Guilherme e da Gabi e relembrar alguns versos muito singelos: “...se esta rua fosse minha. Eu mandava ladrilhar. Com o brilho dos seus olhos. Só pro meu amor passar”.
Fazem parte da música “Coração de Papelão”, cantada pelo Jairzinho e Simony. Fez sucesso estrondoso em 1986/1987. Eu ouvi-a pela primeira vez na antiga loja Mesbla. E aquele foi um ano bom. Eu passara no concurso do Banco do Brasil, estava completamente apaixonado, tinha uma viagem programada para o Rio de Janeiro. Já tinha grana pra comprar o meu primeiro carro, um Passat com teto solar e tudo.
Mas voltando à tal felicidade, acho que eu tenho alguns indicativos desse sentimento. Depois de bons meses deprimido, chorando, buscando respostas no mundo exterior para minhas angústias, descobri que nada que estiver fora de mim me dará um pouco de paz. Ou felicidade, se preferir.
Eu sou um cara legal e pronto. Trabalho, pago meus impostos, não jogo lixo nas ruas. De vez em quando tomo um pilequinho. Gosto de estudar. Sinto prazer em obter as mais variadas informações, sobre os assuntos mais díspares. Eu aprecio bons perfumes, vinhos e comidas. Gosto muito de sexo. E, sem falsa modéstia, pratico-o com a determinação necessária para dar e ter prazer. Aos 33 anos, percebo que tenho força. Espiritual, de caráter, física. Posso me equilibrar numa única perna, na posição da águia por vários minutos.
Mas acho que ainda não é tudo. Eu sou um amigo leal. Sou afetuoso, companheiro. E um afortunado. Deus nunca me deixou só. Tenho amigos maravilhosos. Um verdadeiro tesouro. Posso citar aqui o Zero, o Carlos, o Marcos, o Marcos Anselmo, a Janaína, a Thais, a Patty, a Denise, a Raquel, Marcelo Rocha, Marcelo Frazão, Jonas, Keno, Juliano, Cíntia Helena. E tem ainda a Fabíola, a Lélia, a Rose, o Ricardo, o James, o Leonardo, o Alexandre. O Fábio, o Rodrigo Grota, o Moraes, a Lea. E a Taísa, a Mira, a Maria Flores, o Clecio, a Nalu, o Kico Gemael. E o Roberto, o Adilson, o Bosco. E a Vanusa, Luciana, a Simone.
Com tudo isso, dá pra não ser feliz? Eu quero cantarolar os versos da Simony e Jairzinho por muitos dias. E reencontrar o Alcides, o meu médico da alma. Pra dizer-lhe que ele tinha toda razão: não adianta colocar os sinos onde eles não tocam.
Às vezes fico com a sensação que a gente se preocupa tanto em encontrá-la e, de repente, ela está ali, ao alcance das mãos e fica despercebida. Às vezes até muito, muito mais perto. Pra ser mais exato, dentro da gente.
É, caros amigos, visitantes deste blog: eu estou feliz. E não ganhei na loteria, não encontrei a pessoa da minha vida, não estou ganhando rios de dinheiro com a minha profissão. Devo confessar até que estou com a unha do dedão encravada. Mas, vejam só: feliz. Feliz, feliz, feliz. Como é que pode? Como é isso? Infelizmente não dá pra desenhar. De modo que a explicação exata do que isso significa pode estar apenas e tão somente nos meus olhos.

Bem, vá lá que é preciso colocar em palavras esse sentimento. Então vou aproveitar a sessão nostalgia que rolou ontem na excelente festa na casa do Guilherme e da Gabi e relembrar alguns versos muito singelos: “...se esta rua fosse minha. Eu mandava ladrilhar. Com o brilho dos seus olhos. Só pro meu amor passar”.
Fazem parte da música “Coração de Papelão”, cantada pelo Jairzinho e Simony. Fez sucesso estrondoso em 1986/1987. Eu ouvi-a pela primeira vez na antiga loja Mesbla. E aquele foi um ano bom. Eu passara no concurso do Banco do Brasil, estava completamente apaixonado, tinha uma viagem programada para o Rio de Janeiro. Já tinha grana pra comprar o meu primeiro carro, um Passat com teto solar e tudo.
Mas voltando à tal felicidade, acho que eu tenho alguns indicativos desse sentimento. Depois de bons meses deprimido, chorando, buscando respostas no mundo exterior para minhas angústias, descobri que nada que estiver fora de mim me dará um pouco de paz. Ou felicidade, se preferir.
Eu sou um cara legal e pronto. Trabalho, pago meus impostos, não jogo lixo nas ruas. De vez em quando tomo um pilequinho. Gosto de estudar. Sinto prazer em obter as mais variadas informações, sobre os assuntos mais díspares. Eu aprecio bons perfumes, vinhos e comidas. Gosto muito de sexo. E, sem falsa modéstia, pratico-o com a determinação necessária para dar e ter prazer. Aos 33 anos, percebo que tenho força. Espiritual, de caráter, física. Posso me equilibrar numa única perna, na posição da águia por vários minutos.
Mas acho que ainda não é tudo. Eu sou um amigo leal. Sou afetuoso, companheiro. E um afortunado. Deus nunca me deixou só. Tenho amigos maravilhosos. Um verdadeiro tesouro. Posso citar aqui o Zero, o Carlos, o Marcos, o Marcos Anselmo, a Janaína, a Thais, a Patty, a Denise, a Raquel, Marcelo Rocha, Marcelo Frazão, Jonas, Keno, Juliano, Cíntia Helena. E tem ainda a Fabíola, a Lélia, a Rose, o Ricardo, o James, o Leonardo, o Alexandre. O Fábio, o Rodrigo Grota, o Moraes, a Lea. E a Taísa, a Mira, a Maria Flores, o Clecio, a Nalu, o Kico Gemael. E o Roberto, o Adilson, o Bosco. E a Vanusa, Luciana, a Simone.
Com tudo isso, dá pra não ser feliz? Eu quero cantarolar os versos da Simony e Jairzinho por muitos dias. E reencontrar o Alcides, o meu médico da alma. Pra dizer-lhe que ele tinha toda razão: não adianta colocar os sinos onde eles não tocam.
Friday, December 12, 2003
Hoje eu tive um acesso de delicadeza que poucos já tiveram o desprazer de presenciar. Foi com a Vivo, esta operadora de celular que há uma semana apresenta problemas na região cujo DDD é o 43. Antes de relatar o ocorrido, devo registrar que estou feliz. Talvez esteja vivendo o momento mais pleno deste ano. Que ninguém venha me dizer que é porque não estou bem.
Ocorreu que a minha amiga Janaína tentou falar comigo. O seu celular tocou? O meu também não. Daí, adentrando no Catuaí, tentei ligar pra ela. Humpf! Não deu. Daí corri pro telefone público. O celular da Janaína atendeu? Claro que não. Bom, mesmo morrendo de fome, resolvi ir até a loja da Vivo. Chegando lá, veio a miss simpatia.
- Boa noite. Posso ajudar o senhor?
- Claro que pode. Você pode fazer o meu celular voltar a funcionar?
- Pois é, senhor, veja bem...
- Eu já sei que vocês estão com problemas no sistema porque já liguei pro serviço de atendimento. Eu quero voltar a falar ao celular.
- Posso fazer um teste?
- Claro.
- O problema é mais receber, né?
- Não. Tentei ligar pr’uma amiga agora e não consegui. Aliás, hoje recebi apenas uma ligação. E não consegui ligar pra ninguém.
- Só um minutinho.
- ...
- Deu certo, senhor. Completou a ligação.
- Isso é apenas uma questão de sorte. Faz uma semana que este aparelho funciona quando quer.
- Pois é, a gente está com problema no sistema.
- Você já disse isso três vezes. (alterando a voz) Eu quero que você cumpra a sua parte no contrato que a gente assinou.
- Como assim?
- Eu pago uma tarifa mensal pra você me oferecer um serviço. Mas há uma semana você não cumpre a sua parte.
- Eu não tenho culpa.
- Mas você representa a empresa. Quero falar com o gerente.
Na sala da gerente.
- Boa noite senhor Edenilson.
- Boa noite. Eu já sei que vocês estão com problemas no sistema. Eu quero saber de que forma você vai resolver o meu problema.
- Pois é. A nossa empresa está com problemas no sistema e...
- Eu já sei disso moça. Eu quero que você resolva a questão. Quero cancelar o meu contrato.
- Mesmo o senhor já sabendo que estamos com problemas no sistema, eu gostaria de dizer que nossa equipe técnica já está trabalhando para resolver essas dificuldades. Nós não queremos que os clientes fiquem insatisfeitos.
- Isso só pode ser uma piada. Sabe qual é o problema de vocês? Vendem celular como chuchu e não têm capacidade técnica para atender todo mundo. Você precisa me indenizar por não estar cumprindo a sua parte no contrato que eu assinei com vocês.
- Eu não posso fazer isso. O senhor vai ter que estar ligando para o serviço de atendimento.
- Por que você está falando no gerúndio?
- Ãhn?
- Por que você está falando no gerúndio? Você não sabe que isso enfeia a língua portuguesa? E isso é algo que irrita ainda mais clientes como eu?
- Desculpe.
- Bom, o fato é que você não vai resolver o meu problema. A sua função como gerente não é administrar problemas?
- Senhor, eu sou responsável pela loja.
- Já que vi que não vai dar certo, né?
A conversa que eu tive com a atendente Michele, do serviço de atendimento, eu nem vou descrever. Apenas citar que mandei-a à merda, já que ela não conseguia resolver porra nenhuma. Neste momento a cidadã magoou.
- Senhor, eu estou lhe tratando com educação. Se o senhor continuar falando palavrão, eu vou estar tendo que estar interrompendo a ligação.
- Não fale no gerúndio. Isso me irrita ainda mais. Eu quero falar com alguém que mande aí.
- Claro senhor. Tenha uma excelente noite, um feliz natal e...
- Passe logo essa ligação.
Alguns segundos depois....
- Rodrigo Xavier. Boa noite senhor Edenilson.
- Boa noite. Estou muito irritado com essa empresa e quero cancelar o meu contrato.
- Mas por que?
- Vamos encurtar essa conversa. Vocês não estão cumprindo a parte que lhes cabe no contrato e não quero continuar sendo cliente de vocês. Eu quero que vocês me liberem da multa por antecipar a rescisão.
- Isso eu não posso fazer. O senhor vai ter que pagar a multa.
- Pagar a multa? Quer dizer que vocês oferecem um serviço ruim e eu sou obrigado a pagar um valor pra me ver livre de vocês?
- Infelizmente é assim. Eu sei que o senhor é jornalista e compreendo a sua raiva.
- Quem lhe disse que eu sou jornalista?
- Eu li no seu cadastro.
- Pois é. Faz uma semana que eu não consigo falar ao celular.
- Eu sei. Nós estamos com problemas no sistema.
- Isso eu já sei. Quando é que vocês vão resolver esta situação?
- Pra falar a verdade, não posso dar um prazo. Pode ser um minuto, uma hora, dez dias.
- Quer dizer, desrespeito total com os clientes? Qual o valor da multa que eu tenho que pagar?
- R$ 101,00.
- Bom, eu posso ir ao Procon.
- Claro que pode.
- Se bem que isso não faz a menor diferença pra vocês, né? Eu sei que a Vivo é a campeã de reclamações no Procon. Lá vocês também tratam cliente com esse desrespeito?
- Não, claro que não!
- Quer dizer que desrespeito mesmo é só assim por telefone?
- Senhor, tenho uma proposta. A Vivo vai lhe dar 100 minutos de ligações grátis de Vivo para Vivo. Isso representa R$ 56. E vou deixar sem prazo. O senhor pode usar quando quiser.
- Rodrigo, o seu nome?
- Isso.
- Pois é Rodrigo. Segunda-feira eu vou procurar o Procon e ver o que é possível fazer.
- Meu senhor, são 100 minutos com prazo indeterminado.
- Isso não me interessa. Eu quero rescindir o contrato sem pagar a multa já que vocês não oferecem um bom serviço e não cumprem a parte de vocês.
- São 100 minutos, senhor.
- Eu já ouvi. E vou procurar o Procon na segunda-feira. Passe bem.
Queridos companheiros que visitam este blog! Ajudem-me a detonar a Vivo, por favor. Joguem ovos, xinguem, falem mal. Estou precisando de apoio neste momento.
Ocorreu que a minha amiga Janaína tentou falar comigo. O seu celular tocou? O meu também não. Daí, adentrando no Catuaí, tentei ligar pra ela. Humpf! Não deu. Daí corri pro telefone público. O celular da Janaína atendeu? Claro que não. Bom, mesmo morrendo de fome, resolvi ir até a loja da Vivo. Chegando lá, veio a miss simpatia.
- Boa noite. Posso ajudar o senhor?
- Claro que pode. Você pode fazer o meu celular voltar a funcionar?
- Pois é, senhor, veja bem...
- Eu já sei que vocês estão com problemas no sistema porque já liguei pro serviço de atendimento. Eu quero voltar a falar ao celular.
- Posso fazer um teste?
- Claro.
- O problema é mais receber, né?
- Não. Tentei ligar pr’uma amiga agora e não consegui. Aliás, hoje recebi apenas uma ligação. E não consegui ligar pra ninguém.
- Só um minutinho.
- ...
- Deu certo, senhor. Completou a ligação.
- Isso é apenas uma questão de sorte. Faz uma semana que este aparelho funciona quando quer.
- Pois é, a gente está com problema no sistema.
- Você já disse isso três vezes. (alterando a voz) Eu quero que você cumpra a sua parte no contrato que a gente assinou.
- Como assim?
- Eu pago uma tarifa mensal pra você me oferecer um serviço. Mas há uma semana você não cumpre a sua parte.
- Eu não tenho culpa.
- Mas você representa a empresa. Quero falar com o gerente.
Na sala da gerente.
- Boa noite senhor Edenilson.
- Boa noite. Eu já sei que vocês estão com problemas no sistema. Eu quero saber de que forma você vai resolver o meu problema.
- Pois é. A nossa empresa está com problemas no sistema e...
- Eu já sei disso moça. Eu quero que você resolva a questão. Quero cancelar o meu contrato.
- Mesmo o senhor já sabendo que estamos com problemas no sistema, eu gostaria de dizer que nossa equipe técnica já está trabalhando para resolver essas dificuldades. Nós não queremos que os clientes fiquem insatisfeitos.
- Isso só pode ser uma piada. Sabe qual é o problema de vocês? Vendem celular como chuchu e não têm capacidade técnica para atender todo mundo. Você precisa me indenizar por não estar cumprindo a sua parte no contrato que eu assinei com vocês.
- Eu não posso fazer isso. O senhor vai ter que estar ligando para o serviço de atendimento.
- Por que você está falando no gerúndio?
- Ãhn?
- Por que você está falando no gerúndio? Você não sabe que isso enfeia a língua portuguesa? E isso é algo que irrita ainda mais clientes como eu?
- Desculpe.
- Bom, o fato é que você não vai resolver o meu problema. A sua função como gerente não é administrar problemas?
- Senhor, eu sou responsável pela loja.
- Já que vi que não vai dar certo, né?
A conversa que eu tive com a atendente Michele, do serviço de atendimento, eu nem vou descrever. Apenas citar que mandei-a à merda, já que ela não conseguia resolver porra nenhuma. Neste momento a cidadã magoou.
- Senhor, eu estou lhe tratando com educação. Se o senhor continuar falando palavrão, eu vou estar tendo que estar interrompendo a ligação.
- Não fale no gerúndio. Isso me irrita ainda mais. Eu quero falar com alguém que mande aí.
- Claro senhor. Tenha uma excelente noite, um feliz natal e...
- Passe logo essa ligação.
Alguns segundos depois....
- Rodrigo Xavier. Boa noite senhor Edenilson.
- Boa noite. Estou muito irritado com essa empresa e quero cancelar o meu contrato.
- Mas por que?
- Vamos encurtar essa conversa. Vocês não estão cumprindo a parte que lhes cabe no contrato e não quero continuar sendo cliente de vocês. Eu quero que vocês me liberem da multa por antecipar a rescisão.
- Isso eu não posso fazer. O senhor vai ter que pagar a multa.
- Pagar a multa? Quer dizer que vocês oferecem um serviço ruim e eu sou obrigado a pagar um valor pra me ver livre de vocês?
- Infelizmente é assim. Eu sei que o senhor é jornalista e compreendo a sua raiva.
- Quem lhe disse que eu sou jornalista?
- Eu li no seu cadastro.
- Pois é. Faz uma semana que eu não consigo falar ao celular.
- Eu sei. Nós estamos com problemas no sistema.
- Isso eu já sei. Quando é que vocês vão resolver esta situação?
- Pra falar a verdade, não posso dar um prazo. Pode ser um minuto, uma hora, dez dias.
- Quer dizer, desrespeito total com os clientes? Qual o valor da multa que eu tenho que pagar?
- R$ 101,00.
- Bom, eu posso ir ao Procon.
- Claro que pode.
- Se bem que isso não faz a menor diferença pra vocês, né? Eu sei que a Vivo é a campeã de reclamações no Procon. Lá vocês também tratam cliente com esse desrespeito?
- Não, claro que não!
- Quer dizer que desrespeito mesmo é só assim por telefone?
- Senhor, tenho uma proposta. A Vivo vai lhe dar 100 minutos de ligações grátis de Vivo para Vivo. Isso representa R$ 56. E vou deixar sem prazo. O senhor pode usar quando quiser.
- Rodrigo, o seu nome?
- Isso.
- Pois é Rodrigo. Segunda-feira eu vou procurar o Procon e ver o que é possível fazer.
- Meu senhor, são 100 minutos com prazo indeterminado.
- Isso não me interessa. Eu quero rescindir o contrato sem pagar a multa já que vocês não oferecem um bom serviço e não cumprem a parte de vocês.
- São 100 minutos, senhor.
- Eu já ouvi. E vou procurar o Procon na segunda-feira. Passe bem.
Queridos companheiros que visitam este blog! Ajudem-me a detonar a Vivo, por favor. Joguem ovos, xinguem, falem mal. Estou precisando de apoio neste momento.
Tuesday, December 09, 2003
Calor escaldante nestas terras vermelhas, pego meu automóvel e saio por aí. E me vem a cabeça o quanto é besta a gente dirigir. No começo, como tudo, parece um bicho de sete cabeças. Depois fica tão automático que, se a gente bobear, acaba batendo o veículo sem querer.
Pisa na embreagem, solta devagar e vai acelerando. Pronto. A receita é muito simples. Mas o carro é muito mais provocador que isso. É a verdadeira dimensão daquilo que chamamos de viagem, seja no sentido literal, seja no metafórico. Sem delírios, não fumei maconha. Quando estou irritado, por exemplo, adoro sair por aí.
Agora dei pra gostar um pouco mais de velocidade. É que não é muito fácil enfrentar os 25 quilômetros diários para ir à Londrina, duas vezes, dependendo do dia.
Além desse relax, acho muito bacana as paqueras no trânsito. Algumas delas, graças a Deus, viraram sexo. E da melhor qualidade. Com ISO 9000 e tudo. A abordagem, nessas situações, é interessante.
- Beleza?
- Beleza.
- Quente, né?
- É. Quente.
- Passeando?
- Passeando.
- É só isso que você faz pra se divertir?
- Como assim?
- O seu passatempo preferido é apenas passear sem rumo?
- Não. Claro que não.
- O que você gosta de fazer nas horas vagas?
- Bom, agora por exemplo, eu gostaria de fazer sexo.
- Na sua casa ou na minha?
Resolvi escrever sobre o carro porque hoje me dei conta de uma coisa. Repito diariamente o ritual que meu pai fazia quando eu morava aqui e ia para a faculdade em Londrina.
Todo dia de manhã ele me acordava. Enquanto eu tomava banho, seo João preparava o café. Levava uma xícara para minha mãe na cama. Banho tomado, mesa posta, ele abria o portão e a garagem. Ligava meu carro e deixava-o esquentando. Dizia que era pra amaciar o motor.
Aqui, em Rolândia, tenho feito isso todos os dias. Quando morava em Curitiba, o Beto me disse certa vez que o pai dele, o seo José Martins, ficaria orgulhoso de saber que eu esquentava o carro antes de sair. Deve ser coisa de pai.
Pisa na embreagem, solta devagar e vai acelerando. Pronto. A receita é muito simples. Mas o carro é muito mais provocador que isso. É a verdadeira dimensão daquilo que chamamos de viagem, seja no sentido literal, seja no metafórico. Sem delírios, não fumei maconha. Quando estou irritado, por exemplo, adoro sair por aí.
Agora dei pra gostar um pouco mais de velocidade. É que não é muito fácil enfrentar os 25 quilômetros diários para ir à Londrina, duas vezes, dependendo do dia.
Além desse relax, acho muito bacana as paqueras no trânsito. Algumas delas, graças a Deus, viraram sexo. E da melhor qualidade. Com ISO 9000 e tudo. A abordagem, nessas situações, é interessante.
- Beleza?
- Beleza.
- Quente, né?
- É. Quente.
- Passeando?
- Passeando.
- É só isso que você faz pra se divertir?
- Como assim?
- O seu passatempo preferido é apenas passear sem rumo?
- Não. Claro que não.
- O que você gosta de fazer nas horas vagas?
- Bom, agora por exemplo, eu gostaria de fazer sexo.
- Na sua casa ou na minha?
Resolvi escrever sobre o carro porque hoje me dei conta de uma coisa. Repito diariamente o ritual que meu pai fazia quando eu morava aqui e ia para a faculdade em Londrina.
Todo dia de manhã ele me acordava. Enquanto eu tomava banho, seo João preparava o café. Levava uma xícara para minha mãe na cama. Banho tomado, mesa posta, ele abria o portão e a garagem. Ligava meu carro e deixava-o esquentando. Dizia que era pra amaciar o motor.
Aqui, em Rolândia, tenho feito isso todos os dias. Quando morava em Curitiba, o Beto me disse certa vez que o pai dele, o seo José Martins, ficaria orgulhoso de saber que eu esquentava o carro antes de sair. Deve ser coisa de pai.
Tuesday, December 02, 2003
Hoje caminhava Professor João Cândido e tive um pensamento pra lá de besta. É que eu vi um garoto falando ao celular. No exato momento tocou o meu. Daí que eu lembrei de como a vida é engraçada. Veio à memória o exato dia em que meu pai comprou o telefone da Telepar. Custou uma fortuna, lá pelos idos de 1979.
O negócio foi feito com o Dema, de Waldemar Sartori, grande amigo da família, que já morreu de câncer. O 256-1478 já era do Dema e da Zaira, a mulher dele, e desde então é referência pra mim e minha família. Toda vez que tocava o telefone, eu e minha irmã, a Lalda (será que é por causa do nome da minha irmã que eu virei jornalista?) saíamos em disparada para ver quem conseguia atender primeiro. E sempre era a mesma frase, dita esbaforidamente: - Alô, com quem você quer falar?
Nos primeiros dias, óbvio, nunca era pra gente. Sempre pediam por alguém da família do Dema. Ele tinha os filhos Adilson, Beto e Ângela – que também já morreu – além da Sílvia, super amiga da minha outra irmã – a Madalena – cunhada dele. Ufa.
A dona Laura, vizinha até hoje da minha mãe, mulher do seo Miguel e mãe do Paulo, que foi preso por assalto à mão armada, sempre vinha pedir para usar o telefone pra falar com a filha dela que morava em Curitiba. Dava o fim do mês e ela aparecia com dinheiro pra acertar a conta com a minha mãe. Só há pouco tempo, depois que a Telebrás foi privatizada que a família da dona Laura conseguiu ter o próprio aparelho em casa.
O telefone trouxe muitas boas notícias pra gente. Mudou a nossa vida. E hoje, vendo aquele garoto falando marotamente pelo celular, lembrei que até o meu querido amigo Keno me achou no tal aparelhinho lá em Curitiba, falando diretamente de Boston, nos Estados Unidos. Foi tão bom falar com ele. Mas tão bom, tão bom, tão bom, que hoje eu pensei como é que a gente pôde viver tanto tempo da nossa vida sem um celular? Alguém sabe?
O negócio foi feito com o Dema, de Waldemar Sartori, grande amigo da família, que já morreu de câncer. O 256-1478 já era do Dema e da Zaira, a mulher dele, e desde então é referência pra mim e minha família. Toda vez que tocava o telefone, eu e minha irmã, a Lalda (será que é por causa do nome da minha irmã que eu virei jornalista?) saíamos em disparada para ver quem conseguia atender primeiro. E sempre era a mesma frase, dita esbaforidamente: - Alô, com quem você quer falar?
Nos primeiros dias, óbvio, nunca era pra gente. Sempre pediam por alguém da família do Dema. Ele tinha os filhos Adilson, Beto e Ângela – que também já morreu – além da Sílvia, super amiga da minha outra irmã – a Madalena – cunhada dele. Ufa.
A dona Laura, vizinha até hoje da minha mãe, mulher do seo Miguel e mãe do Paulo, que foi preso por assalto à mão armada, sempre vinha pedir para usar o telefone pra falar com a filha dela que morava em Curitiba. Dava o fim do mês e ela aparecia com dinheiro pra acertar a conta com a minha mãe. Só há pouco tempo, depois que a Telebrás foi privatizada que a família da dona Laura conseguiu ter o próprio aparelho em casa.
O telefone trouxe muitas boas notícias pra gente. Mudou a nossa vida. E hoje, vendo aquele garoto falando marotamente pelo celular, lembrei que até o meu querido amigo Keno me achou no tal aparelhinho lá em Curitiba, falando diretamente de Boston, nos Estados Unidos. Foi tão bom falar com ele. Mas tão bom, tão bom, tão bom, que hoje eu pensei como é que a gente pôde viver tanto tempo da nossa vida sem um celular? Alguém sabe?