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Sunday, November 30, 2003
Hoje foi um domingo especial. É que minha mãe, a dona Alice, comemorou 71 anos de idade. A gente tinha combinado de almoçar em Londrina, mas minha irmã de Palotina resolveu fazer surpresa. Acabamos comemorando na casa do meu irmão David.
A dona Alice tem sido uma grande surpresa há algum tempo. Desde a morte do meu pai, principalmente. Com meu pai, ela completou bodas de ouro, numa cerimônia muito bonita que a gente fez poucos meses antes dele partir para sempre. Ainda no final de setembro de 2001, descobrimos que ela estava com um problema sério no joelho e foi submetida a uma cirurgia. Ficou vários meses na cadeira de rodas. Se alguém já passou por isso ou conviveu com algum parente/amigo nessas condições, sabe o que eu estou falando.
A família Almeida não é diferente das outras. Isso quer dizer que temos afetos e desafetos de vez em quando. Não somos tão unidos quanto gostaríamos. Sei que isso magoa minha mãe. Mas também acredito que não serei capaz de aplacar todas as dores que ela sente.
Eu tinha uma idéia errada sobre a minha mãe. Achava que ela entregaria os pontos. Mas isso nunca ocorreu.
Quando decidi ir pra Curitiba, ela me deu a maior força, mesmo sabendo que sofreria muito. Amor de mãe tem dessas concessões. Meus irmãos sempre foram muito ausentes, mas ela tenta enfrentar do melhor jeito possível. Sofre, claro. Mas suporta.
Ao regressar a Rolândia em agosto deste ano, nossa relação se estreitou. Ela estava com alguns problemas de saúde bastante sérios. Inclusive uma suspeita, não confirmada, graças a Deus, de câncer. Algumas vezes cheguei a achar que ela fazia drama. Mas numa maratona feita por médicos de várias especialidades, vi – concretamente – que o tempo realmente tinha sido cruel com ela.
Senti uma tristeza profunda quando duas professoras de hidroginástica recusaram a dona Alice nas aulas. Ela não conseguia se equilibrar para fazer os exercícios. Me deu desespero ver ela tentar, mas mostrar-se frágil a tal ponto.Percebi que o caminho era ela emagrecer, além de contratarmos um fisioterapeuta exclusivo.
Hoje, três meses depois, a Dona Alice está seis quilos mais magra. Isso lhe dá melhores condições de se exercitar. Ficou amicíssima do Marquinho, o fisioterapeuta, e da Rosana, a nutricionista. Ontem ele veio aqui abraçá-la pelo aniversário. Como disse ao Beto, certo dia, o importante não seria curá-la, mas dar-lhe um pouco mais de conforto.
Perto de sair de Rolândia novamente, sinto uma alegria imensa ao vê-la caminhando com mais facilidade no quintal da nossa casa. Sempre relembro a garra e determinação dessa senhora de cabelos brancos, corpo arcado e mãos calejadas de sempre ter trabalhado muito ao lado do meu pai para educar a mim e aos sete filhos. O meu pai apenas escrevia o nome. Já a mãe, estudou até a quarta série. Isso, porém, nunca foi problema para que os dois nos mostrassem o caminho da retidão.
Além de nos ensinar a sermos corretos, também mostraram como a gente deveria ser solidário com as pessoas. Estranhei quando um homem sujo bateu palmas na porta de nossa casa em Rolândia. Ele se autodenominou bêbado, mas amigo do meu pai. Queria um prato de comida. Aquilo me incomodou, mas vim falar com a dona Alice. Ela fez um prato com o que tínhamos no almoço e me disse que não era possível negar comida a quem passa fome. Era muito feio e desumano.
Sempre foi assim. Para ajudar os filhos, os amigos, os vizinhos que precisavam ser levados ao hospital, para velar parentes fora da cidade. Acho que sempre demonstrei os meus sentimentos pelos meus pais. Fico feliz de conseguir fazer isso. Esse post, na verdade, é apenas para registrar, concretamente, o meu orgulho de ser filho da dona Alice e do seo João.
De hoje ter podido lhe proporcionar um pouco de alegria. De estar ao lado dela nessa fase de recuperação. De ser feliz por ter nascido neste lar. Não creio em acaso. Acho que foi um presente divino estar ao lado deles nessa caminhada. E isso é algo que me deixa profundamente feliz, sereno e em paz.
A dona Alice tem sido uma grande surpresa há algum tempo. Desde a morte do meu pai, principalmente. Com meu pai, ela completou bodas de ouro, numa cerimônia muito bonita que a gente fez poucos meses antes dele partir para sempre. Ainda no final de setembro de 2001, descobrimos que ela estava com um problema sério no joelho e foi submetida a uma cirurgia. Ficou vários meses na cadeira de rodas. Se alguém já passou por isso ou conviveu com algum parente/amigo nessas condições, sabe o que eu estou falando.
A família Almeida não é diferente das outras. Isso quer dizer que temos afetos e desafetos de vez em quando. Não somos tão unidos quanto gostaríamos. Sei que isso magoa minha mãe. Mas também acredito que não serei capaz de aplacar todas as dores que ela sente.
Eu tinha uma idéia errada sobre a minha mãe. Achava que ela entregaria os pontos. Mas isso nunca ocorreu.
Quando decidi ir pra Curitiba, ela me deu a maior força, mesmo sabendo que sofreria muito. Amor de mãe tem dessas concessões. Meus irmãos sempre foram muito ausentes, mas ela tenta enfrentar do melhor jeito possível. Sofre, claro. Mas suporta.
Ao regressar a Rolândia em agosto deste ano, nossa relação se estreitou. Ela estava com alguns problemas de saúde bastante sérios. Inclusive uma suspeita, não confirmada, graças a Deus, de câncer. Algumas vezes cheguei a achar que ela fazia drama. Mas numa maratona feita por médicos de várias especialidades, vi – concretamente – que o tempo realmente tinha sido cruel com ela.
Senti uma tristeza profunda quando duas professoras de hidroginástica recusaram a dona Alice nas aulas. Ela não conseguia se equilibrar para fazer os exercícios. Me deu desespero ver ela tentar, mas mostrar-se frágil a tal ponto.Percebi que o caminho era ela emagrecer, além de contratarmos um fisioterapeuta exclusivo.
Hoje, três meses depois, a Dona Alice está seis quilos mais magra. Isso lhe dá melhores condições de se exercitar. Ficou amicíssima do Marquinho, o fisioterapeuta, e da Rosana, a nutricionista. Ontem ele veio aqui abraçá-la pelo aniversário. Como disse ao Beto, certo dia, o importante não seria curá-la, mas dar-lhe um pouco mais de conforto.
Perto de sair de Rolândia novamente, sinto uma alegria imensa ao vê-la caminhando com mais facilidade no quintal da nossa casa. Sempre relembro a garra e determinação dessa senhora de cabelos brancos, corpo arcado e mãos calejadas de sempre ter trabalhado muito ao lado do meu pai para educar a mim e aos sete filhos. O meu pai apenas escrevia o nome. Já a mãe, estudou até a quarta série. Isso, porém, nunca foi problema para que os dois nos mostrassem o caminho da retidão.
Além de nos ensinar a sermos corretos, também mostraram como a gente deveria ser solidário com as pessoas. Estranhei quando um homem sujo bateu palmas na porta de nossa casa em Rolândia. Ele se autodenominou bêbado, mas amigo do meu pai. Queria um prato de comida. Aquilo me incomodou, mas vim falar com a dona Alice. Ela fez um prato com o que tínhamos no almoço e me disse que não era possível negar comida a quem passa fome. Era muito feio e desumano.
Sempre foi assim. Para ajudar os filhos, os amigos, os vizinhos que precisavam ser levados ao hospital, para velar parentes fora da cidade. Acho que sempre demonstrei os meus sentimentos pelos meus pais. Fico feliz de conseguir fazer isso. Esse post, na verdade, é apenas para registrar, concretamente, o meu orgulho de ser filho da dona Alice e do seo João.
De hoje ter podido lhe proporcionar um pouco de alegria. De estar ao lado dela nessa fase de recuperação. De ser feliz por ter nascido neste lar. Não creio em acaso. Acho que foi um presente divino estar ao lado deles nessa caminhada. E isso é algo que me deixa profundamente feliz, sereno e em paz.
Friday, November 28, 2003
- Oi.
- Oi.
- Estava ali te olhando.
- Eu percebi. Já estava até com vergonha.
- Pois é. Eu sempre acho difícil esse primeiro contato.
- Por que?
- Porque sempre é decisivo.
- Não estou entendendo.
- Sabe aquele lance da primeira impressão é que fica?
- Sei.
- Pois é. Se falar muita bobagem, parecer idiota, pode ser que você não queira nem arriscar mais que um minuto de conversa comigo.
- Sei.
- Aí eu fico inseguro, em dúvida, não sei exatamente o que dizer. Até os clichês me fogem da cabeça.
- Qual clichê você mais usa?
- O básico “você vem sempre aqui?”.
- E está querendo perguntar isso pra mim?
- Não, claro que não. Imagine falar algo assim pra alguém como você.
- Alguém como eu? Como eu sou?
- Interessante.
- Sei. E...
- Do tipo que dá vontade da gente ficar perto. Passar horas e horas conversando, se conhecendo.
- Sei.
- Nossa, esse papo está esquisito, meio aguado!
- É, eu também acho.
- E tem algo que eu possa fazer pra ficar com você?
- Claro que tem. Que tal começar calando a boca e me beijando?
- Oi.
- Estava ali te olhando.
- Eu percebi. Já estava até com vergonha.
- Pois é. Eu sempre acho difícil esse primeiro contato.
- Por que?
- Porque sempre é decisivo.
- Não estou entendendo.
- Sabe aquele lance da primeira impressão é que fica?
- Sei.
- Pois é. Se falar muita bobagem, parecer idiota, pode ser que você não queira nem arriscar mais que um minuto de conversa comigo.
- Sei.
- Aí eu fico inseguro, em dúvida, não sei exatamente o que dizer. Até os clichês me fogem da cabeça.
- Qual clichê você mais usa?
- O básico “você vem sempre aqui?”.
- E está querendo perguntar isso pra mim?
- Não, claro que não. Imagine falar algo assim pra alguém como você.
- Alguém como eu? Como eu sou?
- Interessante.
- Sei. E...
- Do tipo que dá vontade da gente ficar perto. Passar horas e horas conversando, se conhecendo.
- Sei.
- Nossa, esse papo está esquisito, meio aguado!
- É, eu também acho.
- E tem algo que eu possa fazer pra ficar com você?
- Claro que tem. Que tal começar calando a boca e me beijando?
Monday, November 24, 2003
- Oi.
- Oi.
- Há quanto tempo...
- Uma semana, 18 horas, 25 minutos, 40 segundos.
- Nossa, contando até os segundos?
- Sim. Fiquei assim depois daquele encontro.
- E por que?
- Porque não consigo mais dormir.
- E?
- E você é responsável por isso. E tenho que lhe dizer algo muito sinceramente.
- O que?
- Eu quero voltar a dormir.
- E eu posso lhe ajudar?
- Sim, claro. É só dormir comigo. Pra sempre.
- Oi.
- Há quanto tempo...
- Uma semana, 18 horas, 25 minutos, 40 segundos.
- Nossa, contando até os segundos?
- Sim. Fiquei assim depois daquele encontro.
- E por que?
- Porque não consigo mais dormir.
- E?
- E você é responsável por isso. E tenho que lhe dizer algo muito sinceramente.
- O que?
- Eu quero voltar a dormir.
- E eu posso lhe ajudar?
- Sim, claro. É só dormir comigo. Pra sempre.
Tuesday, November 18, 2003
Você começou a namorar. Depois de ter certeza que a relação vai além daquelas boas trepadas, decidem apresentar-se aos amigos em comum. Sempre tem um deles mais simpático que convida o casal para jantar.
Com a sensibilidade em baixa, mas esbanjando simpatia, a pessoa em si se desdobra para preparar o menu. Sai mais cedo do trabalho, gasta um tempão no supermercado, na casa de vinhos, passa a tarde toda no fogão.
Quando vocês chegam, o anfitrião é só sorrisos. Logo de cara, pelo prato de entrada, a percepção de que a noite pode não acabar bem. A última berinjela fez um mal danado e só de olhar para aquele patê você quase chamou o incrível Hulk.
Quando sentam-se à mesa e a mais simpática termina de servir todos os pratos, você já está suando frio. Não tem nada, absolutamente nenhum prato que lhe apeteça. Pelo contrário: ela parece ter escolhido a dedo tudo aquilo que você detesta.
Em nome do amor e da amizade, o que fazer neste momento?
Com a sensibilidade em baixa, mas esbanjando simpatia, a pessoa em si se desdobra para preparar o menu. Sai mais cedo do trabalho, gasta um tempão no supermercado, na casa de vinhos, passa a tarde toda no fogão.
Quando vocês chegam, o anfitrião é só sorrisos. Logo de cara, pelo prato de entrada, a percepção de que a noite pode não acabar bem. A última berinjela fez um mal danado e só de olhar para aquele patê você quase chamou o incrível Hulk.
Quando sentam-se à mesa e a mais simpática termina de servir todos os pratos, você já está suando frio. Não tem nada, absolutamente nenhum prato que lhe apeteça. Pelo contrário: ela parece ter escolhido a dedo tudo aquilo que você detesta.
Em nome do amor e da amizade, o que fazer neste momento?
Sunday, November 16, 2003
Em 1992 fiquei encantado com o livro da Danuza Leão sobre etiqueta.
Eu que subi na vida por si só, , tenho aquilo roxo e não devo nada pra vagabundo nenhum, encontrei naquele jeito desencanado de ver a vida, a maneira mais apropriada para minha entrada no jet set.
Ocorre que na última semana, ela atualizou a obra, relançada à luz das novidades do comportamento contemporâneo. Eu ainda não li os escritos, mas certamente ela não tem dica para uma situação absurdamente constrangedora.
Quem nunca precisou passar um fax para o Japão num banheiro público? Certamente todo mundo, num momento extremo, correu até o primeiro trono e fez ali o serviço marrom.
Certamente isso já ocorreu em um lugar onde você conhece as pessoas que estão por perto. Tipo o local de trabalho, a faculdade, um encontro temático etc. e tal.
A minha dúvida é a seguinte: no momento exato que o fax entra em contato com a água e o ambiente fica comprometido pelo odor, sempre entra alguém. É comum expressões do tipo “caralho”, “putz, tem gente morta aqui”, “rapaz”, entre outras pérolas. Ouvem-se barulhos, você pensa que o sujeito saiu do banheiro e abre a porta. Batata. Lá está ele, geralmente um conhecido. Pior quando é o chefe.
O que fazer neste momento?

Eu que subi na vida por si só, , tenho aquilo roxo e não devo nada pra vagabundo nenhum, encontrei naquele jeito desencanado de ver a vida, a maneira mais apropriada para minha entrada no jet set.
Ocorre que na última semana, ela atualizou a obra, relançada à luz das novidades do comportamento contemporâneo. Eu ainda não li os escritos, mas certamente ela não tem dica para uma situação absurdamente constrangedora.

Quem nunca precisou passar um fax para o Japão num banheiro público? Certamente todo mundo, num momento extremo, correu até o primeiro trono e fez ali o serviço marrom.
Certamente isso já ocorreu em um lugar onde você conhece as pessoas que estão por perto. Tipo o local de trabalho, a faculdade, um encontro temático etc. e tal.
A minha dúvida é a seguinte: no momento exato que o fax entra em contato com a água e o ambiente fica comprometido pelo odor, sempre entra alguém. É comum expressões do tipo “caralho”, “putz, tem gente morta aqui”, “rapaz”, entre outras pérolas. Ouvem-se barulhos, você pensa que o sujeito saiu do banheiro e abre a porta. Batata. Lá está ele, geralmente um conhecido. Pior quando é o chefe.
O que fazer neste momento?