Não, eu não vou falar nada sobre o filme. Quero dizer sobre esses momentos que ocorrem na vida de gente que, invariavelmente, parecem intermináveis. Sempre são situações limite.
Têm ligação direta com a morte, seja ela concreta ou apenas uma metáfora, uma etapa que se encerra. É aquele tempo de angústia, de nó no peito, quando o dia fica cinza, não passa, fica parado e olhar no relógio a cada cinco minutos vira uma rotina.
Você já notou que nessas horas, sempre aparece alguém para lhe estender a mão? É normal que seja um amigo, um parente, um irmão. Muitas vezes, porém, é alguém que a gente nunca imaginou. Uma pessoa que age por generosidade. E que deixa marcas profundas na nossa vida. Alguém que sempre vamos recordar, haja o que houver.
Lembro nitidamente o dia 15 de abril em Curitiba. Era pouco mais da 15 horas e eu acabara de sair da TV Educativa, demitido. Depois de dividir a raiva com o Beto (o Zé), liguei para a Maria Flores. Mais que solidária, ela estendeu-me a mão. Pouco tempo depois, ainda naquele dia, ela fez contatos, me deu números de telefone, mostrou, enfim, que o momento era de recomeço, de uma nova etapa, nunca de derrota. Me pôs pra cima, sabe?
Mas ela não estava só. Tinha também a Mira, a Taísa , a Suzana, a Katya. Pessoas com as quais eu já tinha convivido de maneira superficial. E que fizeram uma diferença absoluta na minha estada em Curitiba. Como eu disse à Suzana, no telefonema de até breve, elas torceram por mim. Mandaram energia positiva. Mostraram-se amigas, solidárias, generosas. Estavam lá, quando nada parecia ter cor, sentido.
Por essa razão é que viver vale a pena. Sempre existem Marias, Miras, Taísas, Suzanas, Katyas, Simones – minha amiga há mais tempo – Isabellas, Cidas, Rosis. Ainda bem que é assim. Fica muito mais bacana e interessante passar por qualquer problema.