Assim que passou a lâmina de barbear pela última vez no rosto, as luzes se apagaram. Pareceu combinação. Assustado, procurou a tomada, mas não adiantou. Estava no mais puro breu. A porta fez um rangido qualquer e Fernando sentiu medo.
Apalpava a parede quando ouviu um clique. Tentou se mexer, mas tinha uma mão presa. Era algo frio, forte. Nem teve tempo de se livrar daquele objeto quando o ruído se repetiu. Com as mãos imóveis, literalmente emboscado, sentiu pânico e desvencilhar-se foi algo impossível naquele momento.
- Shiiiiiiiiiiii. Foi o único som que ouviu.
Tão rápido que não identificou quem poderia estar ali. Perguntou várias vezes, mas não obteve resposta. Um ser estranho estava no seu banheiro, por uma dessas incríveis coincidências, conseguira prendê-lo com pouco esforço, e ele não sabia o que fazer.
Uma mão tocou os pêlos dos braços firmes para perceber a textura. Depois, no peito, dedos percorriam o tórax bem definido. Pausa nos mamilos e ele não pode mais negar: estava excitado. Os dedos foram hábeis e a toalha caiu. Fernando sentia apenas a respiração e o calor do outro corpo, que lhe tocava apenas com a língua.
Uma língua quente, doce, ágil na medida ideal, percorria-lhe a barriga, os pêlos pubianos, depois pulava para as coxas, passava pela divisão entre as pernas e chegava aos pés. Parecia um delírio, alguém ali, de quatro, beijando-lhe os pés com devoção. O caminho de volta foi mais rápido.
Antes de sugar-lhe, sentiu a pele do rosto se esfregando no pau. De novo para sentir a textura. A respiração já era alternada e ofegante quando foi engolido. Um prazer inusitado percorreu-lhe a espinha. Desejou pegar aquela cabeça para que não parasse tão cedo, mas foi impossível. Não tinha como agir. Ele, um homem forte e determinado, viu-se passivo. E a pessoa lá embaixo, num vai e vem guloso, alternando movimentos lentos com rápidos, sorvendo-lhe como podia. Não foi preciso muito tempo. O inusitado do momento trouxe-lhe o gozo. Na boca.
As pernas ficaram bambas, Fernando foi ao chão e ali mesmo dormiu. Estranho foi ser acordado, nu, pela empregada no dia seguinte. Constrangido, não encontrou palavras para se explicar. Curiosamente, no criado havia uma chave que abriu as algemas, só naquele momento definitivamente reconhecidas. Ao lado delas delas, um bilhete.
- Foi bom pra você?