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Wednesday, July 02, 2008

A boda de prata da Rede Globo não poderia ser pior. Era 1990, programação mais que especial, novela de Silvio de Abreu com elenco estelar – Rainha da Sucata – música tema na “onda” daquele momento – a lambada – a hegemonia de audiência intacta. Eis que um antigo “filho” da casa – Benedito Ruy Barbosa muda de endereço – a extinta Rede Manchete – e cria uma trama que pela primeira vez, desde o início da década de 70, tirou a liderança da Globo no horário nobre.

Pantanal era uma aposta de risco. Com a maior parte das cenas gravadas no recanto natural do Mato Grosso, o folhetim foi esnobado pela "Vênus Platinada". O elenco tinha nomes consagrados, mas a grande maioria era iniciante.

Contrariando qualquer expectativa, a novela foi sucesso absoluto. Dezoito anos atrás, a mistura toda deu muito certo. Cenas belíssimas da natureza, muito sexo e mulher pelada, a “crítica” da época dizia que acompanhar a trajetória de José Leôncio servia como um bálsamo para quem chegava em casa cansado do trabalho e estava enjoado das estórias do Rio de Janeiro. Era um mergulho no interior do Brasil. Eu tinha 20 anos em 1990. E passei a acompanhar a novela com muito entusiasmo.

Hoje, inicialmente por uma certa nostalgia, voltei a ver os capítulos na reapresentação pelo SBT. E só agora tudo fica mais claro. Realmente Pantanal tinha um ritmo bem diferente das demais tramas. Tudo é mais lento, calmo, bem parecido com as pequenas cidades deste Brasil imenso.

Do ponto de vista do folhetim, apenas dois núcleos: Rio de Janeiro e Pantanal. Todos os personagens se relacionam diretamente. A texto é dito de maneira pausada, sem sofreguidão. Vira e mexe aparece alguém pelado. No capítulo de ontem, por exemplo, a Juma e a Muda tomaram o banho mais longo da televisão brasileira. E o Paulo Gorgulho apareceu num ligeiro nu frontal com a Ingra Liberato, os dois jogando-se no rio.

São os diálogos, porém, o melhor de Pantanal. O reencontro do pai com o filho criado no Rio de Janeiro foi emocionante. E esses dois estranhos demoram a se entender, pois os conflitos, claro, são o esteio de qualquer drama. As cenas, porém, são repletas de afeto.

Pra mim, parece coisa de apaixonado. Gente que embarcou numa estória promissora, vestiu a camisa, acreditou que poderiam fazer a diferença. E realmente fizeram.

Tuesday, July 01, 2008

Ontem o SBT mexeu na grade da programação pela milionésima vez. E a Hebe foi ao ar às 20 horas. No programa, a modelo Isabeli Fontana afirmou que não gostaria de ter um filho gay.

Depois tentou dizer que o compreenderia bla, bla, bla.

Ainda bem que a gente vê e ouve apenas o que deseja, né?

Lembrei do ditado contado pelo meu avô Francisco Bernardo de Almeida: me diga com quem andas e te direis quem és.

E mais não digo porque pode dar uma confusão danada. É isso!

Friday, June 27, 2008

Acabo de conferir meus jogos de azar e ganhei exatos R$ 56,13, acertando a quadra da Dupla Sena.

Será que o próximo passo é a quina e depois a Mega Sena acumulada?

Já lancei o pedido para o universo. Agora é aguardar!

Friday, June 20, 2008

Em pouco mais de 48 horas, completo 38 anos. Há duas décadas, nesta mesma época, esperava tão ansiosa data para comprar o meu primeiro carro, um Passat metálico, com teto solar e tudo mais que um jovem poderia desejar.

Era um tempo com angústias diferentes, admito que mais simples, com menos contornos sofisticados. Com o possante veículo, viajei sem os meus pais pela primeira vez, na companhia de dois amigos, o Keno e o Jonas (o Juliano estava cumprindo o serviço militar). Caiobá pareceu o paraíso. Nem mesmo os diversos problemas mecânicos, elétricos e que tais do automóvel foram suficientes para desanimar.

Olhe o orgulho, o shorts ordinário, a "botina" nada a ver. Olhe nos olhos e veja a alegria. Ter 18 anos é tudo de bom!


Vivi a ilusão de que o tempo se encarregaria de deixar tudo mais sereno, que a tão saudada experiência, ou ainda a maturidade, compactaria as dores, redimensionaria os aprendizados, afagaria a alma. Não foi exatamente assim que se sucedeu.

E hoje lembrei do Paulo Armando Ribas Júnior, meu afilhado de casamento. Certa vez ele escreveu, aqui mesmo no Tipos, que nem mesmo os muitos tropeços, nem mesmo os maiores desafios se esgotam com o tempo. E que dia após dia, estamos aprendendo. E a razão, segundo ele, é, aparentemente, simples. “Não é o ‘aprendizado’ que é lento. É que ele nunca acaba”, escreveu.

Eu também pensara que apenas as dores eram vivências únicas, irremediavelmente exclusivas, pois ninguém – por mais próximo que seja – é capaz de vivê-las em nosso lugar. Agora percebo que mesmo ela, a tal felicidade, os momentos de alegria, também são absolutamente individuais.

Será que tudo isso pode mudar? E mudando, será melhor? Ir, não ir, ficar, partir?


Cada um dimensiona as conquistas de acordo com o investimento nelas depositado. E uma vez realizadas, mesmo as pessoas mais importantes estando próximas, o gosto da meta atingida é saboreado solitariamente. Só a mente de quem cruzou a linha de chegada sabe exatamente o valor de cada centímetro percorrido.

Admitir este fato tira um pouco do colorido da vida. Torna as pessoas ao redor um pouco cinzentas. Mas, por mais paradoxal que seja, deixa-nos mais fortes, menos dependentes, talvez até mais preparados para um novo aprendizado, aquele que nunca, nunca mesmo, se esgota.

Embora eu ainda insista em brigar com os fatos, embora eu ainda continue acreditando nas pessoas, embora eu ainda pense que o certo é o fazer o certo, de vez em quando dá um desânimo, uma descrença, uma desesperança.

As respostas são mais lentas, o corpo já apresenta reflexos mais retardados, o cansaço, sim, é mais rápido. Assim como as marcas do tempo estampadas na face, nos fios de cabelo branco na cabeça, no peito, naquele lugar e, pasmem, dentro do nariz.

Eis o melhor de tudo... arriscar-se sem medo. Se a dor será inevitável, então vamos viver!


E quando tudo isso acontece, quando se percebe tudo isso, também não há muito a fazer. Não tem receita para retirar toneladas do peito. Talvez o melhor desses quase 38 anos é saber que depois deste post, talvez amanhã, ou ainda no sábado, eu consiga olhar pra tudo isso, dar um discreto sorriso, me encantar com algo inesperado e, assim, continuar acreditando que viver é uma grande dádiva, que as pessoas valem a pena e esta foi apenas mais uma morte que aconteceu, mas que não se encerrou em si mesma.

Sunday, June 15, 2008

O texto abaixo foi escrito pela Bárbara Gancia, colunista da Folha de S. Paulo e publicado na última sexta, dia 13 de junho.
Eu gostei muito. E você?

Foi feita justiça?

Quero saber se quem mentiu no caso do padre Júlio receberá o mesmo tratamento de quem disse a verdade

NÃO É POSSÍVEL SABER os pormenores do julgamento, uma vez que o processo correu em segredo de Justiça. Mas ainda há algumas dúvidas antigas por esclarecer no caso do padre Júlio Lancelotti, famoso por defender os direitos dos adolescentes, que no ano passado acusou de extorsão o ex-interno da Febem, Anderson Marcos Batista, a mulher dele, Conceição Eletério, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães.
Detidos desde outubro de 2007, o ex-interno, a mulher e os dois irmãos acabaram absolvidos e soltos.
Na saída da Penitenciária Feminina do Estado, onde passou os últimos sete meses sem receber visitas, Conceição Eletério afirmou que foi feita justiça no seu caso.
Não sei, não. Ser inocente e passar sete meses como inquilina de uma penitenciária tapuia não é exatamente minha idéia de eqüidade. E o padre Júlio não quis se manifestar sobre o veredicto, mas eu quero, sim, voltar a falar no assunto.
Quero saber se a história fica por isso mesmo. Quero saber se quem mentiu neste caso receberá o mesmo tratamento de quem disse a verdade e, enxerida que sou, quero saber também de onde vieram os tais R$ 700 mil que o padre teria dado ao antigo protegido.
Se essas perguntas básicas não forem respondidas o quanto antes, o que terá prevalecido neste caso será um tipo de justiça nossa velha conhecida, do quem pode mais, chora menos. Quem tem poder, dinheiro ou prestígio, contrata estrelas para fazer a sua defesa. E quem não tem, vai preso e, na hora de ir embora para casa, ainda agradece pelo tratamento dispensado.




A mãe de uma das adolescentes que desapareceram dizendo que iam ao cinema (e foram encontradas em Curitibanos, Santa Catarina) desabafou aos jornalistas depois da volta da pimpolha: "Eu sou uma mãe superlegal, dou liberdade; ao mesmo tempo, levo e busco no colégio, converso, aí ela vai e desaparece". Não tenho filhos, mas ouso dizer que também sumiria se minha mãe fosse tão despreparada.
Eu pergunto: não está na hora de pai e mãe saírem dessa camisa-de-força de ser "superlegal" com os filhos? Desde quando os pais têm de ser melhores amigos e confidentes?
Quem faça isso, está cheio por aí, mas para estabelecer limites, orientar e impor disciplina, só mesmo os chatos do papai e da mamãe.
Acontece que a minha geração, que acha normal beber, fumar cigarro e até o cigarrinho (ilegal) do diabo na frente da filharada, tem horror de passar por cricri. Claro, dá muito mais trabalho dizer "não" do que ceder às pressões dos filhos. E minha geração, não podemos esquecer, também foi ultramimada pelos pais.
Quem disse que gostamos de fazer esforço? É muito mais fácil deixar como está. Até a hora em que o filho revela ser um Alexandre Nardoni, daí a gente vê como lida com o problema, não é mesmo?
Pois eu digo que somos um país de desleixados que educa seus filhos malíssimo. Basta ver, nas noites de domingo, a criançada correndo e gritando nas pizzarias. Ou fazendo fita, batendo o pé e dando piti nos caixas de supermercado porque os pais não compraram isso ou aquilo que eles queriam.
A ruína total está a um passo.

Thursday, June 12, 2008

Tenho contradições, admito. Ao mesmo tempo que acho que todo o dia é dia de ser feliz, de amar, de dizer que ama, de cuidar, de dar presente, eu gosto das datas. Tenho boa memória e isso costuma facilitar muito as diversas situações.

No ano passado, por exemplo, nesta mesma data, fui à Unopar, dei uma engabelada na aula daquele dia, saí mais cedo da Universidade, corri pro restaurante buscar a encomenda do nosso primeiro Dia dos Namorados juntos. Havia flores, havia taças, havia espumante, havia a paixão, havia o desejo, havia o amor.

Há um vilarejo ali, onde areja um vento bom...


Hoje você está aí em Londrina, eu aqui em Curitiba. Não há flores, nem taças, nem espumante. Mas há paixão, há desejo, há amor, há a certeza de que sua presença fez os meus dias – que já eram muito bons – ainda melhores, mais coloridos.

É confortante saber que nesse um ano e 49 dias, nós soubemos desenvolver a nossa história, às vezes como uma novela dramática, às vezes com o humor mais descarado, mas sempre com o afeto que nos une e o amor que nos acolhe.

... pra acalmar o coração, lá o mundo tem razão...


Eu escolhi você, você me escolheu e agora não existe mais futuro. Existe o aqui, o agora – e ele não é um programa de televisão de baixa audiência, pelo contrário.

Você chegou e, como numa das belas – e raras – canções da Simone, iluminou o meu olhar. E isso é mais que suficiente para eu celebrar a felicidade e a paz que esse encontro me proporciona.

portas e janelas ficam sempre abertas pra vc entrar. Um verdadeiro amor para quando e onde vc for


Eu amo você. Hoje um pouco mais que ontem e, certamente, um pouco menos que amanhã.

Wednesday, June 11, 2008

Ontem foi uma terça-feira daquelas. Mesmo a minha companheira de 15 anos tendo passado mal e eu ter que pedir ajuda às 8 da manhã. Sim, a boa e prestativa máquina de lavar roupas Mondial teve um “piripaque” e com 280 dinheiros, ficará novinha em folha, pronta para qualquer desafio.

Na rua, céu azul, maravilhoso, vento frio e temperatura de 11 graus em pleno meio-dia, quando fui almoçar com o Beto e a Carminha. Atividade seguinte, uma boa e produtiva reunião de trabalho, edição do belo documentário sobre a imigração japonesa, fechado pelo Marcos Martins e regresso à minha singela e acolhedora residência.

Na portaria, Deise avisa que tinha bastante correspondência. Estranhei o grande envelope cinza, já que não encomendara nada pela internet. Rasguei o plástico com determinação. Dentro, a caixa abaixo:



Dentro da caixa de papel reciclado, um livro de fotografias da Amazônia. Foi meu primeiro presente de aniversário. As fotos são tão lindas, mas tão lindas, mas tão lindas, que nem me importei de lembrar que em 11 dias completarei 38 anos de existência. Uma idade tão bacana, tão bonita, a melhor que tive até agora. Que espero renda outros 38 e, quem sabe, mais uns 20 de lambuja. Viver 96 anos seria de bom tamanho, não? Claro que... em plena atividade sexual, né?

Além das belas fotos, o texto também é muito bom!

Tuesday, June 10, 2008

Depois da anunciada aposentadoria, o Homem do Baú voltou à baila no SBT e, claro, elevou a audiência dominical.

Muito entusiasmado com os números, pregou o maior susto em quem assistia ao SBT Brasil, ontem, segunda-feira, 09 de junho de 2008. Na primeira chamada do intervalo comercial, uma mensagem bombástica, em formato de alerta geral, bem ameaçadora. “Arma secreta”... Aguarde, Daqui a pouco, logo após o SBT Brasil.

A tal arma secreta era a novela Pantanal que a emissora estreou sem nenhum alarde. A trama de Benedito Ruy Barbosa fora exibida pela primeira vez na extinta TV Manchete, em 1990, e abalou a audiência da Globo, que na mesma época exibia Rainha da Sucata.

Para concorrer com a nudez da bela Cristiana Oliveira, que interpretava a Juma Marruá, a mulher onça, foi um tal de tirar a roupa da Cláudia Raia, que no folhetim de Silvio de Abreu, fazia a obesa Adriana, uma bailarina bem atrapalhada.

Sem dúvida, Pantanal está entre as mais belas novelas brasileiras. O capítulo final foi de uma emoção à toda prova, já que Benedito sabe conduzir muito bem uma trama, principalmente quando é preciso falar das emoções e laços familiares.

Lá nas fazendas do Mato Grosso, desfilaram a bela Guta, a desajeitada Maria Bruaca, o “Véio” do Rio e muitas outras figuras marcantes, sob a batuta do melodramático “maestro” Marcus Viana. Eu tenho a trilha sonora em vinil e garanto: é das mais bonitas.

Naqueles idos de 1990, uma explicação para o sucesso de Pantanal eram as belas imagens de um dos recantos naturais do Brasil. Famoso pelas “barrigas” nas obras que escreve, Benedito sempre propunha cenas muito longas, como a “decolagem” de um tuiuiú, que cruzava todo o pantanal ao som de uma bela música instrumental.

Será que vai fazer sucesso? Numa época de tv digital, dvd’s, melhor resolução de imagens, as pessoas terão paciência de ver imagens tão toscas, tiradas de um arquivo de fitas mal guardadas?

A acompanhar.

Veja se vc consegue reconhecer essas imagens. Elas pararam o Brasil em 1990!

Tuesday, June 03, 2008

Hoje, a caminho de uma reunião, eu e o Zero falávamos sobre este apagão do Tipos. Ainda bem que a gente viajou um pouco na maionese. Foi só uma explosão lá pelas bandas do Texas. Agora estamos de volta, ufa.

Ele também lembrou que há exatos cinco anos, nós e o Paulo Briguet estreávamos aqui. E que este espaço passou a fazer parte da nossa vida de maneira muito especial. Por alguns instantes, questionamos se não escreveríamos mais o que bem entendêssemos, principalmente quando desejássemos.

Tudo não passou de mais um atrapalho dessa tal de informática e este site vai continuar firme e forte, abrigando os mais variados tipos, personalidades e estilos de escrita.

Como é bom saber que tudo está bem de novo!

Friday, May 30, 2008

Pela primeira vez este ano, freqüentei uma aula de Body Combat. Para quem não sabe, é um dos programas da Body Systems que simula golpes e chutes de vários tipos de luta.

Fiz este tipo de aula em Rolândia, Maringá e Londrina, assisti demonstrações em algumas outras cidades. Sempre é muito agitada, as pessoas se envolvem no ritmo, nos golpes, é uma gritaria só, pra lá de animada.

Na academia, hoje, silêncio total, exceto pela condução do instrutor – muito bom, por sinal – e as músicas. Nenhum grito, nenhum urro, nenhuma manifestação de vivacidade.

E lembrei que na academia anterior, aqui em Curitiba, também foi assim. Numa determinada aula... soltei um berro. Todo mundo me olhou tão estranho, que nunca mais esbocei qualquer grunhido.

Por que será que aqui é assim?

Eu numa aula de Combat, em Londrina. Vai encarar?

Wednesday, May 28, 2008

Fala sério.... não é uma Zebra das mais pomposas?


Neste feriadão, fiquei na capital e recebi a grata visita do André. Domingão de muito sol, passeando pela cidade, ele perguntou se Curitiba tinha um zoológico. Ignorante, respondi com veemência que não. Um átimo de segundo após, liguei para o Beto e ele confirmou que sim, Curitiba tem um zoológico.

Vai encarar?


O espaço fica lá onde o Judas perdeu a segunda meia. Pensa num lugar longe... muito longe... mas muito longe mesmo. Praticamente em São José dos Pinhais.

Esses dois aí estavam se estranhando... por que será?????


Qual não foi a nossa surpresa ao chegar ao local e perceber que praticamente metade de Curitiba estava lá dando bananas aos macacos. Aliás, esta é uma boa característica dos curitibanos: aqui as pessoas realmente aproveitam os parques e afins. E o poder público, por outro lado, oferece a infra-estrutura necessária para todo mundo se divertir. O melhor? Sem pagar qualquer tarifa.

São ou não são lindas?


Eu e o André voltamos a ser crianças. Ver aqueles animais todos – não existem muitos exemplares – fez o fim de semana ficar pra lá de divertido.

Lindas, imponentes, sagazes. Quer mais?

Monday, May 19, 2008

O meu afilhado Paulo Armando Ribas Júnior leu o post sobre os celulares. E descobriu o vídeo abaixo, que quero compartilhar com vocês. O incidente ocorreu no Bom Dia Paraíba, veiculado pela afiliada da Globo de lá.

Espie! E preste atenção naquilo que eu já dissera: todo celular inconveniente tem toque absurdamente imbecil.

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Quando eu dava aulas, a melhor de todas elas - sem falsa modéstia - era uma entrevista conduzida pelos futuros apresentadores de televisão. Simulávamos todos os possíveis problemas durante a atividade. Tudo para que eles prestassem mais atenção nesse tipo de detalhe.

Como o vídeo acima comprova, eu estava correto.

Friday, May 16, 2008

A minha mãe, em foto de 1944, quando ela tinha doze anos e completara o ensino primário. Nunca mais voltou às salas de aula. Mas é mestra em muita coisa.


Quando tive a mais dolorida das conversas com minha mãe, ela olhou-me nos olhos e disse-me que nada tinha tanta importância, exceto eu continuar sendo o filho dela. Noutra ocasião, precisei deixar claro que filhos e casamento convencional não estavam mais nos meus planos, ela olhou-me com o mais maternal dos olhares.
- E quem vai cuidar de você na velhice?

Embora consternado e emocionado pela preocupação, retruquei que filhos não garantiam absolutamente nada. E que na vida, nossas mais importantes vivências eram, de fato, muito solitárias. Nascemos sozinhos, passamos as piores dores sozinhos e até mesmo para morrer, precisamos de forças – algo que me disseram logo que o meu pai nos deixou – para o derradeiro ato. E ele também é solitário, único, exclusivo.

O tempo, sempre ele, é cruel com algumas pessoas. Com minha mãe não tem sido diferente. Acometida de vários problemas de saúde, é uma brava guerreira. Não se conforma com as limitações, briga com os sinais do tempo, incomoda-se com as dificuldades. Eu sinto muito orgulho.

Recentemente ela teve um pequeno derrame cerebral que lhe tirou algumas funções bem vitais. Daquelas que humilham quando nos percebemos incapazes de realizá-las. Ficou ainda mais dependente. Teimosa, reclama de ir ao médico, embora algumas sessões de fisioterapia tenham devolvido um pouco mais de conforto.

A minha mãe tem medo de faltar dinheiro. – Não quero dar trabalho a vocês. Esta postura sempre foi muito presente na nossa vida. Lembro dela dizendo que era importante lavar a louça do jantar antes de dormir. Caso passasse mal durante a noite e precisasse da ajuda de alguém, dos vizinhos, dos parentes, ao menos não teriam que arrumar a cozinha. – Evite dar trabalho a quem quer que seja.

Embora diga que a vida caminha cada vez mais rápido para o fim, a Dona Alice se preocupa em não precisar do dinheiro dos sete filhos. Desta vez, no último fim de semana, fui eu a olhá-la nos olhos:
- Não vai faltar dinheiro à senhora. E se faltar, saiba que a gente vai cuidar da senhora até o último minuto.
Os olhos dela marejaram.

Noutro momento, ela perguntou se eu estava bem em Curitiba. Reafirmei mais uma vez que nunca vivera fase tão boa, que passava pelo meu melhor momento pessoal e profissional. Sentada na cadeira, ela segurou as minhas mãos.
- Eu não consigo ver você assim, tão grande. Pra mim, você ainda é um menino. Eu vejo você brincando pelo quintal, pela chácara, voltando correndo da escola e pedindo mamadeira. Eu só vejo você assim. Por que será?
Os meus olhos marejaram.

Antes de vir embora, pedi-lhe que fizesse mais fisioterapia, pois os resultados ela mesmo dissera serem bons. E que não se preocupasse com dinheiro, comigo, com nada, exceto a própria saúde. E ainda, que se algo viesse a faltar, ela poderia contar comigo. Sempre.

Minha mãe então me abraçou e chorou muito. Copiosa e dolorosamente. Foi um choro sentido, do fundo da alma. Pedi-lhe que não chorasse, não havia razão para isso. Voltou-me a abraçar e chorou ainda mais.

Ficamos ali por alguns instantes, beijei-a no rosto e saí pegar o ônibus e voltar à Curitiba.

Eu fiz 30 anos, estava com minha mãe e meu pai, num dia absurdamente feliz. Foi a última foto dos três juntos.

Wednesday, May 14, 2008

Sempre me pego pensando como as pessoas ficaram escravas do telefone celular. O que era pra ser um mero acessório para se comunicar com facilidade de qualquer lugar da cidade, aprisionou muita gente e tornou-se senhor de todas as horas e lugares.

Já fiquei constrangido de ouvir celular tocando em cerimônia religiosa – leia-se missa – em velório, em palestras bem interessantes, sessão de fisioterapia, sessão de massagem. E um detalhe... sempre a pessoa que deixa o celular ligado, coloca um toque horroroso de indecente, sempre demora pra atender e sempre fala alto para todos os circunvizinhos ouvirem. Afinal, pra que serve o vibracall?

Dias atrás, senti pena de uma garota na aula de spinning. A menina toda esbaforida, tentando entrar no ritmo proposto pelo professor, toca o celular. Ela não só atendeu, como se desequilibrou, quase caiu da bicicleta, mas não deixou de tentar falar aos berros com o (a) interlocutor (a). Detalhe... a aula era às 6h30.

Ontem a cena se repetiu com outra adolescente. A galera dando o melhor de si e a menina sai de casa – frio de 11 graus – para ficar falando ao celular durante a aula.

Claro que eu não tenho nada a ver com isso. Mas sinto pena dessa gente que parece se sentir mais importante do que de fato é. Nada é tão urgente, nada é tão necessário. Vivemos quase dois mil anos sem essa droga. E agora ele parece tão imprescindível.

Imprescindível mesmo é a gentileza, a generosidade, o bom humor, a boa vontade, o acolhimento. O resto é conversa mole.

Tuesday, April 29, 2008

Às vezes tenho a impressão que gosto mesmo de sofrer. Invariavelmente toda segunda-feira leio a coluna de sexo do Folhateen, suplemento da Folha de S. Paulo. E quanto mais penso que a imbecilidade não tem mesmo limites, mais eu me surpreendo.

Ontem, por exemplo, quatro leitores apresentaram as seguintes dúvidas:

"Um pouco da minha ejaculação caiu na banheira e minha namorada, que ainda é virgem, estava dentro da água. Qual a possibilidade dela engravidar?"

"Meu namorado estava se masturbando, ainda não tinha ejaculado e colocou o dedo na minha vagina. Posso engravidar com o líquido lubrificante em sua mão?"

"Fiz sexo anal com meu namorado, estava menstruada e, depois disso, fui a um churrasco. Lá, comi um molho de alho, que me fez muito mal. Estou melhor, mas ainda tenho dor de cabeça e diarréia. Posso estar grávida?"

"Alguém pode ficar grávida sem ter uma relação sexual, só com um amasso bem quente, em que o namorado ejacula, sem tirar as roupas?


Só posso acreditar que na falta de cartas, o médico Jairo Bouer arrisque esses questionamentos apócrifos. Agora... se eles forem verdadeiros, tenho medo até de pensar que tipo de adultos esses jovens serão.

Prestou atenção no terceiro depoimento? É ou não é uma piada?